Representantes das comunidades Ye’kuana realizam intercâmbio com povos do Alto Rio Negro

 Imagem: ISA. Os Ye’kuana são recebidos na maloca pelos Tuyka
Três Ye`kuana da região de Auaris, em Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela passaram por Manaus, São Gabriel da Cachoeira e chegaram no Alto Rio Tiquié, na Terra Indígena Alto Rio Negro, noroeste amazônico. Ao longo do trajeto foram trocadas muitas experiências especialmente na área de educação, onde participaram das formaturas de ensino médio das escolas Tuyuka e Tukano Yupuri.
A viagem ao Alto Rio Negro, entre 3 e 22 de novembro, foi uma grande oportunidade para que David Albertino, liderança da comunidade Fuduwaaduinha, Castro Costa, presidente da Associação do Povo Ye`kuana do Brasil (Apyb) e Felipe Albertino, professor da comunidade Waichainha pudessem conhecer experiências inovadoras e transmití-las na volta às suas comunidades. A associação que eles integram passa por uma fase de consolidação e reformulação de projetos políticos e pedagógicos e o intercâmbio trouxe novos conhecimentos especialmente em relação à experiência dos tuyuka e tukano no ensino médio. Foram acompanhados pelo assessor do Programa Rio Negro, do ISA, Vicente Coelho.
Depois de passar por Manaus e São Gabriel da Cachoeira, a equipe entrou na Terra Indígena Alto Rio Negro, subindo o Rio Uaupés e em seguida o Rio Tiquié para participar das formaturas de ensino médio das escolas Tukano e Tuyuka, ambas assessoradas pelo ISA. A participação vem de encontro às atuais reflexões dos Ye’kuana sobre a necessidade de desenvolver o ensino médio Ye`kuana em sua própria terra, já que .ao longo dos últimos anos houve grande fluxo de jovens para Boa Vista/RR para cursar o ensino médio. Na avaliação que as lideranças Ye`kuana fizeram durante a 2a Assembleia da Apyb, este processo vem causando um expressivo esvaziamento das aldeias e prejudicando a transmissão dos conhecimentos tradicionais.
 
Chegando inicialmente à comunidade Tuyuka São Pedro, a equipe pôde conhecer os trabalhos da Escola Utapinopona e acompanhar a formatura de sua segunda turma de ensino médio – a primeira turma que fez todo o ensino médio, do começo ao fim, na mesma escola. 
Escola Tuyuka é referência de educação escolar indígena diferenciada
Com mais de uma década de existência, a Escola Tuyuka é conhecida como uma importante referência da educação escolar indígena diferenciada. Localizada numa região que foi fortemente influenciada pela atuação salesiana – que desestruturou todas as bases da identidade indígena – a Escola Utapinopona vem levando adiante um projeto pedagógico que busca valorizar os conhecimentos tradicionais através de um constante diálogo intercultural.
 
 
Desta forma, antigas tradições que estavam se perdendo vêm sendo retomadas e reforçadas, assim como novos conhecimentos estão sendo produzidos a partir das demandas colocadas pelas comunidades. Neste sentido, um importante marco do projeto da Escola Tuyuka foi a criação do ensino médio, que diminuiu significativamente o fluxo de jovens que saiam das comunidades para dar prosseguimento a seus estudos na cidade de São Gabriel da Cachoeira.
 
Uma semana depois, os Ye’kuana desceram para a comunidade Tukano São José II, onde assistiram à primeira formatura de ensino médio da Escola Yupuri. Assim como na Escola Tuyuka, professores e estudantes da Escola Yupuri vêm desenvolvendo pesquisas que fortalecem a cultura e a autoestima indígena, ao mesmo tempo criando novas bases para se pensar o futuro dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
De acordo com o professor Higino Tenório, articulador e um dos idealizadores da Escola Tuyuka, apesar de todas as conquistas alcançadas no plano dos direitos indígenas, o pensamento predominante na sociedade brasileira continua sendo colonial e, por isso, a produção de conhecimentos se torna uma questão decisiva nos processos de luta dos povos indígenas. 
 
Geração de renda e representatividade política
Durante a passagem por Manaus os Ye`kuana fizeram uma reunião com a diretoria da GaleriAmazônica, loja que comercializa artesanatos em parceria com as associações indígenas. A proposta da loja é a realização de um comercio justo com o mínimo de atravessadores que separam as comunidades dos compradores. Os Ye`kuana se interessaram pela proposta e combinaram reunir-se com as comunidades para discutir o assunto. Se os artesãos e artesãs confirmarem interesse será produzido um catálogo de seus artesanatos para a loja.
Ainda sobre a comercialização de artesanatos, em São Gabriel da Cachoeira os Ye’kuana visitaram a Wariró, loja criada e mantida pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn. Assim como a GaleriaAmazônica, a Wariró também comercializa artesanatos indígenas com o objetivo de gerar renda para as comunidades.
Para os Ye`kuana, que já vêm comercializando seus artesanatos de forma informal, a perspectiva de organizar sua produção e buscar novos mercados é uma oportunidade de não só de garantir preços mais justos, como de fortalecer o papel de sua associação enquanto organização representativa.
Também em São Gabriel da Cachoeira, os Ye`kuana visitaram a sede da Foirn. Maximiliano Correa Menezes, um de seus diretores, apresentou o trabalho da organização, sua estrutura e funcionamento. Sendo uma das principais organizações indígenas do Brasil, a experiência da Foirn apresentada por Maximiliano, foi mais uma motivação para os Ye’kuana prosseguirem na busca por representatividade política. Neste encontro foram também debatidas as trajetórias dos povos do Alto Rio Negro e dos Ye`kuana, que têm em comum o longo histórico de contato e opressão por parte das sociedades envolventes, assim como a constante luta pela preservação de sua autonomia e seus conhecimentos tradicionais.
Por todos esses motivos a vivência dos Ye`kuana junto aos povos Indígenas do Rio Negro e na cidade de Manaus foi extremamente enriquecedora. Ao longo da viagem, Castro, David e Felipe, trocaram experiências, ouviram dificuldades e sugestões que muito contribuirão para os processos de fortalecimento político e restruturação de sua educação escolar. Assim, os Ye`kuana retornam para Roraima levando preciosas referências para continuarem sua luta por autonomia.
 
Fonte: ISA, Vicente Coelho.
 

Saber dos xamãs jaguares do Yuruparí é nomeado patrimônio imaterial

Imagem extraída do Google: flickr.com/ Chamanes jaguares del Yuruparí de Colombia.
O saber tradicional dos xamãs jaguares do Yuruparí, na Amazônia colombiana, entrou neste domingo para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.
O comitê de analistas da Unesco aprovou sua inclusão durante reunião em Bali, na Indonésia, ao considerar que este modo de vida, herança milenar dos ancestrais, é um sistema integral de conhecimento com características físicas e espirituais.
“Esta notícia é um enorme esperança para a comunidade que tem plena certeza de que esta decisão é um instrumento de salvaguarda desta sabedoria”, disse o diretor de Patrimônio da Colômbia, Juan Luis Isaza, em seu discurso de agradecimento.
Os xamãs do Yuruparí transmitem “uma cosmovisão associada a um território sagrado para eles, um conhecimento graças ao qual acham que o mundo pode estar em equilíbrio”, explicou Isaza.
Os jaguares de Yuruparí, que habitam nas cercanias do rio Pirá Paraná, transmitem por via masculina e desde o nascimento o Hee Yaia Keti Oka, uma sabedoria que foi entregue a eles desde suas origens pelos Ayowa (criadores) para cuidar do território e da vida.
O diretor de Patrimônio da Colômbia detalhou que esta cultura está ameaçada pela perda de interesse dos mais jovens e a interação com a “arrasadora cultura ocidental”.
A designação também ajudará, segundo Isaza, a combater os perigos que espreitam este povo que viveu sempre isolado do “contato com colonos, madeireiros, mineiros e políticos que, segundo os xamãs, vulneram o território e o equilíbrio”.
“O reconhecimento da Unesco serve para proteger e resgatar não só seu pensamento, também seu território, porque estão profundamente relacionados”, assegurou Isaza.

Aconteceu na Flimt II

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25 de novembro de 2011
FLIMT – Palestras ressaltam questão indígena sob diferentes aspectos

NAINE TERENA– Assessoria/Flimt

          Com um grande público as palestras realizadas durante a Feira do Livro indígena de Mato Grosso tem levantado temas que há muito tempo envolve a sobrevivência dos povos indígenas no país. Questões como o a relação com a FUNAI, empreendimentos em terras indígenas, o ensino da Cultura nas escolas, hidrelétricas, entre outros tem suscitado longos debates durante o evento.
          Foi assim no primeiro dia, onde Daniel Munduruku e Graça Graúna falaram da literatura indígena e Marcos Terena e Estevão Taukane sobre os empreendimentos em terras indígenas. Na manhã desta sexta-feira, 25 de novembro, Ana Maria Ribeiro e Rosi Waikon destacaram a Lei 11.645/08, que obriga as instituições de ensino a trabalharem a arte e cultura indígena nas escolas publicas e privadas do país.
          Para a Professora Ana Maria Ribeiro, a questão a ser tratada não é a Lei em si, mas a aceitação do indígena na sociedade brasileira. Ana Maria é professora Universitária e questiona a reprodução do discurso acerca dos povos indígenas no cotidiano. Já Rosi Waikhon, é indígena do Povo Piratapuia do Amazonas e cursa mestrado na UFAM. Rosi relata um pouco sobre o desconhecimento da realidade indígena dentro da Universidade e daí a importância da Lei na formação dos educadores e estudantes. “Percebo que a Universidade não está preparada para lidar com o estudante indígena. Aspectos do nosso cotidiano, da nossa história, acabam sempre entrando em conflito com este outro mundo”, explica ela.
          No período da tarde Darlene Taukane, do povo Bakairi de Mato Grosso, fala sobre a FUNAI e os povos indígenas. Para Darlene existiu uma generalização dos povos indígenas, o que transformou todos em ‘índios’. Darlene explica que existem diferentes contextos de contato e isso deve ser observado e levado em conta, quando se trata da Tutela. “Eu quero chegar um dia, em que meu povo não precise do Governo para sobreviver”, finaliza ela.
          O dia encerra com o bate-papo realizado pela escritora Maria Inez do Espírito Santo, que veio do Rio de Janeiro para falar da mitologia indígena. Maria Inez fará o bate papo baseado em sua obra Vasos Sagrados, utilizando a mitologia indígena para trabalhar a formação de valores e mostrar a sociedade brasileira, que não precisamos buscar fora do país valores culturais para trabalhar nossa auto estima.