Terra à vi$ta

Tempo de um cocar, de Gilberto Salvador – 1988.

Perdidos no perdido
os filhos da terra

sem barco
sem arco
sem lança
sem onça
sem terra.

Jogados no mundo
os filhos da terra.

Só o silêncio dos deuses
pelos (des)caminhos.

GRÇA GRAÚNA (indígena potiguara/RN), abril indígena, 2009
Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p.50 [prefácio de Leila Miccolis].

Nota: poema publicado no Overmundo com 197 votos.

Sintepe homenageia Solano Trindade

Poetas: França e Solano Trindade / Imagem: Anízio Silva.


A Interpoética convida: dia 23 de abril de 2009, no Teatro de Santa Isabel, com início às 19h, o SINTEPE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco – homenageia a cultura pernambucana através do lançamento da Coletânea Poética do 1° Concurso de Poesia em homenagem a Solano Trindade. A coletânea reúne a poesia dos vencedores do concurso que foi realizado em 2008, com 333 poetas inscritos de todo o Brasil. Foram selecionados três autores na categoria público geral, e 20 na categoria trabalhadores da área de educação. No público geral, o primeiro e segundo lugares são nomes já conhecidos no Recife: o poeta Malungo e Biaggio Pecorelli. No terceiro lugar ficou o mineiro de Uberlândia Muryel de Zoppa. Na categoria dos trabalhadores em educação os três primeiros lugares ficaram com as poetas Rozana Nascimento, Regina Carvalho e Tânia Sampaio.
Contatos: SINTEPE (91) 2127 8876
Nota: texto publicado no Overmundo com 119 votos.

Agora é o nosso momento de contar a história

A jornalista Kelly de Souza escreveu para a Revista da Cultura (edição 21, abril de 2009) uma reportagem acerca da Literatura escrita por homens e mulheres indígenas, na atualidade. O título da matéria “Tupi or not Tupi” faz uma referência ao escritor Mário de Andrade, um dos grandes pensadores no cenário da cultura brasileira. Para falar da literatura indígena, a jornalista Kelly fez uma entrevista com Daniel Munduruku, Eliane Potiguara e comigo. Nas palavras de Kelly:

“Diz a sabedoria popular que a história sempre tem duas ou mais versões. O Descobrimento do Brasil, em abril de 1500, não fugiu à regra. Cedo, aprendemos com Pero Vaz de Caminha, escrivão da expedição de Cabral, como se comportavam os índios da recém-descoberta terra. A carta de Caminha, considerada a primeira obra literária do país, descreve com deslumbramento ao rei Dom Manuel, essa “gente de tal inocência”. Empolgado com a “bela simplicidade” deles, Caminha faz sua aposta: “Se entendêssemos a sua fala e eles a nossa, (…) não duvido que imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar”. Graças a este documento, conhecemos as impressões (e intenções) dos primeiros contatos entre portugueses e indígenas. A escrita, ferramenta fundamental nesse processo, não era dominada pelos índios, cuja oralidade funcionava como instrumento de transmissão das histórias vividas, dos mitos e das lendas criadas. Essa “memória ancestral”, passada de geração para geração, ficou bem escondida entre as matas e etnias dessa terra chã. A história do Descobrimento brasileiro ficou apenas com uma versão: a do homem branco”.
(…)

Para saber mais dessa manifestação literária, convido todos(as) para ler a grande contribuição de Kelly a respeito da identidade do Brasil pré-colonial na obra de escritores(as) indígenas. No dia 16 de junho, escritores(as) indígenas serão recebidos pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Será um encontro inédito, em seu salão nobre. “A ideia é abrir um diálogo com os imortais para aproximar as duas literaturas e mostrar que o que se produz na floresta – a oralidade – é também a literatura utilizando o mecanismo da palavra”, explica Munduruku – autor do primeiro romance indígena escrito no Brasil. A sexta edição do Encontro de Escritores Indígenas, será realizada entre 10 a 21 de junho, no Rio de Janeiro, durante o Salão do Livro, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 5.abr.2009
Nota: artigo publicado no Overmundo com 303 votos.