Vida e morte nos caminhos Guarani

Imagem: Adital
Fontes: Egon Dionísio Heck –
assessor do Conselho Indigenista 
Missionário (CIMI) e  ADITAL
Companheiros(as) de estrada…, de partida e de chegada!
Vários e importantes momentos estão previstos para esta semana. Em Brasília, se realiza, nesta segunda-feira (15/08/11), a primeira reunião da Comissão do Conselho Nacional de Justiça, que visa contribuir com a solução dos problemas da não demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande o Seminário Povos Indígenas e Sustentabilidade – Saberes Tradicionais e formação acadêmica, na Universidade Católica Dom Bosco, estará propiciando um amplo espaço de informação, intercambio e debate, com a presença de lideranças indígenas da região, de várias partes do Brasil e de outros países como Colômbia e Peru. E a grande expectativa com relação às áreas de retomada de Pyelito Kuê e Mbarakay, no município de Iguatemi. Haverá também a mobilização de mais de quinhentos Guarani-Kaiowá na Aty Guasu em Passo Piraju, município de Dourados, de 19 a 22 de agosto. O encerramento será em Dourados com mobilização pública, caminhada pelos direitos indígenas, pela vida e pela terra, contra a violência e impunidade.

Abraços
Egon

Foram mais de mil quilômetros andados pelas aldeias e acampamento Kaiowá-Guarani, na fronteira com o Paraguai. Ali a vida anda de vagar, e a morte espreita nas esquinas da estrada.
Em todos os lugares em que chegávamos entregávamos uns papeis muito singelos. Eram os convites para a Aty Guasu no Passo Piraju. Oportunidade ímpar para rever os amigos, sentir o pulsar forte do coração Kaiowá-Guarani em suas diversas circunstâncias. Momento de ouvir palavras sábias do Nhanderu Atanásio, de sentir a alegria do grupo do Ypo’i, para os quais levamos material escolar, pois estavam dando aula “apenas com papel sulfite” como nos confidenciou uma liderança. Para eles também entregamos exemplar da revista Mensageiro que traz na capa foto de duas crianças do Ypo’i. À equipe da revista queremos externar, em nome dos Kaiowá Guarani a gratidão por todo o apoio que deram, e dizer que valeu e muito, a divulgação da realidade desse povo através do vídeo Semente de Sonhos, que foi distribuído em vários países da América do Sul.
A lua nos guiou até Kurusu Ambá. Lá chegamos ao entardecer. A comunidade estava reunida, celebrando a importante vitória que conseguiram na Justiça Federal, 3ª. Região, em São Paulo. Por unanimidade os juízes entenderam que a comunidade poderia ficar no local em que estão desde novembro de 2009, quando retornaram a uma pequena mata, do seu tekohá Kurusu Ambá. Foi maravilhoso poder passar a noite marcada pelo ritual e depois o silêncio total, apenas rompido pelos ruídos de alguns animais e aves. A lua cheia à beira do riacho foi um espetáculo à parte. São esses raros momentos de oásis, na turbulência e violência em que se encontram a maioria das aldeias e acampamentos. Eliseu, liderança que representa a Aty Guasu e movimento Kaiowá-Guarani, na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB construiu, na aldeia, uma casa para receber os visitantes. Passamos aí uma noite maravilhosa. Andar nas trilhas da mata e sentir um pouco do bem viver que procuram aí construir, é um privilégio.
Em Nhanderu Marangatu nos informaram que continua a pressão e violência contra a comunidade e o meio ambiente. Loretito informou que continuam tirando postes da terra indígena, e ameaçando os membros da comunidade. Ele espera que essa situação se resolva o quanto antes. Para isso enviaram documento À comissão do Conselho Nacional de Justiça, que irá tratar especificamente sobre a questão das terras indígenas no Mato Grosso do Sul. A primeira reunião será no dia 15 deste mês, em Brasília. No documento pedem empenho e prioridade para a situação desta terra indígena “por ser emblemática em termos das terras indígena no MS e ao mesmo tempo ser dramática, pois ali vivem mais de mil pessoas em 127 hectares.”
Na Terra Indígena Amambai, participamos de um encontro do Movimento dos Professores Kaiowá-Guarani, que já são mais de 300. Há 17 anos o movimento vem tomando várias iniciativas, dentre as quais o encontro anual, que neste ano será no início de outubro na aldeia de Pirakuá. Discutiram sobre o Território Etnoeducanional do Cone Sul, que abrange as comunidades Kaiowá Guarani. Mas principalmente buscaram fazer uma autocrítica do movimento e traçar algumas estratégias com relação a vários problemas e retrocessos com relação à educação escolar indígena. Repudiaram as palavras discriminatórias e racistas do governador do estado com relação aos direitos, lutas e realidade do povo Kaiowá Guarani.
Destruição dos barracos de Pyelito Kuê e Mabarakaí
Ontem à noite o grupo da retomada, enquanto estavam mudando o acampamento para outro lugar dentro da mesma mata, na fazenda Santa Rita, chegaram capangas da fazenda e destruíram os barracos e levaram o que nelas restava, inclusive, a lona. A Fazenda é de propriedade da família do prefeito de Iguatemi José Roberto Filippe Arcoverde (Midiamax, 14-08-11). Há três dias a polícia federal esteve na sede da fazenda informando da presença dos índios, para que não houvesse violência. Porém os Kaiowá Guarani acampados, que foram vítimas de violência em momentos anteriores, temem que se possa repetir um ataque de pistoleiros. Por esta razão solicitam a presença da polícia federal na região para evitar semelhantes ações.
A um dos membros da Aty Guasu, que desde o inicio da retomada deu total apoio a seus parentes na luta pelo seu tekohá, externou sua confiança de que não haja violência que os órgãos responsáveis pela demarcação e garantia das terras indígenas resolvam a questão das terras indígenas Kaiowá Guarani o mais rápido possível.
Quando da nossa passagem na aldeia de Sassoró nos encontramos com Marcia, esposa de um dos líderes do acampamento. Ela expôs a Eliseu as apreensões e dificuldades do grupo. Além da tensão e temor de ataques, estão necessitando com urgência de alimentos.
Tudo muito estranho
No dia 12 de agosto Emilio Pedro, de 56 anos, do acampamento Guirá Kambi’y, município de Douradina, saiu para trabalhar um pouco no seu roçado. Na manhã do dia seguinte foi encontrado enforcado, próximo a um córrego. A comunidade ficou perplexa. Ele era um dos Nahnderu (lideres religiosos) que com muito entusiasmo e alegria recebia com reza ritual todos os visitantes. Recordo-se de seus gestos acolhedores quando há uma semana, estivemos com a comunidade entregando os convites para a Aty Guasu. Ele era um dos que iriam ao importante evento que estará se realizando na aldeia de Passo Piraju, município de Dourados, de 19 a 22 deste mês.
Um dos conselheiros da Aty Guasu esteve na comunidade, participando do velório e do sepultamento hoje, no dia dos pais. Apenas comentou “Tudo muito estranho”.
Emilio deixou seis filhos e a esposa Vilma Quevedo. Apesar da dor sentida pela comunidade, terão que superar esse sofrimento buscando novas energias para continuarem a vida na luta pela terra, no acampamento. Nós da equipe do Cimi nos solidarizamos com os familiares e a comunidade, na certeza de que a luta continua, e que a vitória da terra está próxima.
Povo Guarani Grande Povo
Dourados, 14 de agosto de 2011.

Américas: Anistia Internacional apela à proteção dos povos indígenas

Capa do Relatório. Imagem extraída do Google

Fonte: Inforpress/Lusa
Lisboa, 05 Ago (Inforpress) – A Amnistia Internacional alertou hoje os governos americanos que não podem pôr em causa os direitos dos povos indígenas por causa de projetos de desenvolvimento, um aleta que pretendeu antecipar o Dia Internacional dos povos Indígenas.
“As persistentes violações dos direitos humanos dos povos indígenas por toda a América são alarmantes”, afirmou, em comunicado, a diretora da Amnistia Internacional para as Américas, Susan Lee.
Para antecipar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, que se assinala a 09 de agosto, a organização decidiu lançar um apelo aos governos do continente americano para que deixem de dar prioridade aos projetos de desenvolvimento, quando estes implicarem a violação dos direitos dos povos indígenas.
“Nas Américas, os povos indígenas são vistos como um obstáculo no caminho dos interesses comerciais. São ameaçados, perseguidos, vítimas de desalojamentos forçados e mortos, quando o objetivo é explorar os recursos naturais das áreas onde vivem”, criticou.
Susan Lee lamentou que vários países, nomeadamente Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá e Peru, não tenham “consultado os povos indígenas antes de aprovarem leis que ameaçam os seus meios de subsistência” e “põem em causa” a sua liberdade.
“O desenvolvimento económico não pode depender do sacrifício dos direitos dos povos indígenas. Todos os países das Américas subscreveram a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas”, lembrou.

Dia Internacional dos Povos Indígenas.

 Imagem extraída do Google
Parentes, amigos e guerreiros!
Dia 09 de Agosto é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas.
Essa data diferentemente do dia 19 de Abril, foi uma conquista dos Povos Indígenas do mundo todo. É o dia em que há mais de vinte anos, chegou pela primeira vez, um Índio para reclamar seus direitos na sede da ONU na Suiça.
Vamos nós brasileiros lembrar que o Dia do Índio não pode ser uma concessão do Estado Brasileiro ou do branco, mas uma data onde possamos realmente refletir os mais de 500 anos de opressão e os novos desafios da modernidade, as crises ambientais, a pobreza que começa a cercar nossas aldeias e o futuro da nossa juventude que quer ir para a Universidade, quer Emprego, quer Celular, Computador, Futebol… etc…
A comemoração é porque somos os verdadeiros donos da Terra. Não vamos deixar que esse dia se reduza a inauguração de exposição ou uma saudação governamental…
No Brasil éramos donos de tudo, mas diante da miséria do homem branco aceitamos primeiros os portugueses, os africanos, os holandeses, os franceses e agora, árabes, judeus, asiáticos e outros povos que vivem com qualidade de vida e paz que não tinham em suas terras.
Nós Povos Indígenas somos fortes, mas temos que aprender a usar essa força para nossa autonomia economica (gestão territorial), afirmação da identidade cultural e respeito ao Grande Espírito e a Mãe Terra.
Vamos mostrar isso e compartilhar isso com o Brasil do sonho indígena onde o respeito é mútuo e a dignidade é de todos!
Marcos Terena
Coordenador Indigena – RIO+20

M.MARCOS TERENA
Nota: Tomo a liberdade de publicar, aqui, o texto a cima que  foi enviado por Marcos Terena a todos(as) integrataes  do grupo de Escritores indígenas e do qual também faço parte. 
Que Ñanderu nos acolha. Graça Graúna