Crianças de Angola

Imagem Google. Sombras da guerra, de Carlos Pires (Angola)

(Ao poeta angolano Arlindo Barbeitos)

Naquele tempo
as crianças cantavam
na altura dos sonhos
o de mais sagrado

“por esta rua, ó domine
passeou meu bem, ó domine”

Quando as granadas
adormecem o vento
um coro de anjos
dentro da noite
tece o encanto
no tempo sem tempo

“por esta rua, ó domine
passeou meu bem ó domine
orai por mim, ó domine
e por mais alguém, ó dominé”

Por esta rua,
crianças de Angola
brincam de roda
numa perna só

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: Edições M.E Alternativa, 2001, p. 23.

Mais um prêmio

Vej@Blog Seleção dos melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br/
Parabéns pelo excelente Site! [ Graça Graúna ]
Você está fazendo parte da melhor e maior seleção de Blogs/Sites do País!!! – Só Sites e Blogs premiados -Selecionado pela nossa equipe, você está agora entre os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!- Parabenizamos pelo ótimo trabalho! -Confira o seu link no item:” Blog “http://www.vejablog.com.br/blog– Os links encontram-se rigorosamente em ordem alfabética. Um abraço, Dário Dutra

Para enfeitar o Natal

Desenho de José Pádua. Imagem extraída do Google. 

I
Poemas de Natal
deviam se de alegria,
mas por força do ofício
ponteio em litania

II
Pegue o viaduto
vá na contramão
em cada esquina um presépio
em construção

III
Nasceu um menino
sem “Alegria dos homens”
sem espera, sem abrigo
sem lampejos e encantos

IV
Nasceu um menino!
sequer tive tempo
de escovar os cabelos
de chegar ao cinema
de checar os e-mails
de acompanhar os eventos
de acender as velas
e agradecer os presentes
dos amigos secretos

V
Yes
natal
que é natal
tem que ter estrela
bem no topo da árvore
de preferência banhada de
purpurina. Enfeites, efeitos,
grifes, beijinhos, velas, guardanapos,
vídeos, cds, framboesas, cartões de crédito,
postais e poemas que não falem do absurdo presépio
sob o viaduto
em construção

VI
Yes, Sir.
Meu poema de Natal
foi levado pelo vento
para fazer companhia
às almas no esquecimento

VII
Pra longe foi meu poema
lavrado pelo sereno
da noite para espantar
as barricadas da fome
nos quatro cantos do vento

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.50-53

No site Overmundo, este poema recebeu 267 votos.