Artesãs indígenas no Festival de Bonequeiras do RN

Mestra Benedita. Foto compartilhada por Ana Paula Natsinga

A Mestra Benedita das bonecas e a bonequeira Wilflane (ou Flane), indígenas do povo Tapuia Tarairiú/RN, são participantes do I Festival de Bonequeiras do RN. Elas vivem na Comunidade Indígena da Lagoa do Tapará, localizada entre os municipios de Macaíba e São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Pelo YouTube, elas contaram da arte de fazer bonecas de pano e como essa arte sobrevive de geração em geração. A Mestra Benedita e a bonequeira Flane não medem esforços para falar dos detalhes acerca do trabalho que produzem com tecido, linha, lã e bordados.

A criação das bonecas traz história e memória; as bonecas e os bonecos ganham características à luz da observação das bonequeiras sobre o cotidiano. É a Arte Tapará, como sugerem as artesãs em alusão ao nome da Comunidade. Na aldeia, por meio das redes sociais, são constantes os pedidos de pessoas (de diferentes regiões do país) a encomendarem miniaturas de casais de bonecos vestidos de noivos; bonecas-sereias inspiradas na lenda de uma moça loira de cabelas longos e que aparece na lagoa do Tapará.

Entre outras criações, a pedido da Fundação José Augusto (Natal/RN), Benedita criou a boneca indígena chamada Potira; em homenagem as mulheres indígenas Tapuia Tarairiu, da Comunidade Tapará. Recentemente, a boneqira Benedita recebeu o título de Mestre Artesã do município de Macaíba e apesar dos tempos difíceis, Benedita bonequeira participará da FIART (Feira Intrnacional de Artezanato), em Natal/RN.

E é nesse ritmo, por meio da arte, que o povo Tapuia Tarairiú/RN mostra uma das faces da sua resistência; quer seja pela retomada da lingua Brobó, quer seja pelo reflorestamento do terrtório ou pelo cuidado constante com a fauna e flora da região, como quer Tupã e a força dos Encantados.

Saudações indígenas,

Graça Graúna (indígena potigara/RN)

Há um mundo melhor se aprendermos a dialogar com as plantas

Fonte e Foto: Servindi. Tradução livre: Graça Graúna

Servindi, 15 de janeiro de 2021.- “Há um mundo melhor se você vê com o coração, há um mundo melhor se aprendemos a falar com as plantas” é a mensagem que meninos e meninas cantam na última produção da Rádio Ucamara.

O videoclipe contou com o apoio do concurso INNOVATE PERÚ, promovido pelo Ministério da Produção, que apoiou ações de comunicação durante a emergência sanitária.

A produção se intitula “MÃES” em referência às plantas e seu poder que se revelam diante de nós para não nos deixar órfãos em tempos em que a morte e a doença nos surpreendem. 

Fonte: Servindi

“Elas nos protegeram, elas responderam a nós. Elas entraram em nossas casas, de mãos dadas com a sabedoria de nossas avós, de nossos idosos, para nos limpar por dentro, para nos curar, para nos tratar e nos proteger”, explica Rádio Ucamara.

“No seio mais íntimo de nossas famílias, de nossas comunidades preparamos nosso chá de sacha, alho, grapefruit, nosso cordoncillo. Com elas, o mal nos encontrou com um sistema imunológico forte, capaz de enfrentá-lo, em meio à indiferença de um sistema de saúde ausente e atrasado “. 

“As plantas medicinais têm sido a resposta que os povos indígenas têm dado às nossas próprias comunidades e ao mundo, a sua resposta correcta e amorosa ao mesmo tempo denuncia a urgência de um verdadeiro modelo intercultural de saúde que valorize e respeite a sabedoria do nosso povo, nossa memória, nossa história “.

“Nós, povos, sentimos isso. As mães das plantas nos revelam, seus espíritos abrigam e cuidam de nós, sua força permanece quando mais precisamos delas. 

“Elas vêm até nós em sonhos, nos guiam, nos avisam” e esse conhecimento continua passando de geração em geração. “Os sonhos ainda são o espaço sagrado de encontro.”

“E também nos pedem respeito, reciprocidade, justiça. Curar, curar, não é do corpo, é da alma, é da sociedade, é do território. Explorar-se mutuamente, saquear nossa terra, é morte”.

“As plantas medicinais têm sido o sinal de vida, resistência e esperança de nossos povos, que, em meio a tantas pandemias, resistimos a não desaparecer”, finaliza a Rádio Ucamara.

Sobre a Radio Ucamara

A Rádio Ucamara é uma rádio comunitária, localizada em Nauta ao sul de Iquitos (Loreto), que nasceu com o objetivo de resgatar a língua, a cultura e a identidade do povo Kukama.

Nasceu com o impulso e direção do comunicador indígena Leonardo Tello Imaina e se destaca por ações poderosas do rádio e da comunidade, com a participação de meninos, meninas, adolescentes e idosos.

Alcançaram a fama com o vídeo Kumbarikira que se tornou viral nas redes e, desde então, criaram produtos audiovisuais musicais de alto impacto em que convergem sonhos, histórias, conhecimentos e a linguagem que ameaçavam desaparecer.