Coordenadores Yanomami debatem formação de professores

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Representantes das regiões do Demini, Toototobi, Parawaú, Papiu, Kayanau, Alto Catrimani, Auaris e Missão Catrimani, participaram do 3º Encontro de coordenadores regionais, entre 14 e 25 de março, em Boa Vista, na sede da Hutukara Associação Yanomami.
Organizado pela Hutukara Associação Yanomami e o Instituto Socioambiental, o 3º Encontro de Coordenadores Regionais Yanomami de Educação foi voltado para discussão das políticas públicas de educação indígena e o encaminhamento das demandas das escolas Yanomami para o Estado de Roraima. Durante o encontro realizou-se também a capacitação em português instrumental, para que os coordenadores melhorem seu diálogo direto com os governos estadual e federal.
Reuniões e documentos foram elaborados, direcionados à Secretaria de Educação de Roraima (SECD), Ministério Público Federal, Ministério da Educação e Conselho Gestor do Território Etnoeducacional Yanomami e Ye´Kuana (TEEYY). Entre os temas discutidos destacaram-se:
– a certificação dos 18 professores formados em 2009 pelo Magistério Yarapiari;
– o reconhecimento oficial deste Magistério e sua continuidade;
– a averiguação do destino da verba direcionada pelo MEC para a formação de professores Yanomami;
– a pactuação do TEEYY e o cumprimento dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados entre o MPF, SECD, Funai e INEP, que abordam a execução do Censo Escolar 2011;
– o reconhecimento dos Projetos Político Pedagógicos (PPS) Yanomami e a realização dos Registros Administrativos de Nascimento Indígena.
Um dos resultados do encontro foi o ofício elaborado pelos coordenadores e o MPF, e por este encaminhado à SECD pedindo esclarecimentos sobre o andamento das tarefas previstas nos TACs. Um dia depois, a Secretaria de Educação solicitou aos Coordenadores Regionais a elaboração de um plano de trabalho para realização do Censo Escolar. Caso de fato ocorra, será a primeira vez que o censo se realizará com a presença em área dos técnicos da Secretaria.
Sobre o reconhecimento do Magistério Yarapiari e a certificação dos professores formados, foram realizadas reuniões com o Centro de Formação de Roraima (Ceforr) e o Conselho Estadual de Educação, onde diagnosticou-se que um dos motivos para a demora no processos de certificação é o fato de a auditoria de ensino e do Conselho Estadual – órgãos responsáveis dentro da SECD – tomarem por base legislações diferentes. Infelizmente não se chegou a um consenso para resolver o impasse.
Os professores Yanomami formados em 2009 pretendem continuar estudando e irão prestar vestibular na Universidade Federal de Roraima (UFRR), que não só conta com cursos específicos para os Indígenas, por meio do Instituto Inskiran, como possui vagas reservadas para estes povos nos cursos padrões. Os professores Yanomami esperam ter ingresso garantido na universidade.
Fonte: ISA, Vicente Albernaz Coelho.

Semana dos povos indígenas 2011

 
Memorial dos povos indígenas, Brasilia/DF. Imagem disponível no Google
Semana dos Povos Indígenas destaca proposta do Bem Viver
Texto: Karol Assunção (Jornalista da Adital)
“Vida para todos e para sempre: a Mãe Terra clama pelo Bem Viver”. É com esse tema que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) realiza, neste mês de abril, a Semana dos Povos Indígenas. A ideia é promover atividades em várias regiões do país para chamar atenção da sociedade para as lutas e reivindicações dos indígenas.
De acordo com Beatriz Catarina Maestri, antropóloga e agente do Cimi, o objetivo da semana é “sensibilizar a sociedade para com a causa indígena e contribuir com políticas públicas para as demandas dos povos indígenas”. Segundo ela, a semana acontece todos os anos com temáticas que se aproximam das destacadas pela Campanha da Fraternidade (CF).
Neste ano, por exemplo, em que o tema da CF é “Fraternidade e Vida no Planeta”, a Semana dos Povos Indígenas discute sobre o Bem Viver, modelo de vida adotado por eles. “O tema [da Semana] pretende propor a reflexão sobre os sistemas de vida experienciados por muitos povos na América Latina. O Bem Viver é o ensinamento cultivado pelos indígenas e é uma contraposição ao sistema capitalista”, explica, destacando que a perspectiva do Bem Viver é seguir um modelo de vida em harmonia com a sociedade e com a natureza.
Beatriz Catarina comenta que os povos indígenas no Brasil vivem “situações diferenciadas”, mas que possuem algumas lutas e demandas em comum. Uma delas é a ação em defesa da terra. “Muitos territórios são invadidos por fazendeiros, madeireiros e pelo agronegócio”, destaca.
Ela lembra o caso dos indígenas Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, os quais lutam há anos pela defesa de seu território e contra a criminalização de suas lideranças. “Eles lutam pela garantia de suas terras”, afirma, destacando que, assim como acontece com os Guarani Kaiowá, muitas comunidades indígenas estão em áreas pequenas que não comportam toda a população e ainda estão “rodeados de plantações do agronegócio”.
Entre os indígenas que moram em zonas urbanas, a principal reivindicação, segundo a agente do Cimi, é pelo reconhecimento. Isso porque, de acordo com ela, muitos não são reconhecidos como indígenas porque não vivem mais em aldeias. “[Ainda existe o pensamento que se] Saem das aldeias, não têm mais direitos [como indígenas]. Eles saem das aldeias, mas a cultura deles vem junto para a cidade”, ressalta, lembrando ainda outras demandas, como o direito à moradia e à saúde e educação diferenciados.
Outro ponto comum entre os indígenas brasileiros é a defesa do meio ambiente e o rechaço aos grandes projetos desenvolvimentistas, como a transposição do Rio São Francisco e as hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira; e de Belo Monte, no Rio Xingu. “São grandes projetos que causam destruição e morte que vão beneficiar o agronegócio e setores energéticos”, comenta.
De acordo com ela, esse modelo é o que faz parte da política atual e é rechaçado pelos indígenas, pois privilegia o “grande capital” em detrimento de indígenas e outras comunidades, como quilombolas e ribeirinhos. “Os indígenas questionam a política atual e mostram que é possível um outro modo de vida, o Bem Viver”, conclui.
Fonte:

Crianças: uma mensagem de Marcos Terena

Marcos Terena. Imagem no Google
Amigos, Parentes e Guerreiros.
Terminamos mais uma semana com saúde, alegria e vida.
 Nosso espírito de luta sempre aceso para os novos desafios e nossa solidariedade também.
 E um dos quadros mais tristes para a história da criança feliz como dizia aquela musiquinha, veio do Rio de Janeiro, Terra dos Tupinambá e futura sede dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo.
 Várias crianças foram sacrificadas sem saber o porquê e sem ter noção do que estava acontecendo, até que um Sargento da PM interrompeu essa série de assassinatos.
 Daí, nossa solidariedade a todos os que estão sofrendo pela morte dessas crianças.
 Nós Povos Indígenas aprendemos a ter noção da vida e do que significa viver bem dentro do nosso habitat tradicional. Lá nas aldeias sem qualquer interferência, criamos um círculo de vida com a Mãe Natureza para nosso fortalecimento físico e espiritual. Era o equilibrio para o bem viver.
 Hoje vemos que o mundo que nos chamou de selvagem e o Estado que nos trata como incapacitados não sabe cuidar de suas crianças e seus filhos, e isso nos preocupa porque em tudo, vemos a marca do chamado desenvolvimento. Para a ambição desses homens brancos, nada é impecilho, basta dizer quanto custa…. Mas quando o custo é a vida de uma criança, de uma mulher, de uma familia, de uma sociedade… quem paga a conta?
 As autoridades deveriam fazer uma meditação e aprender a ouvir os sinais da natureza.
 Durante a Semana dos Povos Indígenas agora em Abril, em vários encontros, vamos fazer uma homenagem aos filhos do homem branco que morrerram dentro de uma Escola, onde deveriam estar seguras… Pois eram parte do futuro do Brasil também.
 Saudações Indígenas.