"Nem mais, nem menos" e "as coisas como elas são" no carnaval de Salvador

Meus mais que queridíssimos parentes: Graúna, Eliane e Tiago, salve!
Motivo desta mensagem: Suas poesias nos 4 dias de Carnaval de Salvador 2015.
Tomara que gostem tanto quanto eu e o Douglas de Almeida!
Beijos e abraços intensos!!!
Bure’du po’o!
(Língua Kiriri, também falada pelos Payayá. Tradução em Português: “Muito obrigado!”).

Ademario Ribeiro – Mestrando em Educação na Facultad de Educación y de Comunicación Social de la Universidad del Salvador (USAL). Lattes: http://lattes.cnpq.br/4581435813718411 Blog: http://ademarioar.blogspot.com
 
 
 

Flor da mata: poesia indígena

“Ô caboclo lindo
Que anda fazendo aqui?
Eu ando por terra alheia
Procurando por minha ciência.”
(Canto Kariri-Xocó)
          À luz do canto Kariri, nem é preciso dizer que o cantar acompanhado de um pisar forte ao som das maracas faz do toré uma ciência. Essa manifestação sagrada está no ser e no viver dos indígenas da Região Nordeste. Sua poesia vem dos ancestrais e se alastra como um bem precioso na mente e no coração dos Filhos da Terra; uma ciência que dá resistência, mesmo quando o ser indígena se vê meio deslocado em terra alheia.
          Entre os Xukuru de Ororubá (Pesqueira/PE), por exemplo, o toré ganhou novos significados a partir da liderança do Cacique “Xicão”; novos significados ou um toque mais moderno que algumas mulheres do povo Xukuru revelam ao enfeitar os seus trajes e adereços com flores, de maneira que isso não as impede de usar vestimentas feitas da palha de milho, da palha de coco e das penas de aves; pois este é um costume que vem dos antepassados.
          Minha intuição diz que a flor – entre os adereços agora presentes no toré – sugere ao mesmo tempo a leveza e a força que vem da Mãe-Terra; leveza e força que o “haijin” (fazedor de haikai) também necessita parao haikai acontecer. Pensando assim, espero que este livro seja também veículo de comunicação entre os amantes da poesia, pois enquanto houver poesia existirá comunicação entre os “encantados” e os participantes do Toré.
          O segundo motivo que me levou a escrever esta pequena apresentação remete à boa lembrança que eu guardo do ensaísta Antonio Fernando Viana, do qual fui aluna na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde ele ministrou Literatura Comparada nos Cursos de Pós- Graduação em Letras. Recordo das muitas vezes em que ele me convidou a participar dos encontros e/ou caravanas literárias que ele organizou junto ao Núcleo de Programas Educacionais e Culturais (NUPEC/UFPE). Sendo assim, ao abrigo das boas palavras de Antonio Viana, tomo a liberdade de transcrever, aqui, um fragmento da resenha que ele fez acerca do meu livro “Canto Mestizo” (1999); essa resenha consta dos Anais do “I Encontro de Cultura Nordestina: do aboiar do vaqueiro à cadência do frevo”, realizado em 2000, na FABEJA, em Belo Jardim (PE).
         Faz alguns anos que Antonio Viana nos deixou, mas a saudade fica de tal forma que as suas palavras dão mostra do ser sensível que compartilhou a riqueza de sua alma para aproximar os possíveis leitores dos meus quase haicais. Que assim seja e com a palavra, Antonio:

 

[..] Tentarei expressar nestas palavras minha surpresa e meu encanto ao descobrir a poesia de Graça Graúna […] vemos a autora mostrando- se como um haijin (poeta de haicai), unindo simplicidade, sensibilidade e sabedoria, em poemetos concisos, em três versos, como o faziam os antigos haicaístas. Fiel à estética e aos princípios desta forma poética, a autora cristaliza a instantaneidade do momento, a transitoriedade do sentimento, assim como a fugacidade do tempo através de imagens do dia, palavras, cores e sons do cotidiano, da maneira mais simples possível, como deve realmente ser um belo e autentico haicai. Aqui captamos toda a emoção, a sensação e o sentimento da poetisa apresentados como uma espécie de convite a um diálogo e encontro maior com a sua poesia […] (VIANA, 2000, p. 85-86).

Nordeste do Brasil, abril de 2014 
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

 
GRAÚNA, Graça. Flor da mata. Belo Horizonte: Penninha Edições,  2014.
ISBN: 978-85-67265-08-7

1. Poesia brasileira. 2. Poesia indígena.
Ilustração: Carmen Barbi
Capa: Letícia Santana Gomes

Contato: teardapalavra@gmail.com

Flupp: Todos somos índios, exceto quem não é índio"

3ª FLUPP – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DAS PERIFERIAS

Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, BNDES e Petrobras apresentam a terceira edição da FLUPP – Festa Literária Internacional das Periferias, a maior do país voltada para as comunidades, terá terceira edição na Mangueira.
Na programação de 12 a 16 de novembro, a Escola de Artes Técnicas Luís Carlos Ripper será sede de inúmeras atividades. Confira a programação completa do evento AQUI.
Convidados de muitos países (Brasil, Alemanha, Colômbia, França, Costa Rica, EUA, Camarões, Inglaterra, Espanha, Nigéria, Holanda, Argentina, Bélgica, Suiça, Portugal, Costa do Marfim, México, Itália e Bósnia) participarão como convidados da programação atual, que celebra o centenário do escritor, artista plástico, teatrólogo, político, poeta, ativista pelos direitos humanos e pelo legado afrodescendente no Brasil Abdias Nascimento.
Dolores Prades é uma das curadores da versão voltada para crianças e jovens: a FLUPP Parque. Da sua programação, além do associado da SIB Mauricio Negroque participará de duas atividades, também estarão presentes Eliane Potiguara, Betty Mindlin, Gabriela Romeu, Ailton Krenak, Edson Kayapó, Graça GraúnaAlberto Mussa, Joel Rufino dos Santos, Délcio Teoblado, Chris Redmond, Marie Anges Bordas, Zak’ Olili, Commikk MG, D’ de Kabal, Chibundu Onuzo, Dome Bulfaro, Hannah Walker, Atilola Moronfolu, Daniël Vis, Laura Sam, Samuel Borges, Denis Merklen, Carlos Sandoval, Sérgio Sá Leitão, Leonora Miano, Allan da Rosa, Diego Bianchi, Kiusam de Oliveira, Heloisa Pires, Roberta Estrela D’Alva, Enrique Coimbra, Felipe Boaventura e muitos outros artistas. 
Teve início no último dia 15 de setembro o Circuito FLUPP Parque, que consiste na leitura dramatizada, em escolas da rede municipal do Rio de Janeiro, de livros dos autores que em novembro participarão da festa propriamente dita. A primeira das dez unidades visitadas, todas elas no entorno da Mangueira, foi a Marechal Trompowsky, na parte da manhã. À tarde, foi a vez da escola Alice do Amaral Peixoto. As leituras foram feitas pela Cia. Completa Mente Solta, dirigida pelo misto de ator, dançarino e escritor Marcio Januário, uma das revelações das duas primeiras FLUPP Pensa.
Cinco livros foram lidos ao longo do dia: O Mundo no Black Power de Tayó, de Kiusam de Oliveira, Histórias de Preta e Uma Semente que Veio da África, de Heloísa Pires, A Palavra do Grande Chefe, de Daniel Munduruku e Mauricio Negro, e Quem não Gosta de Fruta é Xarope, de Mauricio Negro, também ilustrador do livro de Munduruku. Outros 15 livros serão lidos até o dia 17 de outubro, quando será feita a leitura de Pivetim, do romancista Délcio Teobaldo, na FAETEC Unidade Maracanã.  Os livros são deixados na escola e os agentes de leitura são estimulados a trabalhar esses autores em sala de aula.
Esta é a terceira edição do Circuito FLUPP Parque, que nos anos anteriores se chamava Trancinhas de Histórias. Entre as mudanças em relação aos anos anteriores está o fato de que o circuito vai além da ideia de formação de plateia, ainda que ela seja mantida na leitura dos 30 autores do universo infantil e juvenil que invadirão as salas da Escola de Artes Técnicas Luiz Carlos Ripper, na FAETEC da Mangueira, do dia 12 a 16 novembro. Quatro mesas realizadas na Biblioteca Parque do Estado, cujo público principal foi de professores da rede, tiveram como objetivo inspirar os professores a escreverem histórias que, depois de publicadas, eles próprios possam utilizar em sala de aula.
Outra mudança importante é que, neste ano, as leituras estão sendo feitas em escolas próximas à Mangueira, cuja clientela em sua maioria é de crianças e adolescentes da própria comunidade. Isso facilitará sobremaneira a comunicação da FLUPP, na medida em que desde já as famílias do entorno estão sabendo de nossa festa literária.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Flupp.