El maltrato de la iglesia con los indígenas

El Códice de Iztacmixtitlan muestra el maltrato de la iglesia hacia los indígenas: Leander

El maltrato y trato discriminatorio que sufrieron los indígenas que vivieron a fines del siglo XVI, en México, por parte de los sacerdotes españoles, es uno de los testimonios que ha resguardado fielmente el Códice de Iztacmixtitlan, fechado en 1564 y encontrado en Puebla, dio a conocer la investigadora de origen sueco Birgitta Leander, considerada una de las grandes especialistas mundiales en el estudio de la escritura de los pueblos mesoamericanos.
Desde hace casi cinco siglos, ciertas prácticas de la represión oficial no han variado. Lo mismo que ocurrió en Puebla en el siglo XVI puede observarse a finales del XIX en otras partes del país y en las postrimerías del siglo XX en Chiapas.
En entrevista, expuso que en el Códice de Iztacmixtitlan se plasmó una rebelión de indígenas que huye del poblado conocido ahora como San Francisco Iztacmixtitlan –que perteneció al cacicazgo de Tetela–, porque no quería pagar tribuno a la iglesia ni hacerle trabajos forzosos.
Debido a ello, la autoridad eclesiástica organiza a otro grupo de indígenas que somete a los rebeldes, con violencia física y el incendio de sus viviendas, para obligarlos a regresar al pueblo y participar en la construcción de un monasterio.
De vuelta al pueblo, relató Leander, las víctimas atacaron a los curas y a los topiles (alguaciles indígenas) contratados con las consecuencias descritas en este códice. Según el expediente en náhuatl forma parte del proceso judicial al que fueron sometidos los rebeldes.
El texto pictográfico de tipo azteca, no trae comentarios ni en español ni en náhuatl, más que puras imágenes: un cura al que un indígena ensangrentado le jala el cordón que trae atado a la cintura.

Redactados con la escritura pictográfica prehispánica, pero en náhuatl, algunos códices tienen también comentarios escritos en la lengua española del siglo XVI. En algunos casos, como en el códice de Otlazpan, las acotaciones son tan amplias que permiten calificarlo como la “Piedra de roseta de los aztecas”.
En tanto, Birgitta Leander detalló que el Códice de Cuauhtitlan, de 1568, es un documento jurídico que presenta una queja de 13 indígenas por el maltrato sufrido por imposiciones de un español. La denuncia está dirigida a las autoridades coloniales y en ella se deja constancia del maltrato sufrido a manos de un español de alto rango que les ha obligado a construir y pintar una banqueta, sin haberles dado el dinero suficiente para comprar la pintura que les permita terminar el trabajo.
Como castigo por no haber terminado el trabajo, el español mandó a los 13 indígenas a la cárcel, donde los obliga a terminar la tarea. “El documento –destacó– constituye un testimonio de la inconformidad indígena con el trato que les daban algunos españoles, explotadores e injustos”.
A propósito del libro, que está a punto de entrar a la imprenta, Leander informó a La Jornada de Oriente que para octubre saldrá a la luz pública la interpretación de los cuatro códices precolombinos, en cinco tomos, a los que ha dedicado más de 30 años de investigación. Se trata de los códices de Tepexi (Hidalgo), Otlazpan (Hidalgo), Iztacmixtitlan (Puebla) y Cuauhtitlán (estado de México).
A Leander el gobierno de México le otorgó en 2003 la Orden del Águila Azteca, y ese mismo año recibió el Doctor Honoris Causa de la Universidad de las Américas (UDLA).
Finalmente, informó que ofrecerá un curso sobre “Códices mexicanos y pueblos indígenas del mundo”, en la Universidad Iberoamericana, campus Puebla, a partir del 8 de septiembre.

Nota
para publicar esta matéria neste blog recebi autorização de: 

Milhares de índios foram escravizados e dizimados durante o boom da borracha.

 Imagem: Adital

América do Sul: 100 anos da denúncia do horrendo tratamento dado aos indígenas. Milhares de índios foram escravizados e dizimados durante o boom da borracha.
© W Harden, Survival International
Survival pelos povos indígenas
Adital



© W Hardenburg

30 mil índios da Amazônia foram escravizados, torturados, violentados sexualmente e morreram de fome em apenas 12 anos, durante o boom da borracha, de acordo com um relatório histórico apresentado pelo investigador irlandês, Roger Casement, há 100 anos hoje.
Casement foi enviado pelo governo britânico para investigar crimes cometidos pela gigante empresa britânica de exploração de borracha, a Companhia Amazônia Peruana. Ele descobriu, “Os crimes praticados por muitos homens, agora a serviço da Companhia Amazônia Peruana, são do tipo mais cruéis, incluindo assassinatos, violações e flagelações constantes”.
Agentes da empresa detiveram dezenas de tribos indígenas na Amazônia ocidental para coletar borracha silvestre para os mercados europeu e americano. Em poucas décadas, muitas das tribos foram totalmente eliminadas.
Grande parte dos detalhes desse episódio horroroso foi esquecido, mas para os descendentes dos sobreviventes do boom da borracha, é impossível de ignorar a realidade da continua ‘colheita da floresta’.
Os índios isolados, vistos em novas imagens impressionantes no mês passado, são provavelmente descendentes de sobreviventes do boom da borracha, enquanto nas proximidades outra “colheita da floresta” está acontecendo em territórios de tribos isoladas. Madeireiros ilegais, impulsionados pelo elevado valor de madeiras ameaçadas de extinção, estão pressionando ainda mais seus lares na floresta remota.
Uma organização de conservação dos EUA, Upper Amazonas Conservancy (UAC), documentou acampamentos ilegais de madeiraras em áreas habitadas pelos índios isolados da tribo Murunahua no Peru apenas seis meses atrás. No entanto, segundo um comunicado do ministro do Meio Ambiente do Peru na semana passada, o governo tem registro de quase 100% de controle. “Cada árvore de mogno que é cortada hoje é geo-referenciada e controlada”.
O porta-voz da UAC, Chris Fagan, disse a Survival, ‘A declaração do ministro é 100% errada. A maioria do mogno continua a ser cortado em áreas protegidas ou em terras indígenas no Peru de forma ilegal, sem aderir a planos de gestão adequados.’
O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘Onde há dinheiro a ser feito na Amazônia, seja para cortá-la ou tomar suas riquezas enquanto a deixam em pé, tribos indígenas acabam mortas. Essa foi a história de uma centena de anos atrás, e é a história de hoje. Um século de declarações de direitos humanos e inúmeros planos elaborados para salvar a floresta, não fizeram muita diferença; eles não farão até o momento que os índios, quem são os donos das terras, sejam colocados no centro do debate. Eles provaram ao longo dos anos que eles são de longe os melhores guardiões de sua própria terra’.

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Nota da Adital
Leia sobre esta historia na página Survival na internet (em espanhol): http://www.survival.es/noticias/7094
Para mais informações e imagens, por favor entre em contato com Miriam Ross (em inglês e português) no telefone (+44) (0)20 7687 8734 ou (+44) (0)7504 543 367 ou por email mr@survivalinternational.org

Indígenas de Pernambuco preservam identidade e costumes

 Grupo Fehtxa Fulni-ô
 
Fonte:
Marcelo Manzatti , Clipping da 6ª CCR do MPF e Gazeta de Alagoas (Patricia bastos – reporter)
Idioma Yaathe é ensinado na escola da tribo desde o Ensino Infantil
          Águas Belas (PE) – Apesar de viverem a uma pequena distância de Alagoas, os índios Fulni-Ô, de Águas Belas, em Pernambuco, vivem uma realidade muito diferente das tribos indígenas alagoanas, que ainda lutam pela demarcação das terras e em alguns casos até para serem reconhecidas. A aldeia Fulni-Ô fica ligada à cidade e em quase nada lembra as imagens de tribos indígenas que costumam ser retratadas na televisão.
          Mas mesmo vivendo em casas de alvenaria, muitos estudando ou trabalhando fora, os Fulni-Ô mantém a identidade indígena. Durante três meses do ano eles realizam o Ouricuri, ritual sagrado, que é feito em outra parte da aldeia e as crianças, desde muito pequenas, são acostumadas com os rituais e as danças da tribo, mesmo através de gravações de vídeo. Além disso, o idioma Yaathe é ensinado na escola da tribo desde o Ensino Infantil. De acordo com os próprios índios, nenhuma outra tribo de Pernambuco mantém seu idioma original. “Sou capaz de fazer o que você faz e ser o que você é, mas você jamais poderá ser o que sou”, resume o índio Wilmer Correia Casemiro, formado em Direito e que exerce advocacia na cidade. Assim como ele, muitos filhos da nação Fulni-Ô deixam a tribo para fazer faculdade. Mas após completar os estudos, todos voltam para sua “terra-mãe”.
Relação com homem branco em estado de tensão
          Águas Belas (PE) – A harmonia entre os habitantes da tribo Fulni-Ô, contudo, praticamente acaba quando se fala sobre relação dos índios com a vida fora da aldeia. A filha do cacique, Maristela de Albuquerque Santos, coordenadora-geral da escola indígena Fulni-Ô, afirma que o relacionamento entre a tribo e a cidade está em constante estado de tensão.
          “Os prefeitos que passaram por Águas Belas sempre usaram o índio para justificar a inoperância deles. Eles dizem que não podem trabalhar para fazer a cidade crescer por nossa culpa, porque a gente não deixa. Mas isso não é verdade. Antes das eleições, todos os candidatos vêm até a aldeia fazer promessas e dizem que vão trabalhar em harmonia com a tribo. Depois da eleição, eles esquecem tudo”, reclama.
Esse constante estado de tensão se deve tanto ao preconceito contra os índios, quando à questão da terra.
          O “Anjo das pernas tortas” saiu da tribo Fulni-Ô Águas Belas (PE) – Além de falar sobre a bravura dos antepassados na Guerra do Paraguai e na luta contra os coronéis na região, os Fulni-Ô se orgulham também de um indígena saído da tribo, cujo nome ficou conhecido internacionalmente no futebol: Mané Garrincha. “Muita gente ainda acredita que o Garrincha nasceu na periferia do Rio de Janeiro, só a partir da biografia do escritor Ruy Castro é que as pessoas passaram a acreditar que o “Anjo das Pernas Tortas” era Fulni-Ô”, afirma o índio Clodomiro Tafkeá. Ele conta que o menino Manoel dos Santos viveu na tribo até os 11 anos de idade e foi embora com a família para o Rio de Janeiro, num carro de boi, em busca de melhores condições de vida.
Eles ganham o mercado de trabalho na cidade
          Águas Belas (PE) – Enquanto outros indígenas não ficam conhecidos no futebol, outros jovens Fulni-Ô buscam outras áreas de trabalho dominadas pelos “não-índios”. Entre os moradores da aldeia de Águas Belas há professores com curso superior, advogado, administradora de empresa, fisioterapeuta, entre outros. Há também muitos jovens estudando em escolas técnicas em regime de internato e cursando universidades públicas em Recife.
          “A gente faz isso por uma questão de sobrevivência. Não há condições dos índios viverem como antigamente, já faz muito tempo que não há mais caça nessa região, e o rio agora existe apenas durante alguns meses do ano. Para sobreviver, precisa deixar a sua aldeia para aprender a profissão do branco”, justifica o advogado Wilmer Correia Casemiro.

Imagem disponível em:
http://festivalcocodetore.blogspot.com