Quem disse que a saudade não se mede?
A minha saudade é assim:

maior que as tranças da minha vó,
bem mais que o tanto de estrelas no céu
mais que a quantidade de água
e o monte de areia do mar.

A minha saudade é mais forte
que as chuvas de inverno
e mais longa que os raios de sol
que afagam a floresta.

Uma saudade tão boa
quanto o cheiro de terra
que se alastra na aldeia
em dias de chuva.

Saudades do velho pai
nas suas idas pro rio
e alimentar nossa infância
ao pescar umas piabinhas.

Saudades da minha mãe
Lilia, Bisa, Noêmia
por acolher a memória
da sonhadora criança em mim.

Eita saudade grande, maior que o mundo!



Graça Graúna, mulher indígena do povo potiguara/RN
(Dia da Criança, out. 2007)

A respeito da foto.
Uma mangueira centenária na Aldeia Catu/RN, em um dia de chuva. Jan/2023. Foto: G.Graúna

Deixe um comentário