Povos indígenas na luta pela terra

Indígenas pedem força aos Ancestrais em frente ao prédio da Funai

Em Brasília, vários representantes dos povos indígenas estão reunidos em protesto ao Marco Temporal. Conforme o Isa (Instituto Socioambiental), a tese do marco temporal diz que “apenas os povos que estavam em suas terras em 1988 têm direito aos seus territórios originários, ignorando séculos de perseguições e expulsões que obrigaram os povos indígenas a viverem marginalizados, distantes dos seus territórios originais”.

Protesto do povo Panará

Povos indígenas representados por suas lideranças em Brasília: Avá Guarani, Canoe, Cinta Larga, Guajajára, Guarani Mbya, Guarani Nhandeva, Imboré, Juruna, Kaingang, Kamakã, Karipuna, karitiana, Kayapó, Krenak, Macurap, Macuxi, Matupi , Munduruku, Paiter suruí, Panará, Pankará, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Potiguara, Sarapá, Tapajó, Terena, Tiriyó, Tukano, Tupari, Tupi Guarani, Tupinambá, Tuxá, Uru eu wau wau, Wapichana, Xarrui, Xokleng e Yanomami.

Povo Ikpeng protesta conta PL 490

Conforme o ISA, as delegações estão vacinadas e respeitando os protocolos sanitários. Em Brasília/DF as caravanas indígenas formam aproximadamente 1.000 pessoas, de 48 povos diferentes, de todas as regiões do país e que ficarão na esplanada até o dia 30 de junho.

Protesto indígena contra a PL 490, em Brasília/DF

As fotos nesta postagem fazem parte do acervo do Isa (Instituto Socioambiental), da Rede de Comunicadores do Xingu, da Mídia Ninja e do fotógrafo Leo, entre outros parceiros do movimento indígena.

A luta continua!

Saudações indígenas,

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

No tempo da natureza com o povo Assurini

Crédito: pesquisadora Maria Gorete Cruz Procópio.

Chegou a hora da retomada!

Nota: agradecimentos à Paula Santana por esse texto maravilhoso e por compartilhar a imagem fotografada por M. Gorete C. Procópio. Que Nhanderu nos acolha!!!

Autoria do Texto: Paula Santana*

O povo Assurini louva o Jacaré todos os anos. O jacaré é um bicho que olha de lado, por cima do espelho d’água e observa ao longe porque sabe das coisas. Por isso, a festa do jacaré dos Assurini é um espaço educativo e de manifestação de saberes, em que os mais novos têm a oportunidade de aprender com os mais velhos. Melhor analogia para o dia de hoje não há. Quiseram nos assustar e nos matar. Como um jacaré à espreita, esperamos no tempo da natureza. Seguimos em frente com a cabeça erguida e a mira afiada, aguardando com sagacidade. Celebrar o jacaré é um rito de fortalecimento e de vitória para os Assurini, e pra gente também. No posto de saúde, encontrei outras educadoras desse sertão véio de guerra e os sorrisos escapavam das máscaras pelos olhos. Estávamos vivas e juntas num abraço cósmico. A festa do Jacaré está só no começo. Agora que aprendemos um bocado à espreita, partiremos pra luta! Chegou a hora da retomada! Por mais vacinas para todos! Por comida no prato! Por justiça pelos que tombaram! Como ensinou cacique Xicão sabiamente, avançaremos! 

(*)Paula Santana: socióloga, antropóloga, poeta, editora, escritora, agitadora cultural, professora do Curso de Ciências Sociais, UFRST.