Feira do Livro Indígena de Mato Grosso – FLIMT

 
23, 24, 25 e 26 de novembro de 2011


Sobre a FLIMT
          O encontro com a diversidade cultural do país chega a sua segunda edição em 2011. É a Feira do Livro indígena de Mato Grosso, evento que reunirá em Cuiabá – MT, escritores, artistas e lideranças indígenas, livreiros, educadores, estudantes e a comunidade em geral. Uma realização do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, a FLIMT, acontece no mês de novembro, fomentando o prazer pela leitura. Durante quatro dias, a cultura dos povos indígenas ganha a cena, nas suas mais diversas formas de manifestações, promovendo o prazer pela leitura e uma viagem ao Brasil indígena.
 
 
PALESTRAS
EXPOSIÇÕES
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
LANÇAMENTOS
SARAUS
 
Realização:
Secretaria de Cultura do MT

Apoio:
Instituto UKA-Casa dos Saberes AncestraisNEARIN – Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do INBRAPI

 
 
PROGRAMAÇÃO
 
DIA 23 – QUARTA FEIRA
19h30
·         Abertura da FLIMT
 
Dia 24 – Quinta feira
9h – Mesa –
·         A literatura indígena e as novas tecnologias da memória
10h/11h –
·         Oficina – O indígena no livro didático. Ministrante: Profª MS Arali Dalsico (Associação dos Amigos do Museu Rondon – ASAMUR)
·         Contação de Histórias (narradores da Nação Nativa Umutina)
14h
·         Mesa – Grandes projetos em terra indígena: qual a saída?
          Palestrantes: Marcos Terena e Estevão Taukane
16h
·         Bate papo – A leitura literária no processo de formação de um país leitor
         Com Daniel Munduruku e Graça Graúna
18h30
·         Oficina de Pintura corporal
19h30
·         Encontro com o Escritor
·         Sarau
 
DIA 25 – SEXTA FEIRA
10h
·         Programação SEC
11h
·         Contação de história com Elias Maraguá
14h
·         Mesa: Ainda precisamos da Funai?
          Com Álvaro Tukano, Marcos Terena e Darlene Taukane
15h30
·         Contação de histórias do povo Terena
16h
·         Programação SEC
·         Encontro com o Escritor
19h30
·         Sarau
 
DIA 26 – SÁBADO
9h
·         Mesa: Lei 11.645/08: modos de usar.
          Com Edson Kayapó e Rosi Waikhon
10h/11h
·         Oficina e palestra: O processo de criação de um livro
          Com Anna Claudia Ramos e Heloisa Prieto
·         Contação de histórias com Roni Wasiri
14h
·         Bate-papo: Observatório da Educação Indígena e a produção de livros didáticos para escolas indígenas
16h
·         Mulheres indígenas: guardiãs ou guerreiras da memória?
         Com Eliane Xunakalo, Graça Graúna e Darlene Taukane
18h
·         Contação de histórias
         Com Carlos Tiago e Marcelo Mahuare
19h
·        Encontro com o Escritor
 
19h30
·        Sarau

Mulheres africanas conquistam o Nobel da Paz

Imagem extraída do Google
Texto: Graça Graúna
           Desde o início da campanha sobre o Nobel da Paz para mulheres africanas, não pensei duas vezes para acolher neste Blog  a ideia de acompanhar a luta dessas mulheres. No Brasil, a campanha muito divulgada também pela Agência de Notícias Adital foi se juntando à força de blogueiros, professores, estudantes, escritores, ativistas de direitos humanos e uma porção de gente corajosa que acredita na luta pela não violência. Fico feliz em ver o Nobel da Paz destinado a três mulheres guerreiras originárias da África; uma alegria igual a que senti quando uma mulher indígena guatemalteca – Rigoberta Menchu – foi agraciada também pelo Nobel da Paz, em 1992, por seu ativismo pelos direitos humanos.

Rigoberta Menchu – Imagem extraída do Google

          Conforme o site da Adital, a campanha nasceu  na Itália e  percorreu o mundo para incentivar a entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2011 para as mulheres africanas. “A proposta é da CIPSI, coordenação de 48 associações de solidariedade internacional, e da ChiAma África, surgida no Senegal, em Dakar, durante o seminário internacional por um Novo Pacto de Solidariedade entre Europa e África, que aconteceu de 28 a 30 de dezembro de 2008” (cf. Adital).

As três mulheres africanas agraciadas com o Premio Nobel da Paz são: ELLEN JOHNSON-SIRLEAF, da Libéria; a sua colega iemenita TAWAKKUL GBOWEE e KARMAN. A luta dessas mulheres tem como característica a não violência; a segurança das mulheres e os direitos das mulheres nos trabalhos de pacificação, conforme informações do  Comitê Norueguês do Nobel. 
SIRELAF JOHNSON, filha do primeiro indígena eleito da Libéria –  é a presidente democraticamente eleita e a primeira mulher da Libéria, desde 2006. Viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos como funcionária do Banco Mundial. 
A outra ganhadora do Noebel é GBOWEE, aos 39 anos; ativista política, integrada ao movimento pela paz, denunciou a última guerra civil que devastou a Libéria de 1999-2003 e que terminou com a eleição de Johnson-Sirelaf. 
Também recebeu o prêmio a iemenita TAWAKKUL KARMAN; líder do grupo de mulheres jornalistas que ela fundou em 2005. A luta de Karman é marcada também por seus protestos contra Ali Abdullah Saleh, presidente do Iêmen.
Os prêmios serão apresentados formalmente em duas cerimônias paralelas em 10 de dezembro de 2011, em Estocolmo, na Suécia. 

Articulação indígena pela demarcação de terras. Entrevista com Maurício Gonçalves e Roberto Liebgott

Mauricio Gonçalves
Imagem extraída do Gooogle
FONTE -IHU – Unisinos, Instituto Humanitas Unisinos e  Adital
“Reivindicamos fundamentalmente a demarcação de terras guarani no Rio Grande do Sul. Pedimos também que a Funai dê agilidade aos grupos de trabalho criados para identificar algumas terras guarani no estado. Os nossos guarani estão preocupados porque muitos indígenas estão vivendo em beira de estradas, embaixo de lonas”, diz Maurício Gonçalves, líder da comunidade indígena da Estiva, em Viamão, Rio Grande do Sul, ao IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone, após ter conversado com o presidente da Funai, Márcio Meira, e reivindicar juntamente com outras lideranças indígenas a demarcação de terras no estado e políticas públicas para a comunidade.
Na avaliação de Roberto Liebgott, vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário – Cimi do Rio Grande do Sul, o encontro dos indígenas com o presidente da Funai foi importante “para estabelecer uma nova forma de relação, não mais só da palavra, mas de se ter um documento escrito”. Apesar de Márcio Meira ter assinado um documento com as reivindicações dos indígenas, Liebgott diz que “será necessária, ainda, muita mobilização do povo para que efetivamente o governo assuma as suas responsabilidades”.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como o senhor avalia o encontro que os guarani da Aldeia da Estiva, Viamão-RS, tiveram com o presidente da Funai, Márcio Meira e a articulação elaborada para segurar o presidente da Funai na aldeia?
Roberto Liebgott – Foi um encontro forçado, porque o presidente da Funai não foi à aldeia com a disposição de estabelecer um diálogo sobre a realidade e os problemas do povo guarani. Ele foi lá para inaugurar algumas casas construídas na aldeia. Vale ressaltar que aldeia da Estiva, onde ele inaugurou as tais casas, é uma área de apenas sete hectares, e ali vivem 32 famílias, praticamente em um confinamento.
Os guarani aproveitaram a ocasião da ida do presidente da Funai à aldeia, com o objetivo exclusivo de fazer propagandas das casas, para fazê-lo ouvir todos os caciques e as reivindicações do povo indígena. O presidente da Funai foi obrigado a ouvir, pela primeira vez, as reivindicações das comunidades guarani do estado do Rio Grande do Sul.
IHU On-Line – Que avaliação você faz da conversa que teve com o presidente da Funai, Márcio Meira, na aldeia da Estiva?
Maurício Gonçalves – A nossa esperança é de que todas as reivindicações que propusemos para o presidente da Funai sejam feitas, que sejam respeitados os interesses da comunidade guarani do Rio Grande do Sul, porque os nossos guaranis estão muito preocupados.
Nós aproveitamos o momento em que o presidente da Funai esteve na aldeia da Estiva e chamamos todas as lideranças do Rio grande do Sul para falar da situação e da ansiedade das comunidades guarani. Nós esperamos que, a partir dessa reunião, sejam atendidos os interesses dos povos e que a Funai cumpra o seu dever enquanto órgão responsável pela questão indígena.
IHU On-Line – Que assuntos vocês trataram com o presidente da Funai, Márcio Meira, enquanto ele esteve na aldeia de Estiva?
Maurício Gonçalves – Reivindicamos fundamentalmente a demarcação de terras guarani no Rio Grande do Sul. Pedimos também que a Funai dê agilidade aos grupos de trabalho criados para identificar algumas terras guarani no estado. Os nossos Guarani estão preocupados porque muitos indígenas estão vivendo em beira de estradas, embaixo de lonas.
IHU On-Line – Quais são as reivindicações dos índios guarani que residem em Viamão, no Rio Grande do Sul?
Roberto Liebgott – A principal reivindicação é a demarcação das terras guarani, principalmente daquelas comunidades que hoje vivem nas margens das rodovias. Há muitos anos, eles reivindicam ao órgão indigenista a criação de um grupo de trabalho que faça um estudo de identificação e delimitação das áreas indígenas, para então assegurar a posse e o usufruto exclusivo para as comunidades guarani. Pelo menos 20 áreas guarani precisam ser demarcadas no Rio Grande do Sul, e outras áreas precisam ser regularizadas.
A segunda grande demanda diz respeito à necessidade de que as políticas públicas sejam atendidas conforme estabelece a legislação brasileira. Eles exigem políticas públicas diferentes para atender as demandas das comunidades indígenas no estado do Rio Grande do Sul. Estas políticas precisam respeitar as questões étnicas, culturais, e dar condições para que estas comunidades tenham assistência continuada, e não paliativa, como ocorre hoje.
IHU On-Line – Que áreas do estado vocês reivindicam que sejam demarcadas?
Maurício Gonçalves – As terras indígenas estão espalhadas pelo estado. Atualmente reivindicamos a demarcação de terras que estão na região da Barra do Ribeiro, na BR-116. Além disso, comentamos com o presidente da Funai que, em função da duplicação da BR-116, várias comunidades guarani serão atingidas, e que, enquanto não demarcam as terras, os guarani continuarão ali.
IHU On-Line – Quais são hoje os principais problemas que vocês enfrentam em termos de habitação, saúde e educação?
Maurício Gonçalves – Por falta do cumprimento dos deveres da Funai, a nossa comunidade vive situações extremas. Falta atendimento adequado na saúde. Outro problema que nos afeta e nos preocupa bastante é a falta de política de moradia da Funai e dos governos estaduais e federais. Enquanto as terras não forem demarcadas, não teremos um atendimento adequado na saúde, e isso nos preocupa porque nossas crianças ficam muito vulneráveis a doenças.
IHU On-Line – Qual a expectativas dos Guarani depois da conversa com o presidente da Funai, Márcio Meira, em que ele assinou um documento com as reivindicações da aldeia?
Roberto Liebgott – A expectativa é de que o presidente cumpra com a sua palavra. Eles solicitaram que o presidente assinasse um documento porque as palavras dos representantes da Funai perderam o sentido e o valor, já que inúmeras vezes foram feitos discursos e promessas, os quais nunca foram cumpridos. Esse momento de encontro com o presidente da Funai foi para estabelecer uma nova forma de relação, não mais só da palavra, mas de se ter um documento escrito. Os guaranis prezam a palavra. Eles acreditam que as pessoas, quando falam, dizem a verdade. No caso da Funai, eles ouviram tantas vezes palavras não cumpridas, que perderam a confiança. A expectativa é de que ao menos se cumpra aquilo que está escrito. Avaliamos que, embora ele tenha assinado um documento, será necessária, ainda, muita mobilização do povo para que efetivamente o governo assuma as suas responsabilidades.
IHU On-Line – Quantas aldeias guarani existem no Rio Grande do Sul? Qual a situação dos índios que vivem no E?
Roberto Liebgott – No estado, pelo levantamento que fizemos recentemente, existem 76 áreas indígenas. A grande maioria destas áreas não está regularizada, e, em algumas delas, nem sequer foi iniciado o procedimento demarcatório. Então, existe uma demanda fundiária muito grande no Rio Grande do Sul para ser resolvida. Acreditamos que esta demanda só será resolvida na medida em que os povos Kaingang, guarani e charrua estiverem firmemente articulados em torno desta questão.
Os outros problemas enfrentados pelas comunidades indígenas são consequências da falta de terra. As comunidades que vivem na beira das estradas não têm acesso a saneamento básico, a assistência à saúde, a educação adequada. Além do mais, não têm nenhum tipo de alternativa econômica que lhes garanta a autossustentabilidade. Assim, dependem de ajudas de cestas básicas e sobrevivem do artesanato que produzem e comercializam à beira das estradas.
Então, a questão fundiária precisa ser resolvida justamente com as políticas de assistência e de atividades produtivas para a autossustentabilidade das comunidades.
IHU On-Line – Há uma articulação entre os Guarani, Charrua e Kaingang?
Roberto Liebgott – Cada povo tem seu modo de ser, tem sua própria cultura e formas de relacionamento com a sociedade e com outros povos. Mas, diante dos inúmeros problemas que todos os povos enfrentam, eles estão se reunindo através das lideranças para discutir os problemas, fundamentalmente as questões relativas à terra, saúde e educação.
Os povos sabem que as diferenças entre eles precisam ser respeitadas. Eles trabalham no sentido de que as lutas sejam somadas.
IHJ On-Line – Que avaliação faz da reunião que aconteceu na terça-feira (4-10), em Brasília entre indígenas e a Funai?
Roberto Liebgott – Em Brasília está havendo uma articulação que nos preocupa. Políticos estão apresentando propostas de quebra dos direitos constitucionais dos povos indígenas. As informações que recebemos é que eles estão trazendo lideranças de vários povos para Brasília, no sentido de propor que os indígenas negociem o direito as suas terras e aceitem qualquer outra terra em troca dos direitos constitucionais. Há uma tentativa de inversão, ou seja, de substituir o que é um direito por políticas compensatórias ou áreas de terra compensatórias aos direitos que eles têm.
Essa tem sido a tônica das reuniões que estão acontecendo em Brasília. Conversei com um grupo de lideranças guarani de Santa Catarina, que ontem (4-10-2100) se reuniram com parlamentares e com representantes do governo federal. Eles contaram que receberam a proposta de substituir a terra que já está demarcada e declarada como sendo indígena por outras terras. Isso é um ataque grave aos direitos que os povos indígenas têm e conquistaram ao longo de muita luta.
IHU On-Line – Quais são os maiores entraves ao cumprimento das reivindicações dos indígenas?
Roberto Liebgott – Os entraves principais são as pressões de grupos, segmentos, que têm interesse pelas terras que estão sendo demarcadas. Estão articulados em torno desses interesses representantes do governo e da Funai, que fazem gestão no sentido de que as terras não venham a ser demarcadas conforme estabelece a Constituição Federal. Na verdade, os entraves residem nessa ambição que se tem sobre terras que são de ocupação indígena.
Existem também conflitos com pequenos agricultores, que foram assentados sob terras indígenas. Há a necessidade de o governo, tanto em âmbito municipal como estadual e federal, encontrar alternativas não para macular, deslegitimar ou desrespeitar os direitos constitucionais indígenas, mas para garantir solução para essas famílias de agricultores que foram assentadas em áreas indígenas. Basicamente as pressões exercidas são de cunho meramente econômico.
IHU On-Line – Que avaliação faz da atuação da Funai?
Maurício Gonçalves – Nos últimos dez anos, a Funai tem se distanciado do nosso povo. Em função das nossas mobilizações, a partir de 2005, o órgão começou a atuar novamente, mas de maneira vaga. O governo e a Funai têm aceitado a força política das regiões para não demarcar as nossas terras.
IHU On-Line – Qual a expectativa para o encontro que terá com a presidência da Funai na quinta-feira (6-10-2011)?
Maurício Gonçalves – A partir da nossa mobilização na Estiva, a presidência da Funai criou uma agenda para receber as comunidades indígenas do Rio Grande do Sul em Brasília. O fato de a Funai ter aceitado dialogar mais de perto com as lideranças indígenas é um ganho para nós. A nossa mobilização teve sucesso e nós tivemos força para buscar uma audiência e conversar com a Funai para tentar estabelecer uma agenda e pra entender como ela – a Funai – quer trabalhar a demarcação de terras indígenas e a criação de novos grupos de trabalho para os guarani do Rio Grande do Sul.