Chamada para o Livro das Louva-Deusas

Imagem extraída do Google

Agô Yabás! O Coletivo de Mulheres negras Louva-deusas pede licença pra um chamado às mulheres negras do Brasil para compartilhar conosco seus escritos numa coletânea de textos literários que será lançado esse ano, com a nossa cara e a nossa chama.
A literatura negra feminina brasileira é arte e ação
As obras escritas por autoras negras brasileiras são significativas, não foram poucas e seus trabalhos revolucionaram a maneira de sentir e ser mulher negra a literatura. Dentre elas  Maria Firmina dos Rei, escritora de Úrsula publicada em 1859, Auta de Souza, autora do livro de poemas Horto publicado em 1900 que está atualmente na quinta edição; Antonieta de Barros, também conhecida por Maria da Ilha, que além de professora foi a primeira mulher catarinense a se eleger para uma cadeira da Assembléia Legislativa, autora de Farrapos de Idéias, publicado em 1937. Ruth Guimarães, autora de, entre outros, Água Funda, de 1943; Carolina Maria de Jesus, autora de, entre outros, Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960), livro que bateu todos os recordes de venda no mercado editorial nacional; Anajá Caetano, que escreveu Negra Efigênia: Paixão de Senhor Branco em 1966, tratando de temas como a escravidão e aspectos da cultura africana; Geni Guimaraes, autora de Terceiro Filho, publicado em 1979, Leite de Peito e A Cor da Ternura, de 1988 e 1989, respectivamente, e Maria Izabel Leme, autora de Ovelha Negra; Conceição Evaristo, poeta e romancista; Miriam Alves, Esmeralda Ribeiro, Graça Graúna, Sônia Fátima, Raquel Almeida, Maria Tereza, Cidinha da Silva; Dinha, Elizandra Souza, Pilar, e tantas outras escritoras que ainda não puderam publicar seus escritos.
Partindo dessa tradição, o Coletivo de Mulheres Negras Louva-deusas, através do Selo Editorial (…) lança chamada pública de escritos inéditos para publicação de uma coletânea de textos literários de autoria de mulheres negras, abrangendo poesias, contos e crônicas.
Quem pode participar?
Mulheres negras de qualquer faixa etária e de qualquer região do país, que não tenha trabalho literário publicado.
Critérios de inscrição:
1.Textos literários (poesia, conto ou crônica);
2.Cada autora deverá enviar uma mostra de seu trabalho;
2.1 Poesia: de 05 a 07 poemas;
2.2. Prosa: de 02 a 03 textos;
3. Formato: times 12, espaço 1,5.
4. Currículo resumido contendo dados pessoais, atividades profissionais e culturais desenvolvidas na comunidade; escolaridade, foto.
Os textos devem ser enviados para o e-mail: louva.deusas@yahoo.com.br

Data limite para envios dos textos: 30/06/2011

Chirley Pankará: uma migrante indígena em São Paulo

 Foto cedida por Chirley Pankará
“O tempo é nosso mestre e nos mostra os sinais; é o espírito que orienta a luta”, diz o Pankará; povo que habita a Serra do Arapuá, no município de Floresta (PE). Segundo as informações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em 2010, o número de indígenas Pankará é de 2.558; dessa população, muitos se viram obrigados a migrar para outras regiões em busca de emprego e melhores condições de vida. A respeito dessa situação, o Instituto Socioambiental mostra o seguinte:
As dificuldades típicas das camadas empobrecidas do sertão fazem com que os indígenas, apesar da forte ligação cultural e religiosa com o seu território, migrem para Floresta ou grandes centros como Recife e São Paulo em busca de oportunidade de trabalho. A baixa escolaridade e a falta de qualificação profissional os colocam em desvantagem no mercado de trabalho com um destino já conhecido: as periferias urbanas ou retorno à Serra.
(…)
Diante desse contexto, as estratégias encontradas pelos indígenas eram continuar se deslocando para locais de difícil acesso e trabalhar como agricultores, pagando a renda para os “proprietários” das terras ou altos impostos à prefeitura municipal, a exemplo das Serras Umã e Arapuá, uma vez que todo pedaço do território no Sertão do Pajeú já estava de posse dos grandes latifundiários, os mesmos que exercem hoje o domínio político e econômico na região.
Para falar a respeito desse deslocamento, o Blog Tecido de Vozes (Blog TV) entrevistou Chirley Maria de Souza Almeida Santos (37 anos) – uma migrante indígena Pankará que vive na cidade de Mauá/SP.
Faz tempo que ela deixou o Nordeste, mas todo ano (sempre que possível) revê os parentes da serra Arapuá, em Floresta (PE). Ela faz parte do CONAMI – Conselho Nacional de Mulheres Indígenas – um grupo que é composto por mulheres das etnias Apurinã, Terena, Baré, Pankara, Karajá, Wajãpi, Bororo e Kaingang.
 Mulheres  do CONAIN
Chirley cursou pedagogia na Faculdade de Mauá – FAMA. O tema do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) refere-se aos povos indígenas no livro didático. Ela é pesquisadora da CAPES, junto a PUC/SP; nessa instituição, o seu tema de trabalho é o indígena no ensino regular de Mauá/SP. Chirley é conselheira e secretaria do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, em Mauá/SP e representante indígena no consorcio ABC e que tem como suplente Heitor Kaiowá.  Em meio a tantas atividades, Chirley é contadora de histórias e coordena a educação infantil junto ao povo Guarani, nas aldeias Krukutu, Tenondé porã ( Parelheiros) e Tekoa pyau (Jaraguá). 
A propósito da Lei 11645/08, espero que esta conversa com a parente Chirley se converta em subsídio para o ensino da história e da cultura indígena. Mas independente dessa Lei, é importante não esquecer que o tempo é nosso mestre, como diz a parente Pankará,  e assim vamos vivendo, vestidos de coragem para seguir a luta…
 Chirley e o Cacique José Fernandes da aldeia Tekoa pyau do Jaraguá.
Blog TV No século XVIII, o Marques de Pombal proibiu que o idioma Tupi fosse usado. Se possível, fale dos resquícios desse idioma entre os Pankará.
CHIRLEY PANKARÁ O povo indígena do Nordeste – exceto o povo Fulni-ô –  perdeu a língua {de origem] por imposição; com o povo Pankará não foi diferente. Aquele que falasse o idioma indígena era considerado “diferente” pelo não-indígena, era logo ameaçado de ser cortada a sua língua, pois para eles [o não-indígena] o povo indígena estava tramando contra os mesmos, em código.  
Blog TV  Entre os milhares e milhares de nordestinos que migram para o Sul em busca de emprego, de melhores condições de vida, estão os Pankararu (PE), os Fulni-ô (PE), os Potiguara (RN e PB) e os Pataxó (BA), entre outros povos indígenas.  Com o seu povo acontece o mesmo. Sendo assim, como foi a sua trajetória, o seu deslocamento da sua aldeia, em Floresta (PE), até São Paulo?
CHIRLEY PANKARÁ Está é a realidade do nordestino que, por falta de emprego por causa da seca que castiga o sertão, se desloca de suas terras em busca de melhores condições de vida; muitos deixam suas famílias a espera de um retorno satisfatório. A maioria do nordestino vem para São Paulo, acreditando que, aqui, alcançará seus objetivos, o que não deixa de ser verdade para alguns; que é o meu caso. Vim de Floresta, em uma situação não boa; aqui, encontrei no início, dificuldade; mas hoje estou em uma situação bem melhor.
Blog TV  O que é ser indígena na cidade grande (em São Paulo, por exemplo)?
CHIRLEY PANKARÁ É complicado. As pessoas, em geral, são preconceituosas; vivem dizendo que indígenas só em aldeia, que desconhecem a presença de indígenas no contexto urbano. Esta é uma situação desagradável, é como se tivéssemos que viver provando, o tempo todo, a nossa presença.
Blog TV  Observando bem o lugar que nos cerca, sobretudo na cidade grande, dá pra ver um indígena em cada esquina. Você acha que é absurdo pensar dessa maneira?
CHIRLEY PANKARÁ Eu vejo sempre um parente, mesmo que ele não se identifique para mim, mas é possível sim, desde que possamos enxergar o indígena além da forma estereotipada.   
Blog TV  A constante referência que você faz à sabedoria da sua avó Maria Divina, da sua mãe Socorro e da sua tia Calu no trato com as ervas é uma característica da visão de mundo Pankará. Como você aplica esses ensinamentos, em meio ao seu corre-corre na vida acadêmica, no seu trabalho como educadora entre os guarani e na relação com o seu marido e as suas filhas, no seu cotidiano?
CHIRLEY PANKARÁÀs vezes, devido à correria, me guio por meios mais práticos como levar a criança ao hospital quando ela está com febre; coisa que se eu fosse seguir os ensinamentos da minha tradição, curaria em casa com nossas ervas e nossos rituais; mas sempre que  sobra um tempo, procuro educar as minhas filhas com base nos meus ensinamentos de infância: transmito a dança, o canto, as rezas,  ervas, as histórias e o respeito com todos, em especial o dizem os mais velhos e os professores. Eles sempre têm algo para nos ensinar. Às vezes, deixo de fazer coisas consideradas urgentes para este mundo não-indígena, com o intuito de me dedicar a educação de minhas filhas, o futuro delas depende muito de mim e de minha orientação.
Blog TV  No dia a dia com as suas filhas (Emily e Laissa), como é a conversa a respeito da saudade dos parentes Pankará, em Floresta?
CHIRLEY PANKARÁ Nossa, nem me fale… a saudade é grande, estamos sempre falando de Floresta e os hábitos naturais do mato, a mina filha Emily vive me pedindo para ir embora morar com minha mãe, mas não sei se vou conseguir deixar ela ir; sinto muita falta delas também. 
Blog TV   Você esteve na região amazônica enquanto bolsista colaboradora em uma pesquisa da PUC/São Paulo. Com base nessa experiência, o que mais chamou a sua atenção no contato com os parentes indígenas dessa região?
CHIRLEY PANKARÁ O interesse deles para estudar. Quando perguntei para eles o motivo de tanta vontade de aprender a ler e escrever na língua portuguesa, a resposta foi unânime: eles responderam que querem aprender a lidar com o não-indígena, saber defender os próprios direitos; pois quando qualquer antropólogo, pesquisador etc., entrar em suas terras eles vão saber tratar de forma igual, sem ser enganado ou roubado.
Blog TV O que você tem a dizer da sua experiência junto ao Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI)?
CHIRLEY PANKARÁ Como conselheira do CONAMI, tenho aprendido muito com as outras mulheres, lideranças que militam a muito tempo e sempre nos ensina a militar com sabedoria, saber buscar os nossos direitos e nos fortalecer juntas nesta luta, é sempre grandioso estar com elas em reunião, e creio que também tenho contribuído com o meu saber, tanto formal quanto informal.
Blog TV  A sua relação entre os Guarani é de muito respeito e carinho. A foto em que você aparece com o macaco chico ao lado do Cacique José Fernandes (aldeia Tekoa pyau) é um exemplo dessa harmonia. Pode comentar a respeito?
CHIRLEY PANKARÁ O povo Guarani me recebeu de braços abertos, eu me batizei entre eles e ganhei o nome de Ara Poty, tenho um carinho e respeito muito grande por eles e não vou permitir que ninguém os engane, estou na luta com eles ; são um povo que amo de paixão.
Blog TV  Com base na Lei 11645/08, você já ministrou algumas Oficinas. Que sugestões você daria aos educadores para uma abordagem mais operatória em torno do assunto?
CHIRLEY PANKARÁ Em primeiro lugar, digo que busquem uma formação continuada neste sentido; pois é fato a diversidade em sala de aula. Então, não se pode fechar os olhos. Nesse sentido, auxilio na questão de não procurar em sala de aula o rosto que por muitos anos apareceu em livros; que vejam as diferenças indígenas, as diferenças regionais, a língua, a cultura; que tenham em mente que somos mais ou menos 230 povos diferentes e falantes de 180 línguas e outros que perderam sua língua por imposição do não-indígena. Somos indígenas, somos diferentes, porém iguais em direitos. Por fim, procuro auxiliar com planos de aula que valorizem todas estas questões, para que não seja desenvolvido um plano de aula preconceituoso.       

Movimento por um Brasil literário

13º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens abre espaço 
para o Movimento por um Brasil literário 
 Este ano, o Salão FNLIJ do Livro pra Crianças e Jovens homenageia a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, formada por Angola, Brasil, Costa Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O objetivo é valorizar o idioma e a herança cultural que unem esses países, reforçando que o livro é um importante meio de difusão da linguagem e história de um povo. Especialistas em língua portuguesa, escritores e ilustradores participam do evento e dividem suas experiências com o público.
Entre as atividades do Salão este ano, o Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil discute, de 13 a 16 de junho: “Panorama da Literatura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: a variedade da Língua Portuguesa nos livros para crianças e jovens”; “Biblioteca da Escola: agora é lei” e “Escolas de leitores – Compartilhando aprendizagem”; No último dia, sedia o VIII Encontro Nacional de Autores Indígenas: Literatura e Resistência“. Estarão presentes no Seminário pesquisadores de diversos países, incluindo representantes de alguns países da CLPL (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), e escritores indígenas de diferentes etnias.
Em sua segunda participação no Salão, o Movimento por um Brasil literário terá um estande próprio. Nesse espaço, será possível conhecer e aderir ao Movimento, além de assistir ao documentário “A Palavra Conta”. Dirigido por Duto Sperry e Leonardo Gambera, o filme mostra a influência da literatura na vida das pessoas por meio de depoimentos captados em diferentes regiões do Brasil. Além do documentário, o Movimento apresentará no Salão sua campanha pelo direito à literatura. Produzida durante o ano passado pela Java 2G, a campanha apresenta vinhetas com depoimentos, mostrando um país que lê, se transforma e se emociona com a literatura, mas que também precisa percorrer um longo caminho para garantir o direito de acesso aos textos literários.
Para as crianças e jovens visitantes, o Salão terá uma biblioteca especial com lançamentos de livros, leituras e encontros com autores. As crianças poderão conhecer as histórias de Fabricio Carpinejar, Maria Clara Machado, Eva Furnari, entre outros autores. Para os jovens, as atividades incluem leituras de livros de Clarice Lispector, Pedro Karp, Angela Lago e Nilma Lacerda.
O espaço dedicado ao educador homenageará os 90 anos de Maria Clara Machado, com o lançamento de “Teatro infantil completo de Maria Clara Machado”. Outro importante momento será o lançamento de “Vermelho amargo”, do poeta mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, um dos idealizadores do Movimento por um Brasil literário, no dia 14, às 15h.
Os ilustradores também terão destaque no evento, com performances diárias ao vivo, no Espaço Petrobras do Ilustrador. Estarão presentes o escritor e ilustrador Roger Mello, vencedor do Prêmio FNLIJ 2001 na categoria Melhor Ilustração (Hors-Concours) pelo livro “Meninos do Mangue”, Anielizabeth, ilustradora dos livros “O pato que chocou” e “Um bifinho ou um salaminho?”,  e Guto Lins, autor dos livros “Mãe” e “Avô”.

O Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens acontece em novo local, ocupando o Centro de Convenções SulAmérica.
Serviço
Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens
De 7 a 17 de junho
Centro de Convenções SulAmérica – Av. Paulo de Frontin com Av. Pres. Vargas – Centro – RJ
site para outras informações: http://www.fnlij.org.br
Agendamento de visitas para escolas: visitacaoescolar@fnlij.org.br