OEA solicita suspensão do complexo hidrelétrico de Belo Monte

Imagem disponível no Google: Audiência de Belo Monte

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. Abaixo, os pontos mais importantes da nota divulgada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e do documento da OEA:
De acordo com a CIDH, o governo deve cumprir a obrigação de realizar processos de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada”, com cada uma das comunidades indígenas afetadas antes da construção da usina. O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da determinação.
O documento da OEA afirma que o Brasil deve garantir que as comunidades indígenas beneficiárias tenham acesso a um estudo de impacto social e ambiental do projeto em um formato acessível tanto à sua extensão como no que diz respeito à tradução aos respectivos idiomas indígenas.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA).
De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto que, caso seja levado adiante, vai causar impactos socioambientais irreversíveis, forçar o deslocamento de milhares de pessoas e am eaçar uma das regiões de maior valor para a conservação da biodiversidade na Amazônia.
A CIDH também determina ao Brasil que adote medidas vigorosas e abrangentes para proteger a vida e integridade pessoal dos povos indígenas isolados na bacia do Xingu, além de medidas para prevenir a disseminação de doenças e epidemias entre as comunidades tradicionais afetadas pela obra.
O Ministério Público Federal no Pará impetrou 10 ações judiciais contra o projeto, que ainda não foram julgadas definitivamente.
A decisão da CIDH determinando a paralisação imediata do processo de licenciamento e construção de Belo Monte está respaldada na Convenção Americana de Direitos Humanos, na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, na Convenção sobre Biodiversidade (CBD) e na própria Constituição Federal brasileira (Artigo 231).

Saúde indígena: qualificação de gestores


Começou neste domingo (03), e segue até o próximo sábado (09), em Brasília, um treinamento para capacitação dos gestores dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) que integram o subsistema de atenção à saúde indígena. O evento é promovido pela recém criada Secretaria Especial de Saúde Indígena, e reúne aproximadamente 100 profissionais.
Durante a cerimônia de abertura, o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, traçou um perfil de como está hoje à assistência e atenção primária aos índios, e como o Ministério da Saúde deseja que ela seja daqui para frente. Na apresentação, ele definiu os projetos da secretaria em quatros grandes eixos: Atenção à Saúde, Desenvolvimento de Recursos Humanos, Gestão e Controle Social. “Estamos iniciando no país uma nova fase na saúde indígena e caminhando para a autonomia dos DSEIs. Nós precisamos buscar solidariedade entre nós para podermos crescer juntos”, afirmou.
Segundo Antônio Alves, um dos objetivos no eixo da Atenção à Saúde é implantar no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena o modelo de atenção à saúde baseado na linha do cuidado integral, articulado com as práticas de saúde e medicina tradicionais, com enfoque na intersetorialidade, integralidade da atenção e participação da comunidade.   “Eu aceitei o desafio de estar à frente dessa gestão porque acredito que posso ajudar, mas, vamos precisar de muita união e energia, união entre os indígenas, união entre o SUS e o subsistema”, afirmou.
O secretário destacou ainda projetos para desenvolvimento na área de recursos humanos, como a desprecarização das relações de trabalho, formulação de uma política de recursos humanos específica para a área e ainda a instituição de residência multiprofissional em saúde indígena. Além disso,  Antônio afirmou que é preciso “fortalecer os sistemas de informação e os processos de monitoramento e avaliação, vigilância em saúde, infraestrutura das unidades e a comunicação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena”, disse.
Ainda durante o encontro na capital federal, Antônio Alves destacou o fortalecimento do controle social, com a reestruturação dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (CONDISI) e dos Conselhos locais. “O nosso desejo nessa gestão é estabelecer um canal de diálogo permanente com os trabalhadores da saúde indígena e com as comunidades indígenas, bem como implantar ouvidorias nos DSEIs”.
Além do secretário especial de Saúde Indígena, participaram da cerimônia de abertura do evento a diretora do Departamento de Atenção à Saúde Indígena, Irânia Marques, o diretor do Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Fernando Rocha, a coordenadora-geral de Atenção Primária à Saúde Indígena, Deurides Cruz, a coordenadora de Controle Social, Bianca Moura e o assessor especial Edemilson Canale.

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=36903