Outro mundo possível: Fórum Social Mundial 2011 em Dacar

Karol Assunção (Jornalista da Adital)
Depois de quatro anos, o Fórum Social Mundial (FSM) volta ao continente africano. Desta vez, a capital senegalesa, Dacar, terá a oportunidade de sediar o evento que reunirá organizações e movimentos sociais de 123 países. A abertura oficial acontecerá no próximo domingo (6) com uma marcha que sairá da Radio Television Senegalaise (RTS) rumo a Universidade Cheikh Anta Diop, local onde ocorrerão as ações do Fórum.
Quase mil atividades autogestionadas estão programadas para acontecer até o dia 11. Duas delas convocadas pela Agência Latino-Americana de Informação (Alai) para o dia 8 de fevereiro: “A política como desafio: movimentos para os novos paradigmas de mudança”, que ocorrerá de 16h as 19h; e “A informação alternativa a serviço das mobilizações políticas e sociais”, a qual será divida em três mesas de debate, de 9h as 19h.
Como todos os anos, além das atividades autogestionadas; assembleias e celebrações também farão parte dos seis dias de programação do FSM. Destaque para o segundo dia de Fórum, dedicado ao continente anfitrião, com o Dia da África e da Diáspora. A ideia é que as resistências e as lutas dos povos do continente africano sirvam de exemplo para as demais populações do mundo.
De acordo com a organização do evento, três questões nortearão as discussões do FSM 2011: a situação mundial e a crise; a situação dos movimentos sociais pela cidadania; e o processo dos fóruns sociais mundiais. A primeira diz respeito a quatro dimensões da crise do capitalismo: a social, a geopolítica, a ecológica e a ideológica. Na ocasião, também haverá espaço para aprofundar o debate sobre a crise de civilização, apresentada durante o FSM 2009, em Belém, no Pará.
Já nos debates sobre a situação dos movimentos sociais, o foco será as lutas pela cidadania e pelo acesso aos direitos. Dentro dessa perspectiva, dois pontos serão enfatizados: os direitos ambientais na preservação do planeta; e os direitos de migrantes que ultrapassam as fronteiras, com destaque também para as diásporas.
A terceira questão, que trata sobre os fóruns sociais mundiais, apontará a importância do Fórum como lugar estratégico de encontro de movimentos e organizações de todo o mundo. Além disso, ressaltará o valor e a força dos fóruns sociais descentralizados na construção dos FSMs e de grandes mobilizações.
Atividades estendidas
A distância não impedirá aqueles que não puderem ir a Dacar de participar do Fórum. A partir de amanhã (4) até o dia 13, pessoas e organizações de várias partes do mundo podem preparar uma ação à distância e participar das atividades de “Dacar Estendida” do FSM 2011 mesmo sem estar presente fisicamente na capital senegalesa.
Os interessados devem enviar um correio eletrônico para facilit.espaco.fsm.extendido@gmail.com informando: local, data, horário, organização proponente, pessoa de contato, tema e formato da atividade.
Para mais informações, acesse: http://fsm2011.org/br

Nota: ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: ADITAL – Caixa Postal 131 – CEP 60.001-970 – Fortaleza – Ceará – Brasil 

Carta do Povo Kaiowá e Guarani à Presidenta Dilma Rousseff

Imagem: midiaindependente.org
Autoria: várias organizações
Fonte: Adital
Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra, da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Presidenta Dilma, roubaram nossa mãe. A maltrataram, sangraram suas veias, rasgaram sua pele, quebraram seus ossos… rios, peixes, arvores, animais e aves… Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Para nós isso é destruição, é matança, é crueldade. Sem nossa mãe terra sagrada, nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossos terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.
No final do ano passado nossa organização Aty Guasu recebeu um premio. Um premio de reconhecimento de nossa luta. Agora, estamos repassando esse premio para as comunidades do nosso povo. Esperamos que não seja um premio de consolação, com o sabor amargo de uma cesta básica, sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. O Premio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta, especialmente na reconquista de nossas terras. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades, para os acampamentos, para os confinamentos, para os refúgios, para as retomadas… Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos.
Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvido há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex-presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo.
Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso, lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito.
Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani
Dourados, 31 janeiro de 2011.

Os indígenas e a hidrelétrica de Belo Monte

Antropólogos, lideranças indígenas e autoridades discutem instalação da hidrelétrica de Belo Monte
          A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Fundação Darcy Ribeiro, realizam no próximo dia 7 o seminário “A Hidrelétrica de Belo Monte e a Questão Indígena”
          O evento, que será realizado no auditório da reitoria da UnB, em Brasília, reunirá especialistas, lideranças indígenas, movimentos sociais e autoridades para discutir os impactos e o processo de licenciamento de Belo Monte.
          Planejada para ser instalada em uma das áreas de maior diversidade cultural e biológica do país, a hidrelétrica de Belo Monte, além de inundar uma área de mais de 600 km2, promoverá até 80% de redução da vazão de um trecho de mais de 100 km do rio, denominado Volta Grande do Rio Xingu, atrairá uma população estimada em 100 mil pessoas e causará o deslocamento compulsório de cerca de 40 mil. Nesta área, residem os Arara, os Juruna, os Xikrin e milhares de famílias ribeirinhas, indígenas e não-indígenas.
          Ainda no Médio Xingu e seus tributários, residem os Parakanã, os Asurini, os Kararaô, os Araweté, os Arara, os Xipaia e Kuruaia e centenas de famílias que habitam as Unidades de Conservação que conformam o corredor ecológico do Xingu (Resexs, APA, FLONA, ESEC, PARNA). Mais próximos das cabeceiras do rio, estão os Kayapó do Sul do Pará, os Metuktire, os diversos Povos do Parque Indígena do Xingu e grupos indígenas voluntariamente isolados, que transitam na fronteira dos Estados do Pará e Mato Grosso.
          O seminário discutirá a magnitude dos impactos da hidroelétrica e seu questionável processo de licenciamento, que repercutem diretamente sobre os direitos e o modo de vida tanto de povos indígenas que imemorialmente vivem nesta região, quanto de povos tradicionais – camponeses, pescadores e extrativistas – e de outros grupos locais que dependem simbólica, social e economicamente da floresta, do rio e de seus igarapés.
          Estarão reunidos, entre outros, representantes dos povos indígenas (Cacique Raoni Metuktire, Megaron Txukarramãe, Yabuti Txukarramãe e Josinei Arara), dos movimentos sociais (Antônia Melo da Silva) e do Ministério Público Federal (a subprocuradora geral da República, Deborah Duprat), além dos antropólogos João Pacheco de Oliveira Filho (Museu Nacional), Gustavo Lins Ribeiro (UnB), Bela Feldman-Bianco (Unicamp), Sonia Magalhães (UFPA) e Andréa Zhouri (UFMG). Também foram convidados a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e os presidentes da Funai e do Ibama.

Mais informações no site da ABA: http://www.abant.org.br/
Fonte: Jornal da Ciência” jcemail@jornaldaciencia.org.br
Imagem disponível em: http://www.uni-vos.com/index.html