Dos direitos indígenas no Santuário dos Pajés

Foto: Marcello Casal Jr./Abr (extraída do Google)
 
Fonte: nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) sobre o Santuário dos Pajés:
A proteção dos direitos indígenas no Santuário dos Pajés, em Brasília-DF: Laudo entregue a FUNAI por antropólogos indicados pela ABA esclarece a questão
          Diante dos acontecimentos repercutidos na sociedade brasiliense e na imprensa nacional sobre a invasão da terra indígena Bananal ou Santuário dos Pajés, localizada no Plano Piloto da Capital Federal, o que tem acarretado na destruição do cerrado e em violência física contra indígenas e seus simpatizantes, a Comissão de Assuntos Indígenas (CAI) da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público alertar para a urgência da identificação, delimitação, demarcação e proteção da área, e prestar os seguintes esclarecimentos:
  1. Por solicitação da     FUNAI, a ABA indicou dois experientes antropólogos para a elaboração do laudo antropológico sobre a área, cujos nomes foram previamente referendados por lideranças da comunidade indígena do Santuário dos Pajés, onde vivem famílias Fulni-ô, Kariri Xocó e Tuxá, oriundas do Nordeste do país. São eles: Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira (coordenador) e Prof. Dr. Levi Marques Pereira (colaborador), ambos docentes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), sediada em Mato Grosso do Sul, onde atuam nos programas de pós-graduação em Antropologia e História, tendo participado da produção de diversos laudos administrativos e judiciais sobre terras indígenas naquele estado, todos aprovados pelo órgão indigenista oficial.
  2. O estudo intitulado Laudo antropológico referente à diligência técnica realizada em parte da área da antiga Fazenda Bananal, também conhecida como Santuário dos Pajés, localizada na cidade Brasília, Distrito Federal, Brasil, concluído sob a coordenação do antropólogo Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira, foi entregue no início de setembro de 2011 a servidores da FUNAI em Brasília, a antropólogos do Ministério Público Federal (MPF) e a lideranças da comunidade indígena do Santuário dos Pajés. Mais recentemente, no dia 13/10/2011, foi entregue uma nota complementar com medições da terra indígena à Presidência da FUNAI, MPF e lideranças do Santuário dos Pajés.
  3. O Laudo concluído atesta de maneira clara, objetiva e consistente que se trata de terra tradicionalmente ocupada por comunidade indígena, cuja extensão é de, pelo menos, 50,91 hectares. Atesta que a ocupação indígena no Santuário dos Pajés remonta a fins da década de 1950, quando ali chegaram indígenas da etnia Fulni-ô, provenientes de Águas Belas, Pernambuco, e iniciaram o processo de ocupação da área. Posteriormente, a partir da década de 1970, famílias Tuxá e Fulni-ô  estabeleceram moradia permanente no lugar e ali passaram a constituir uma comunidade multiétnica, com fortes vínculos de tradicionalidade com a terra e participantes de uma complexa rede de relações sociais. Mais tarde somaram-se a elas famílias Kariri Xocó. Um Processo da FUNAI no qual constavam importantes documentos para o esclarecimento dos fatos, inclusive procedimentos oficiais para a regularização da área, sob Nº 1.607/1996, desapareceu de dentro do próprio órgão indigenista.
  4. Nos últimos anos, parte da área tem sofrido impactos negativos diretos pelas obras do Projeto Imobiliário Setor Noroeste, sob a responsabilidade da empresa TERRACAP, cujo licenciamento ambiental ocorreu sem o necessário estudo do componente indígena local. Além disso, tem sido registrada a destruição da área de preservação ambiental e o uso da violência física contra membros das famílias indígenas e seus apoiadores, bem como prejuízos às suas moradias e demais benfeitorias, conforme divulgado pela imprensa nacional.
  5. É urgente que a FUNAI constitua um Grupo de Trabalho para proceder aos estudos necessários à identificação, delimitação e demarcação da terra indígena, em conformidade com a lei. Isso é necessário que a Justiça faça jus ao próprio nome e proíba a continuidade das obras, solicitando a retirada das construtoras da área e apurando as violações aos direitos humanos, indígenas e ambientais que têm sido amplamente divulgadas nos meios de comunicação.
  6. A morosidade da FUNAI em tomar as providências para assegurar os direitos territoriais, inclusive no que se refere à entrega formal do laudo à Justiça, tem aumentado a situação de vulnerabilidade e causado grandes prejuízos àquela comunidade indígena e à conservação ambiental do lugar. Tal postura favorece os setores ligados à especulação imobiliária em Brasília e seus aliados políticos, inclusive pessoas ligadas a conhecidos esquemas de corrupção no Distrito Federal e segmentos da impressa a elas vinculados, os quais seguidamente distorcem e manipulam os fatos a favor de seus patrocinadores.
 Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2011.
João Pacheco de Oliveira
Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas/ABA

Encontro das avós nativas: missão de paz

Treze anciãs das quatro direções do planeta se reúnem no Planalto Central, no período de 21 a 24 de outubro de 2011. O lugar da realização do encontro é a Universidade da Paz  (Unipaz), em Brasília/DF,  e tem como objetivos: rezar pela paz mundial; promover o diálogo intercultural e inter-geracional; apoiar a valorização dos conhecimentos tradicionais e o fortalecimento da paz planetária. Conforme as informações divulgadas no site  do Conselho Internacional das Treze Avós Nativas (http://www.avozdasavos.org/),  o evento “resultará em um movimento de solidariedade criando uma voz nativa global dos guardiões da sabedoria da Terra”.
Para saber mais desse movimento, vale conferir os filmes, os livros e websites em torno das treze Avós Nativas que viajam pelo mundo com a missão de zelar pela paz:
Filme: Turning Prayer into Action [Transformando Prece em Ação]: Documentário de Televisão – veiculado pela Link TV.
Dezembro 2007

For the Next 7 Generations [Para as Próximas 7 Gerações]- Um filme de Longa Duração sobre o Conselho Internacional das Treze Avós Nativas Lançado em Agosto de 2009

Livro: Grandmothers Counsel the World [Avós Aconselham o Mundo]: Anciãs Oferecem Sua Visão para Nosso Planeta – Shambhala Publications 2006, traduzido para sete línguas

Websites: grandmotherscouncil.com, forthenext7generations.com,nativevillage.org – iniciativa de educação infantil

CDs: Um conjunto de transcrições do primeiro encontro do Conselho incluindo sessões em pequenos grupos.


Imprensa e Rádio: Vasta cobertura nacional e internacional 
DA PROGRAMAÇÃO: o evento terá quatro dias de duração, de 21 a 24 de outubro de 2011. A programação está  dividida temporalmente: Ontem, Hoje e Amanhã. Foi eleito como tema transversal do encontro A Água, considerando seu valor nas culturas tradicionais e o desafio atual da humanidade em relação à sua preservação. Cada dia será intercalado com 3 momentos de cerimônias ou preces e fóruns de debates ou apresentações de temas.
1º DIA:  ONTEM / HERANÇA
9h / 10h – Abertura do evento público no Fogo Sagrado, com cerimônias,preces e boas vindas pelo Povo indígena regional, pelas avós Maria Alice Campos Freire e Clara Iura junto com o Conselho Internacional das 13 Avós e convidados especiais.
10h15 /12h45 – Apresentação das avós do Conselho Internacional e das avós brasileiras,
das embaixadoras do Conselho Internacional e apresentação da visão que deu origem à formação ao Conselho.
14h /15h – Cerimônia com a Avó Agnes Baker Pilgrin
15h15  / 16h45 – Apresentações de avós brasileiras sobre a Água nas suas Tradições:
15h15 – Povo indígena
15h45 – Povo de terreiro
16h15 – Parteira
16h45 –  Cinco avós internacionais falam  sobre o tema Água
18h – Cerimônia com a Avó Rita Long Visitor Holly Dance
20h – jantar

2º DIA – HOJE / PERCEPÇÕES E INQUIETUDES

9h-10h – Cerimônia
10h15 -11h  – Contação de história tradicional indígena
11h – Roda de Conversa “Culturas Tradicionais e Preservação da Água” (com Movimentos Sociais de povos tradicionais e convidados que sejam referência no tema)
12h30 -13h – Dança de Água
14h – 15h  – Cerimônia com a Avó Tsering Dólma Gyaltong
15h15 -17h30 – Rituais com as curas e cânticos das águas (realizados pelas avós
internacionais e brasileiras)
18h – Cerimônia com a Avó Bernadette Rebienot
19h – Jantar
3º DIA – AMANHÃ / SEMENTES

9h-10h  – Cerimônia com a Avó Rita Pitka Blumenstein
10h15 – 11h – Apresentação cultural com cânticos espirituais indígenas
11h – Roda de Conversa com representantes de projetos de culturas tradicionais com viés intergeracional
12h30 – 13h  – Apresentação de Grupo de Jovens
13h – 14h30  – Intervalo para almoço
14h30 – 15h30  – Cerimônia com a Avó Julieta Casimiro
15h45 – 17h30 – Atividade pedagógica com crianças ou jovens sobre a temática da água
17:30h-18h – Mensagens para as próximas gerações com plantio de árvores em conjunto avós e jovens
1730h – 18h30 – Encerramento do Conselho Aberto com mensagens para as próximas gerações
18h30 – Cerimônia especialmente dedicada às crianças, aos jovens e à paz com toda a natureza com a Avó Margareth Behan
19h – Jantar

 4º DIA – NOVO TEMPO – COLOCANDO AS PRECES EM AÇÃO

9h / 10 Cerimônia
 10h15 -12h30 – Reunião de avaliação da experiência e confraternização entre o Conselho Internacional e as avós brasileiras e convidadas especiais. Elaboração da Moção Global pela Água. O público se reparte em subgrupos com os temas básicos do encontro, dentro de uma dinâmica com facilitadores:
·         Fortalecimento de Círculos de Mulheres
(Que passos podemos dar para que nossas vozes sejam ouvidas pelo poder público? Que ações individuais ou coletivas podemos realizar para influir nos temas globais?)
·         Perspectivas Coletivas e Globais Para Captação de Recursos
(Como construir um modelo baseado no compartilhamento e não na competição por fundos de financiamento? )
·         Negócios Sustentáveis Orientados Pelos Princípios das Tradições
( Como fortalecer o papel dos Conselhos de Anciãos no gerenciamento da expansão dos produtos tradicionais no mercado mundial?)
·         Aliança de Povos Tradicionais a Benefício do Bem Viver Coletivo
(Como unir os povos, transcendendo as diferenças de suas tradições, na construção de uma convivência de cooperação e paz?)
14h – Cerimônia de Fechamento do Fogo: Avós Flordemayo e Mona Polacca com demais avós do Conselho Internacional.

15h – Cerimônia da água
15h30/ 16h30 – Deslocamento para a Esplanada dos Ministérios

17h /19hConcentração de todos os participantes na Esplanada dos Ministérios com cerimônia ecumênica de encerramento do evento.

Enquanto houver poesia…

Faz algum tempo, escrevi um poema intitulado Instante da palavra. Confesso que inicialmente não gostei do que escrevi e resolvi que o melhor a fazer seria deixar maturar o instante. Engavetei o desejo e deixei o instante pulsando na memória. A vontade de falar de poesia sempre vinha nos momentos inesperados, embora a palavra a cada instante pedisse algo mais racional, pois era preciso cumprir as tarefas acadêmicas. Em meio a essa inquietação ouvi a voz do texto e deixei que viesse a palavra entranhada na luta de cada dia, da poesia, do ser poeta. Acreditando também que todo dia pode ser o dia da poesia, revisitei meu velho poema e o exponho hoje: Dia do poeta. Assim, a todos(as) que ainda crêem na esperança e na força poesia dedico este Instante da palavra.  
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Cadeira, de Van Gogh
INSTANTE DA PALAVRA
…como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.
Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.
O mundo gira.
Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
tanto sal
e apesar de tudo
muito por saber…
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelo
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva…
em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer
São Paulo, 20 de outubro de 2011, Dia do poeta
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)