Sobre Brasil, brasis e uma carta-convite da ABL

 Um agradecimento
Em 15 de junho de 2009, estive na Academia Brasileira de Letras (ABL) dentro da programação do VI Encontro de Escritores Indígenas, que acontece anualmente no Rio de Janeiro. Na ocasião, compartilhei o I Colóquio Tradição Oral e Literatura Brasileira com o saudoso Moacyr Scliar e outros acadêmicos a exemplo de Cícero Sandroni,  Alberto Costa e Silva e os parentes indígenas Daniel Munduru e Darlene Taukane. Em 2012, retorno à casa de Machado de Assis para conversar acerca do tema: O índio no Brasil contemporâneo. À Presidente da ABL – Ana Maria Machadao e ao Dr. Proença Filho expresso – desde já – meus agradecimentos por incluir o meu nome em um evento tão relevante para a nossa cultura indígena.
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
 
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Ilustríssima Senhora
Graça Graúna,           
           
Em nome da Dra. Ana Maria Machado, Presidente da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS e do Dr. Domicio Proença Filho, coordenador geral dos ciclos, temos a honra de convidá-la para participar como palestrante  sobre o tema O INDIO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO, no âmbito do Seminário Brasil, brasis, a realizar-se no dia 26 de abril de 2012, quinta-feira, às 17h30.
Agradecemos a confirmação de sua participação, o envio de outros meios de contato e ficamos ao dispor para outras informações ou providencias.
Cordialmente,
           Marta Klagsbrunn
 
Assessora Cultural da ABL
         Academia Brasileira de Letras

O cacique do século XXI

 
Almir Surui. Imagem extraída do Google
O cacique do século XXI
Fontes: Larissa Veloso e Marcelo Manzatti
Esqueça o arco e flecha e a imagem de bom selvagem. Conheça Almir Suruí, chefe de tribo em Rondônia que vende créditos de carbono e mapeia o desmatamento da floresta com smartphones
 “Quando entrei na universidade, não falava português direito. Era a primeira vez que saía da aldeia. Mas o curso me mostrou que, se eu quisesse sobreviver, teria que aprender como o mundo do não índio funciona. Precisava aprender seus códigos.” A estratégia do chefe Almir Suruí, 37 anos, surtiu efeito. Líder dos paiter-suruís desde os 17 anos, na semana passada ele conseguiu um feito inédito entre os indígenas: a certificação para vender créditos de carbono no mercado internacional.
Que a floresta vale mais em pé do que devastada, muito índio sabe. Mas até o momento, nenhuma tribo tinha pensado em transformar esse valor em dinheiro. Graças às negociações do chefe Almir, os paiter-suruís devem receber de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões por ano até 2038 pela preservação da floresta. Até este ano, já foram replantadas 140 mil árvores nativas da reserva Sete de Setembro, em Rondônia. E a inovação não para por aí.
Em 2007, o chefe Almir ganhou fama ao fechar uma parceria com o Google, uma das maiores empresas da área digital. Depois de o cacique visitar a sede da empresa na Califórnia (EUA), foi a vez de representantes americanos visitarem a tribo. A partir daí, o contato dos indígenas com a internet cresceu. Lendas e tradições são agora registradas em vídeo e postadas no YouTube. Na maloca digital, os índios podem incorporar informações sobre desmatamentos ao Google Earth. Em 2011, essa e outras iniciativas conferiram ao líder o título de uma das 100 pessoas mais criativas do mundo dos negócios, selecionadas pela revista americana “Fast Company”.
ATIVISMO
No ano passado, Almir Suruí (foto) levou o protesto contra a usina de Belo Monte a Londres
O chefe Almir é uma das novas caras da sustentabilidade brasileira. Distante da imagem de “índio vítima do homem branco”, ele sabe que precisa somar forças, se quiser mudar a vida de seu povo. E não são poucas (nem pequenas) as associações e empresas ligadas aos paiter-suruís (leia quadro). “Quando assumi, era novo, inexperiente e precisava de parcerias para desenvolver programas que garantissem ao meu povo mais qualidade de vida e valorização da cultura. Eu precisava, principalmente, ter um diagnóstico da real situação para poder tomar as decisões certas”, relembra Almir. O mapeamento da reserva e o biomonitoramento da fauna da região começavam a tomar corpo.
Como sempre, quando se trata de defesa ambiental no coração da Amazônia, o chefe Almir também encontrou inimigos no caminho. Ele recebeu várias ameaças de morte, até que, em 2007, teve de deixar o Estado por sete meses. “Atualmente, as coisas estão mais tranquilas”, esclarece. Apesar disso, ele acredita que a situação está longe do ideal. Um dos questionamentos do líder é sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte. “O processo de consulta aos indígenas da região foi uma farsa. Eles não entendiam os dados técnicos e não puderam analisar a questão com clareza”, defende.
Ele aponta que ainda há muito que avançar na relação de forças entre índios e não índios. “Sempre me pergunto: por que a Justiça não exige que os fazendeiros e madeireiros indenizem os indígenas pela perda das florestas derrubadas, pelos danos aos rios e mortes de animais? Que Justiça é essa que só fez um lado?”, questiona.

Releitura da obra “Criaturas de Nanderu” é vencedora no Concurso Curumin – FNLIJ 2012.

Minha participação no Dia Nacional de leitura – BSP/2011
Em 2004, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) iniciou a parceria com o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI) e o  Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas – (NEArIn), no sentido de promover o CONCURSO FNLIJ CURUMIM – LEITURA DE OBRAS DE ESCRITORES INDÍGENAS. A realização do referido Concurso é uma maneira de fortalecer a década dos povos indígenas (2005 – 2015) proclamada pela UNESCO.
Os(as) alunos(as) e eu
Em 2012, o premiado da 9ª edição do Concurso Curumim foi o texto “Cultura Indígena: Um Encontro com a ancestralidade na releitura da obra Criaturas de Nanderu”. O referido texto é parte do projeto elaborado por Karina Calado, Jaciara Silva de Souza e Jaíra Pinteiro de Miranda Brandão – professoras do ensino médio na Escola Estadual João Fernandes da Silva, em São João – uma cidade do agreste pernambucano.
 
 Releitura das ilustrações da obra
 
 Produção textual dos(as) alunos(as) acerca da obra
A notícia da premiação foi comunicada à Karina Calado por Elizabeth D’Angelo Serra (secretária geral da FNLIJ), via e-mail.  A cerimônia de premiação acontecerá  no dia 18 de Abril, às 17 horas, durante o evento: 14º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, que se realizará no Centro de Convenções SulAmérica, na cidade do Rio de Janeiro.
Releitura das ilustrações de J. carlos Lolo em cerâmica
 
Profa. Karina Calado
Alunos(as) da Escola Est. João F. da Silva
Aproveito a oportunidade para expressar a minha grande satisfação em ver o meu livro Criaturas de Ñanderu (Ed. Manole, selo Amarilys)  merecer a  atenção dos(as) alunas e educadores(as) da Escola Estadual João Fernandes da Silva; onde tive oportunidade de participar da culminância do projeto, em 7 de março de 2012. Em tempo apresento parte do registro fotográfico do Jornalista Leonardo Bastos, acerca da releitura que os(as) alunos fizeram das ilustrações de José Carlos Lolo relacionadas ao  meu livro. Para saber mais do projeto, vale acessar:
http://intercriaturasdenhanderu.wordpress.com/sobre/
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)