Pai-Mãe do Cosmos

Mino – Cena Ecológica

Pai Nosso

A oração do Senhor (Tradução do Aramaico)

Ó Força procriadora! Pai-Mãe do Cosmos,
focaliza tua Luz dentro de nós, tornando-a útil.
O Teu desejo Uno atue então com o nosso,
assim como em toda luz e em todas as formas.
Dá-nos todos os dias o que necessitamos em pão e entendimento.
Desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras
com que aprisionamos a culpa dos nossos irmãos.
Não permitas que as coisas superficiais nos iludam,
mas liberta-nos de tudo que nos detém.
De Ti nasce toda vontade reinante, o poder e a força viva da ação,
a canção que se renova de idade a idade e a tudo embeleza.
Verdadeiramente – poder a esta Declaração –
que possa ser o solo do qual cresçam todas as nossas Ações.
Amém .

O Pai Nosso (em Aramaico)

Abwun d’bwashmaya
Nethqadash shmakh
Teytey tzevyanach aykanna d’bwashmaya aph b’arha
Hawvlan lachma d’sunqanan yaomana
Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph khnan
shbwoqan I’khayyabayn
Wela tahlan I’nesyuna
Ela patzan min bisha.
Metol dilakhie malkutha wahayla wateshbukhta
I’ahlam almin.
Ameyn

NOTA: postagem solicitada pelo lider indígena Manuel Fernandes Moura Tukano

Inscrições para o Vídeo Índio Brasil 2009. Participe!

Imagem: Produção VIB 2009
Prezada Graça,Somos do evento Vídeo Índio Brasil (ver descrição abaixo) e estamos com as inscrições abertas para filmes de temática indígena a serem exibidos no evento deste ano. As inscrições vão até 1 de julho agora. Gostaríamos de contar com a divulgação do seu Blog, que tem a afinidade do assunto das causas indígenas.

Abraços,

Flora
Produção Vídeo Índio Brasil 2009

Última semana de inscrições para o Vídeo Índio Brasil 2009

O Pontão de Cultura Guaicuru realizará o Vídeo Índio Brasil 2009 no período de 10 a 16 de agosto. As inscrições para filmes de temática indígena estão abertas até 1 de julho. Produtores e cineastas de todo o Brasil com curtas, médias e longametragens interessados em compor a programação do evento devem acessar o sítio www.oficinadecriacaoteatral.org.br para baixar o edital e ficha de inscrição.
O Vídeo Índio Brasil 2009 é um evento que promove a reflexão e o debate sobre a forma como os povos indígenas são tratados nos conteúdos audiovisuais produzidos no país e busca valorizar e instrumentalizar as iniciativas que possibilitem melhor conhecimento do patrimônio indígena, além de contribuir para criar uma nova perspectiva cultural que fortaleça as relações entre índios e não índios. A segunda edição pretende repetir o sucesso do ano passado com mostras de filmes, debates, oficina de produção audiovisual indígena, exposição fotográfica e Seminários em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Caarapó, Sidrolândia e Bonito, em Mato Grosso do Sul, como forma de estímulo à expressão cultural da segunda maior população indígena do Brasil e a sua difusão para a população local e para o restante do País.
Acesse o link http://www.youtube.com/watch?v=Uflx9TzD3vQ e conheça o vídeo institucional do evento em 2008.
CONTATO:

Flora Menezes
Produção do VIB 2009
Pontão de Cultura Guaicuru
(67) 30266356
http://www.oficinadecriacaoteatral.org.br/

Texto publicado no Overmundo.

Qual o lugar da literatura indígena no Brasil?

VI ENCONTRO DE ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS – ABL
I Colóquio entre Tradição Oral e Literatura Brasileira
       O que une e o que separa os contadores de história e os poetas das sociedades tradicionais e das chamadas sociedades envolventes?
             A oralidade continua viva, seja por meio dos versos ou das narrativas; seja a narração dos mitos de origem, dos eventos astronômicos, das migrações de diferentes grupos étnicos, dos conflitos intertribais (pois não existe sociedade sem conflitos) e outros acontecimentos que marcaram as sociedades indígenas antes da irrupção dos colonizadores.
        Conforme a ciência indígena, os ventos sopram para fortalecer o espírito. O ato de narrar, tanto quanto o versejar configuram um conjunto de vozes oriundas da tradição, da ancestralidade. Por isso, a oralidade continua viva.
          Basta um lugar e um olhar receptivos, um(a) leitor(a) atentos para o ato de narrar e o versejar se expandir igual a “seiva que percorre o corpo das árvores”, conforme intuímos em uma passagem da carta do chefe Seattle, anexada ao livro Banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira, de Daniel Munduruku (2000). É nessa atmosfera que escritores(as) indígenas (Yaguarê Yamã, Renê Kithãulu, Eliane Potiguara, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Marcos Terena e Darlene Taukane, para citar alguns) encantam platéias quando se juntam em torno da “contação de histórias”; nesse ritmo, também se juntam para cantar o amor à Terra porque se reconhecem filhos da terra e parentes em meio a diferentes etnias.
          Stuart Hall (1999:86) fala do desafio que é “existir como uma identidade ao longo de uma larga gama de outras diferenças”. Atento a esse desafio, Daniel Munduruku e outros parentes escritores indígenas dissolvem as fronteiras na “contação de histórias” e mostram ao público um mundo diferente, do qual geralmente se pensa que as pessoas indígenas são incompetentes, selvagens, preguiçosas e arredias, entre outros predicativos que dão conta do desrespeito que se tem às diferenças. E não é raro, nessas ocasiões, sobretudo no contato com o público infantil e/ou juvenil, os autores se expressarem com humor a respeito das diferenças.
         A literatura indígena contemporânea é um lugar utópico (de sobrevivência), uma variante do épico tecido pela oralidade; um lugar de confluência de vozes silenciadas e exiladas (escritas) ao longo dos 500 anos de colonização. Enraizada nas origens, a literatura indígena contemporânea vem se preservando na autohistória de seus autores e autoras e na recepção de um público-leitor diferenciado, isto é, uma minoria que semeia outras leituras possíveis no universo de poemas e prosas autóctones.
           Nesse processo de reflexão, a voz do texto mostra que os direitos dos povos indígenas de expressar seu amor à terra, de viver seus costumes, sua organização social, suas línguas e de manifestar suas crenças nunca foram considerados de fato. Mas, apesar da intromissão dos valores dominantes, o jeito de ser e de viver dos povos indígenas vence o tempo: a tradição literária (oral, escrita, individual, coletiva, híbrida, plural) é uma prova dessa resistência. Essa tradição é abordada, aqui, a partir de um conjunto de textos literários contemporâneos de autoria indígena (individual) de língua portuguesa, em que se manifesta a literatura-assinatura de milhões de povos excluídos na história dos 500 anos.
        O texto literário convoca a uma leitura interdisciplinar e, ao mesmo tempo, permite observar a relação entre identidade, autohistória, deslocamento e alteridade entre outras questões que se depreendem da poesia e da narrativa. Essa relação suscita uma leitura entre real e imaginário, oralidade e escrita, ficção e história, tempo e espaço, individual e coletivo e de outros encadeamentos imprescindíveis à apreensão da autonomia do discurso e da cumplicidade multiétnica (diálogo) que emanam dos textos literários (poemas, contos, crônicas) e da ecocrítica nos depoimentos, nas entrevistas, nos artigos e outros textos de autoria indígena.
          A literatura indígena continua se perguntando: em quanto tempo passam 500 anos?
Identidades, utopia, cumplicidade, esperança, resistência, deslocamento, transculturação, mito, história, diáspora e outras palavras andantes configuram alguns termos (possíveis) para designar, em princípio, a existência da literatura indígena contemporânea no Brasil, até onde pudermos apurar os (des)entendimentos do(s) termo(s).
          Gerando a sua própria teoria, a literatura escrita dos povos indígenas no Brasil pede que se leiam as várias faces de sua transversalidade, a começar pela estreita relação que mantém com a literatura de tradição oral, com a história de outras nações excluídas (as nações africanas, por exemplo), com a mescla cultural e outros aspectos fronteiriços que se manifestam na literatura estrangeira e, acentuadamente, no cenário da literatura Nacional. Como distinguir as especificidades da literatura indígena em meio ao processo de transculturação? Como reconhecer a existência dessa literatura, em meio a tantos “apagamentos”? Quais os pontos de confluência entre os diferentes saberes sagrados dos povos indígenas no Brasil ou em Quebec, no Paraguai ou no México, na Guatemala ou no Chile, no Peru ou na Bolívia, levando em conta o processo de hifenização?
          Esse questionamento é um convite para repensar também “a utopia em seu sentido antropológico como toda possibilidade de sonhar um mundo melhor, todo projeto coletivo, toda idéia que dê sentido à vida e às suas expressões cotidianas”, como nos ensina Luciana Tamagno (1999: 12). Pensemos, então, a escassez de estudos em torno do assunto como decorrência do preconceito. Daí a falta de reconhecimento da existência dessa literatura (seja ela contemporânea ou não). A situação do(a) escritor(a) negro(a) e indígena, por exemplo, não está desapartada da sua escrita. A sua história de vida (autohistória) configura-se como um dos elementos intensificadores na sua crítica-escritura, levando em conta a história de seu povo. Sendo assim, as especificidades da literatura indígena, tanto quanto as particularidades da literatura africana devem ser respeitadas em suas diferenças.
NOTA da ABL: No dia 15 de junho, aconteceu o I Colóquio entre Tradição Oral e Literatura Brasileira, debatendo aspectos relevantes sobre a literatura indígena, estabelecendo o encontro dos escritores de origem nativa e os mais reconhecidos nomes da literatura brasileira. O debate foi no Teatro R. Magalhães Jr. e contou com a presença do Presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, dos Acadêmicos Moacyr Scliar e Alberto da Costa e Silva, Daniel Munduruku (Escritor e Diretor Presidente do Inbrapi), Graça Graúna (Indígena Potiguara e Dra. em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco) e Darlene Taukane (Escritora Indígena Kura-Bakairi e Mestre em Educação). O evento teve entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo portal da ABL.
Graça Graúna (indígna potiguara/RN) Rio de janeiro, 15 de junho de 2009.
NOTA: matéria publicada no Overmundo.