Mais um selo: Blog Maneiro

Agradeço à Angela Ursa (do blog Ursasentada), pela indicação do blog Graça Graúna. Vou indicar 10 blogs para participarem também. Mas fiquem à vontade para aceitarem ou não o convite. As regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.
2- Poste o link do blog que te indicou… Angela
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para <olhaquemaneiro@gmail.com> juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.8- Só vale se todas as regras acima forem seguidas.

Minha sugestão é a seguinte:

1 – Agnes Pires
2 – Concursos de projeto
3 – Hideraldo Montenegro
4 – Indiosonline
5 – Madalena Barranco
6 – Manumayah
7 – Povo Potiguara
8 – Reporterfree
9 – Reporter mãe

10 – Samuca

Geografia do poema

Imagem Google. Crianças em Gaza.
Escrevi este poema em 2001, pensando nas guerras urbanas e na violência contra os indígenas; lastimo as guerras entre nações e “os mortos de Palestina [que] são também nossos mortos” como sugere o poeta-irmão del mundo Mario Ramón Mendonza. Assim ofereço “Geografia do poema” pela paz de Gaza e do mundo. Paz em Nhande Rú (Nosso Pai, em guarani), Graça Graúna.

GEOGRAFIA DO POEMA

I
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram:
– Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II
Na geografia do poema voam balas
passam na TV os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo
da velha é sentença
marcada na réstia
do sol quadrado.

III
Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças
nos corredores da morte
nos becos da fome
consomem a miséria
matéria prima da sua sobrevivência.

IV
Nos quarteirões
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
dos tempos madrugados.

V
Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombrias.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema

VI
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um sonho foi desfeito
mil povos pratearam.
A terra está sentida de tanto sofrimento.
Mas…

VII
Haverá manhã
e o sol cobrirá
com os seus raios de luz
a rosa dos ventos

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Tessituras da Terra. Belo Horizonte. M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 46-49.

Veja também em Poetas del Mundo

Crianças de Angola

Imagem Google. Sombras da guerra, de Carlos Pires (Angola)

(Ao poeta angolano Arlindo Barbeitos)

Naquele tempo
as crianças cantavam
na altura dos sonhos
o de mais sagrado

“por esta rua, ó domine
passeou meu bem, ó domine”

Quando as granadas
adormecem o vento
um coro de anjos
dentro da noite
tece o encanto
no tempo sem tempo

“por esta rua, ó domine
passeou meu bem ó domine
orai por mim, ó domine
e por mais alguém, ó dominé”

Por esta rua,
crianças de Angola
brincam de roda
numa perna só

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: Edições M.E Alternativa, 2001, p. 23.