Rezos e flores

C. Monet, Buquê de Girassóis

Rezos e flores

…faz alguns dias, troquei algumas palavras com pessoas muito queridas.

Pessoas generosas me cercam!

Falamos da “roda viva” que nos sufoca ao longo dessa pandemia;  da Amizade e do Esperançar que nos sustenta. Para essas pessoas e mais um monte de gente que está atravessando momentos muito difíceis, ofereço rezos e flores; e para quem acolhe este blog, também dedico os primeiros versos (um quase haikai) que escrevi neste ano de 2022. Fiquem com a força de Tupã e dos Encantados!

Plantar girassóis
fazer rezos e canções
pra alegrar os dias

Graça Graúna

Cerrado/DF, Jan. 2022

Fios do tempo em forma de haikai

FIOS DO TEMPO: RESISTÊNCIA INDÍGENA EM FORMA DE HAIKAI

Escritora indígena do Rio Grande do Norte lança obra no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

por Isabel Taukane (povo Kurâ-Bakairi,  Drª em Cultura Contemporânea, pela UFMT)

A produção de escritores indígenas tem levado o pensamento e o modo de vida indígena para púbico interessado pela temática da cultura indígena. Por outro lado, para escritores indígenas a produção de obras literárias é uma ferramenta de luta e resistência.

A palavra é resistência, resistir é fazer a defesa daquilo que importa para os povos indígenas, os valores ancestrais. O mundo capitalista a cada dia impõe a esses povos uma vida que é alheia, e nos últimos tempos cresceram as ofensivas para diminuir direitos já adquiridos pelos povos originários, na Constituição de 1988.

O livro é uma ferramenta, no qual se faz também conhecer a singularidade dos povos indígenas. A obra literária dá voz para aquilo que não se expressa por palavras, como por exemplo: as árvores, os animais, a água e as aves, entre outros seres. O livro é um meio em que se pode trazer o mundo xamânico, aquele falado pelos pajés; um mundo em que os seres da natureza podem ganhar vida e falar diretamente ao coração das pessoas.

A linguagem do coração, talvez seja a que constitui a poética indígena e a obra “Fios do tempo: quase haikais” da escritora indígena Graça Graúna é um alento, uma mensagem de cura para um mundo que passou por uma pandemia. É um chamamento para retirar as poeiras do luto. É uma convocação para enxergar as belezas que existem na Ameríndia.

O livro está no formato cartonero, isto é, feito artesanalmente um a um pela Editora pernambucana Baleia Cartonera. O movimento cartonero surgiu em 2003, na Argentina, durante a crise econômica e o alto índice de desemprego no pais. Nesse contexto, o livro revela-se como um instrumento de resistência; traz o ativismo e a proposta de sustentabilidade ambiental, revolucionando o sistema de produção de obras literárias. Esses princípios também foram fundamentais para a escolha da escritora indígena Graça Graúna em publicar na editora Baleia Cartonera.

Para saber mais:

QUANDO: 10 de dezembro de 2021, às 19h.

ONDE: https://www.youtube.com/c/UFRPEoficial

SOBRE A AUTORA:

Graça Graúna é indígena do povo Potiguara, do Rio Grande do Norte. Nasceu na pequena cidade de São José do Campestre a 70km das cidades de Goianinha e Canguaretama; onde vivem os parentes indígenas potiguara, na Aldeia Catu. Filha da Terra e de Tupã. Mãe, avó, escritora, educadora, professora na Universidade de Pernambuco (UPE), na área de Literata e atua também, no curso Licenciatura em Ciências Sociais e responsável pelo Blog “Tecido de Vozes” (gracagrauna.com), no WordPress.

Fios do tempo: um profundo respiro

Crédito da foto: GGraúna

Fios do tempo (quase haikais), novo livro da escritora Graça Graúna, um profundo e revigorante respiro!

por Cláudio  Henrique (jornalista, MS em Comunicação, pela UFMG)

Graça Graúna é mais que escritora, é costureira – em todos os sentidos e representações. Costura a vida. Vida que se faz teia. Teia de afetos. A autora entrega-se a esse emaranhado – abraça e compõe. Não se esquiva ao sopro do vento, nem lhe escapa o canto do pássaro. O tempo corre em suas veias, escorre na ponta dos dedos, o papel recebe as gotas poéticas. A voz ecoa. Tudo é imagem e som.

A escrita de Graça Graúna tem uma sonoridade peculiar que só as literaturas de autoria indígena possuem. A autora não desperdiça palavras e não economiza sentimentos. Um constante devir-tempo-espaço. Poética visceral, poesia ancestral, descolonizadora. Verbo encarnado!

Fios do tempo (quase haikais), apresenta-se como um mosaico Ameríndio, onde beija-flor, ipês, cajueiros, quaresmeiras, umbuzeiros, buganvílias, hibiscos se entrelaçam aos rios e matas, aos arranha-céus e ao céu, ao sol e ao mangue, aos restos do dia e aos mistérios da noite, aos encantos da lua e ao som da flauta do pajé. Poemas minimalistas embalados pela [aparente] simplicidade e sabedoria, uma obra de arte a ser contemplada pelas mentes aceleradas e inquietas.

Poesia é arte. Arte é respiro. A literatura de Graça Graúna é respiro. Mais que isso. É refúgio, alento, grito, fúria, calmaria, tradução do indizível, lugar de memórias, do vivido, do sonhado, do fabulado. Fios do tempo (quase haikais) são fragmentos que se estendem no tempo da escrita e no espaço das páginas.

Graça Graúna é a verdadeira expressão poética feminina contemporânea e, parafraseando a autora, enquanto houver poesia, existirá comunicação! Fios do tempo (quase haikais), nos dá o direito de sonhar e tecer a vida junto de quem fez as primeiras costuras e nos entregou. Costura no sentido figurado e literal porque a edição é da Baleia Cartonera, voltada para a produção de livros de forma totalmente sustentável. Desde 2020, a editora “lança livros de gente grande com os pés no chão. Gente que, tantas vezes, com os seus afazeres de poesia, boniteza e esperança entoa um ritmo tão poderoso que sustenta os céus sobre nossas cabeças”.

Movimento Cartonero

Surgiu em 2003, na Argentina, e foi fruto da sobrevivência dos escritores e da população desempregada do país. Os livros no formato cartonero são feitos artesanalmente e de papelão. No Brasil, especialmente no Nordeste, esse tipo de confecção de obras chegou e ganha cada vez mais popularidade. Em Pernambuco, esse movimento começou em 2015. O Movimento Cartonero é, sem dúvida, um grande aliado da preservação ambiental e da literatura. Os materiais utilizados podem ser diversos – papelão para a capa, caixa de leite UHT, que tem um melhor acabamento, além de papel para impressão, linha e tintas.

A autora

Graça Graúna: mulher indígena do povo potiguara do Rio Grande do Norte. Nasceu na pequena cidade de São José do Campestre/RN a 70km das cidades de Goianinha e Canguaretama; onde vivem os parentes indígenas potiguara, na Aldeia Catu. Filha da Terra e de Tupã. Mãe, Avó, Escritora, Educadora, Professora da Universidade de Pernambuco (UPE), na área de Literatura e com atuação também, no Curso de Licenciatura em Ciências Socais. Responsável pelo “Blog Tecido de Vozes”, (gracagrauna.com), no WordPress. Não tem Facebook, nem Twitter; mas respeita muito quem sabe lidar com leveza e respeito nas redes sociais. Gosta de escrever e receber cartas e aproveita as horas vagas para costurar, rabiscar/desenhar e fazer aquarelas com café.

Serviço

Lançamento do livro “Fios do tempo (quase haikais)”, de Graça Graúna

Canal: https://www.youtube.com/c/UFRPEoficial

Quando: 10 de dezembro de 2021

Horas: 19h

Contato: teardapalavra@gmail.com

Ficha técnica

Título: Fios do tempo (quase haikais)

Autor: Graça Graúna

Apresentação: Paula Santana

Concepção: Robson Farias e Rodrigo Aquino

Diagramação e montagem: Rodrigo Aquino

Editora: Baleia Cartonera

Ano: 2021