Via-Crucis

Imagem Google.
Estações paralelas:
inflação, tiros e quedas
favela-fato-novela
flagelo, fome, espera
capítulos em preto e branco
reviravoltas no estômago
lenta agonia, queimor
ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM

Do povo crucificado
tem piedade, senhor.
A caminho do calvário
a minha gente faminta
só abocanha fartura
apetitosa em out-door

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 41 [prefácio de Leila Miccolis]

Nota: a foto (publicada no Jornal O Povo online, em março de 2008) mostra a encenação da via-sacra feita por mais de quatrocentos meninos, cada um representando uma criança que vive nas ruas de Fortaleza.
Poema publicado no Overmundo com 121 votos.

Nem mais, nem menos

Imagem Google. Lua e Sol

Um homem, uma mulher
são o que são:
palimpsestos
pássaros
deuses
mágicos
videntes
astro/estrela
de Altamira à Lascoux
Asteca
Pankararu
Fulni-ô
Xavante
Potiguara, quem sabe?
Íntimos irmãos da terra
salvaguardam o limo das pedras
o voo dos peixes
e os sagrados rios
navegáveis

Graça Graúna (indígena ptigara/RN), 28.mar.2009

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 40 [com prefácio de Leila Miccolis].
Nota: poema publicado no Overmundo com 127 votos.

Plegaria

Imagem Google. Poetas-cantores chilenos: Victor Jara, Violeta Parra e Gato Alquinta

Vuelvo a escuchar
la voz caliente
y el peregrino canto
que vence el tiempo

Victor y Violeta

– gracias a la vida
– mis manos son lo único que tengo

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ:Blocos Editora, 1999, p.37.
Nota: poema publicado no Overmundo com 112 votos.