Gestão de terra indígena terá programa nacional

Presidente Dilma Rousseff deve lançar nesta semana o Programa Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas
BRASÍLIA – Alvo de movimentos indigenistas que criticam o impacto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a presidente Dilma Rousseff deve lançar nesta semana o Programa Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas (PNGAT).
O texto regulamenta as ações nessas áreas. A ideia é criar, com participação dos índios, um conselho para definir políticas públicas. A expectativa de lançamento do programa coincide com a realização do Acampamento Terra Livre, que começa nesta terça-feira, 3, em frente ao Congresso. Cerca de 500 lideranças indígenas prometem permanecer até quinta-feira, 5, para exigir garantias do governo de que poderão ficar em suas terras. Representantes dos mais de 230 Povos Indígenas pretendem transformar a Esplanada em uma “grande aldeia”.
Iniciado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, o programa perambulou por vários setores e agora vai ao Ministério do Meio Ambiente. O Planalto pretende, após sua definição, aprová-lo rapidamente no Congresso.
Fonte: Instituto Sócio-ambiental e Estadão.

Indígenas querem participar da Rio+20


por Isabela Vieira (Repórter da Agência Brasil), em 29.abr.2011
Rio de Janeiro- O movimento indígena quer participar da organização da Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre o Desenvolvimento Sustentável, chamada de Rio+20, que ocorrerá em 2012, no Rio de Janeiro. Hoje (29), o líder indígena Marcos Terena cobrou do governo federal a criação do grupo de trabalho responsável por definir a posição brasileira no encontro. Para ele, essa é uma discussão que não pode ficar restrita aos meios diplomáticos.
“O governo precisa criar um grupo de trabalho para construção do evento, não ficar só o Itamaraty. O Itamaraty é um aliado importante, mas queremos dialogar com o Ministério de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento Agrário, que têm posições contraditórias em relação aos créditos de carbono, por exemplo” declarou Terena, durante encontro sobre a Rio+20, que ocorreu hoje (29), no Rio.
Para organizar as demandas dos índios, Terena disse haverá uma reunião, em agosto, na cidade de Manaus. O objetivo é preparar um documento relacionando as questões consideradas fundamentais para serem tratadas na Rio+20, como o avanço das monoculturas e as grandes obras que impactam as terras indígenas.
“Nossa preocupação é mostrar para as Nações Unidas e para o Brasil que queremos voz dentro da construção do evento. Queremos trabalhar de igual para igual e poder apontar o que seria qualidade de vida para as próximas gerações”, afirmou Terena.
Terena adiantou que cerca de 750 índios de diversas partes do mundo vão montar um grande aldeia no Aterro do Flamengo, na zona sul da cidade, que se chamará Kari-oca, apelido dado pelos índios aos portugueses que chegaram ao Brasil no século 16 e que significa “cara de peixe feio” na língua tupi-guarani. O termo indígena acabou designando as pessoas que nascem na cidade do Rio de Janeiro.
Durante reunião preparatória da Rio+20, hoje, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira disse que um dos desafios da conferência será promover o engajamento dos cidadãos. Ela disse que o governo pretende incentivar o uso das redes sociais e da internet para mobilizar a sociedade em torno dos temas que serão debatidos na conferência.
Além da ministra, participaram do encontro de hoje o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner, os senadores Fernando Color de Mello (PTB-AL) e Cristovam Buarque (PDT-DF), o secretário estadual do Ambiente do Rio, Carlos Minc, e representantes de organizações não governamentais.

Desnutrição mata seis crianças indígenas

Imagem extraída da Adital
Texto: Camila Queiroz (Jornalista da ADITAL)
Um grave estado de desnutrição causou a morte de seis crianças da comunidade indígena de warao, em Cambalache, no Estado venezuelano de Bolívar. As mortes ocorreram nos últimos dez dias e outras 16 crianças foram diagnosticadas com o mesmo quadro.
A comunidade está revoltada com o descaso. As duas primeiras crianças falecidas foram enterradas debaixo de uma árvore, já que a prefeitura de Caroní não respondeu aos pedidos de ajuda para comprar os caixões.
O diretor do Distrito Sanitário número 2 de Bolívar, Manuel Maurera, afirma que uma gripe causou as mortes. Entretanto, a comunidade denuncia que as crianças morreram de desnutrição, pois as 86 famílias warao, esquecidas pelo Poder Público, vivem da coleta de lixo no aterro sanitário de Cambalache, sem acesso à água potável e alimentação adequada.
De acordo com a médica Lucia Delgado, do ambulatório tipo I, em Cambalache, a principal causa do problema seria, de fato, o contato com o lixo. “Toda a população de Cambalache está em risco pelo fato de viver no lixo. A base alimentar quase inexistente também influiu na morte das crianças, além de que não se tem medidas de higiene e vivem em isolamento”, disse.
“Eu vivo há 11 anos aqui e junto às crianças trabalhamos recolhendo lixo, porque não há mais nada que fazer. Vivemos no meio da cidade e não nos ajudam, mais ainda nos enganam, quando querem votos”, desabafou o cacique, Antonio Valenzuela.
Os indígenas não têm acesso à saúde e, no momento, 20 adultos estão acometidos de malária. O sacerdote Guillermo Van Zeland relata que não há medicina preventiva para a comunidade e nem transporte até o posto. “Faz tempo que deixaram de fazer operativos de saúde semanais, quando os indígenas vão ao ambulatório, lhes enchem as mãos de receitas médicas e muitos não sabem ler nem escrever”, afirmou.
Mesmo que soubessem ler as receitas, os warao não dispõem de renda suficiente para comprar os remédios. “Necessitamos trabalho, quando as crianças se adoentam, os médicos mandam comprar remédios que não podemos, porque não há dinheiro, por isso os filhos morrem”, ressaltou Valenzuela.
Embora as autoridades médicas afirmem que estiveram na comunidade durante a semana passada aplicando vacinas, tanto o sacerdote Guillermo quanto os indígenas negam veementemente que tenham recebido apoio.
O líder dos waraos em Cambalache, Pedro La Rosa, disse que a informação era “mentira” e a comunidade não tem assistência médica há bastante tempo. Para ele, os warao são tratados como “animais”.
Além de tudo, a comunidade denuncia que, depois da morte das crianças, vem sofrendo ameaças de funcionários do estado para que não denunciem os fatos aos meios de comunicação.
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Fonte: com informações de El Universal, Rede Digital e Amnistia
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