Sem Poesia a vida é insustentável

Fonte: Clevane Pessoa e Brenda Marques
Lançamento da antologia Nós da Poesia + 20 Nosotros organizada pelo Imel reúne poetas de vinte países da América Latina, África, Europa e etnias indígenas.
 Com este tema, o IMEL – Instituto Imersão Latina, juntamente com a APPERJ – Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, Soy Loco Por Ti, do Paraná, Comitê Mineiro da Cúpula dos Povos e Ciranda, celebram a diversidade cultural na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. O lançamento do livro Nós da Poesia  + 20 Nosotros, organizado pelo Imel será no dia 18 , próxima segunda-feira, às 14 horas, no aterro do Flamengo, tenda 28 (Patrick Lumumba), no Rio de Janeiro. E na quarta, 20 de junho, dia de abertura da Conferência da ONU Rio + 20, poetas participantes do projeto Nós da Poesia fazem um sarau às 19 horas, no Quiosque Estrela de Luz, na praia do Leme.
 A atividade na Cúpula dos Povos terá várias apresentações culturais e performáticas com os grupos: Nós da Poesia, URBANOSEMCAUSA (Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho); Poeta saia da gaveta (Teresa Drummond e Neudemar Sant’Anna); Poesia, você está na Barra (Aluizio Rezende,Mariangela Mangia, Rinaldo Leite e Vânia Moraes); Poetas sem fronteiras (Eurídice Hespanhol e Jorge Ventura), Poesia a estiBordo (Diana Balis); Grupo Poesia Simplesmente (Laura Esteves, Angela Carrocino, Delayne Brasil e Silvio Ribeiro de Castro).
 A coordenação geral da atividade é de Brenda Marques Pena, presidente do Instituto Imersão Latina, criado há 6 anos em Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de reunir as vozes de ativistas da América Latina pela democratização da comunicação, direito dos povos e promoção de eventos de artes integradas.
 Imersão Latina
O Instituto Imersão Latina é uma associação de escritores, jornalistas, produtores culturais, pesquisadores e artistas independentes, formada por ativistas que se preocupam em defender e mostrar toda a diversidade cultural, ambiental e de idéias da América Latina. Entre suas atividades permanentes estão a realização de eventos de artes-integradas (música, literatura, vídeo e artes cênicas) e da cultura digital.
O IMEL mantém um portal www.imersaolatina.com, um blog www.imersaolatina.blogspot.come uma rede com a participação de pessoas de várias países.
Nós da Poesia
O Projeto Nós da Poesia, do Instituto Imersão Latina (Imel), visa o incentivo à leitura, circulação literária e publicação de livros cooperativos. O volume 1 foi publicado em 2009, e hoje já na terceira edição, o projeto reúne mais de 100 poetas, incluindo sempre o Destaque Criança não é Brinquedo.
Todos os poetas selecionados para a antologia poética “Nós da Poesia + 20 Nosotros” ganharam uma página em português e uma em espanhol na publicação do projeto, que será lançado nos dias 18 de junho, na Cúpula dos Povos, e 20 de junho, na abertura da Rio + 20, Conferência Mundial da ONU. Participam da iniciativa poetas de mais de 20 países da América Latina, além de Espanha, Canadá e São Thomé e Príncipe (África). Também há destaques para as duas crianças indígenas, duas crianças e uma poetisa com síndrome de Down. Assim, a publicação mostra a Diversidade Cultural dos Povos por meio da poesia.  “Esta é uma forma de ressaltar que sem poesia a vida é insustentável e não há sustentabilidade possível no planeta, sem aprendermos a respeitar as diferenças e valorizar a diversidade cultural”, aponta a presidente do Imel e organizadora da antologia, Brenda Marques Pena.
O projeto já circulou por várias cidades do Brasil e da América Latina, em Bienais de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, feiras e encontros literários tradicionais como o Psiu Poético, em Montes Claros, o Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves, os Jogos Florais de Montevidéu (Uruguai), organizados pelo Movimento aBrace e o Buenos Aires Poesia, realizado na Argentina pelo Grupo Pretextos.”Brenda Marques Pena.
Para saber mais sobre o projeto Nós da Poesia, do Instituto Imersão Latina e ficar por dentro de nossa programação, acesse: http://nosdapoesia.blogspot.com

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Mais informações:
Aproveito e acrescento o nome dos poetas participantes:
Editoração e impressão:
Hímpeto Editorial
Organização: Brenda Marques Pena
Instituto Imersão Latina
Capa e ilustração de poemas: Iara Abreu
Contra-capa: Poemagem de Jaak Bosmans
Arte final: Beto Ferris
Tradução do português para o espanhol: Brenda Marques
Tradução do espanhol para o português: Clevane Pessoa
Revisão do português: Bilá Bernardes
Revisão do espanhol: Iván Verdugo.

AUTORES:
Alfred Asís, Ametista Nunes, Angela Togeiro, Annabel Villar,
Avelin Rosana, Bilá Bernardes, Brenda Mar(que)s Pena, Carlos
Roldán, Cláudio Márcio Barbosa, Clemente Padín, Clevane
Pessoa, Conceição Lima, Daniel de Cullá, Dinorá Couto
(BRASIL), Efraim Bartolomé, Ênio Poeta (BRASIL), Enrique
Godoy Duran, Enrique Hernández-D’Jesús, Gianluca Pereira
Souza, Gioconda Belli, Glória Dávila, Glória Gutiérres Ortiz,
Graça Graúna, Gustavo Ramirez, Helenice Rocha, Helen
Novais, Isabel Vargas, Isabelle Cavalheiro de Melo, Iván
Verdugo, João Manoel Lourenço, José Estanislau Filho, Juan
Disante Luiz Gonzaga Marcelino, Marcos Fabrício Silva, Maria
Eugênia, Maria Inez Fontes Ricco (MIFORI), Marta Reis, Meire
dos Santos, Nela Rio, Noeme Rocha da Silva, Norália de Mello
Castro, Olinda Beja, Pâmilla Vilas Boas, Paz Cerrillo, Rogério
Salgado, Severino Iabá, Solange Passos, Stela Lima Lombardi,
Tereza Lúcia Avelar e Virgilene Araújo.——————

Para mim , foi uma honra e uma alegria  traduzir  para nosso idioma os poemas latino -americanos , ler o Português tradicional nos  afro-portugueses  e o Espanhol da Espanha.As raízes latinas, bem firmes!e constatar a diversidade dos autores:crianças do Projeto Pão e Poesia (Contagem-MG), uma poeta adolescente PNE (Síndrome de Down), uma deficiente visual , indígenas brasileiros e latinos, entre várias linguagens e vôos outros da palavra poética, sobre Poesia & Sustentabilidade.
Registro ainda o prazer de ler os textos de Rodrigo Starling  , Roberto Bianchi, Nina Reis (ambos diretores do Movimento Cultural aBrace) ,  e da coordenadora Brenda Mars(Presidente do IMEL) , Conde Thiago de Menezes (Presidente da FALASP)  (prefácios, prólogos, textos elucidativos e orelha e de escrever uma micro homenagem ao saudoso poeta-prosador Luiz Lyrio  (ler em meu blog) http://www.clevanepessoa.net/blog.php?idb=32532
Clevane Pessoa

Literatura indígena contra os moinhos de Dom Quixote

 
Armando Romanelli (1945)
Dom Quixote e os Moinhos – A.S.T. – 100 x 100 cm – 2005

(imagem extraída do Google)
por Daniel Munduruku
Abril costuma ser um mês bastante importante para a divulgação da questão indígena em terras brasileiras (antes dir-se-ia: em terras Tupinikim). Eventos ocorrem em todos os quadrantes para lembrar à sociedade que aqui sobrevivem teimosamente 250 povos tradicionais, falantes de aproximadamente 180 línguas e que ocupam 13% do território nacional. Foram eventos políticos, culturais ou educativos necessários para se quebrar estereótipos e conceitos preconcebidos que já perduram há centenas de anos na cabeça do brasileiro.
Não à toa a mídia ocupou parte de seu horário para falar sobre o tema. Nem sempre boas notícias. Ou melhor, quase nunca. A sociedade brasileira foi bombardeada por inúmeras notícias parciais sobre invasões de terras ou prédios públicos por parte dos indígenas. As versões eram sempre das “vítimas” consultadas. Raramente a palavra era dada aos “invasores” reforçando a falsa idéia de que os “índios” são baderneiros, violentos, insensíveis.
Xingu foi uma rara exceção nos noticiários. Todos exaltaram as qualidades do filme que retrata a saga dos irmãos Villas-Boas, autênticos heróis contemporâneos. O filme, parece, não decolou para o desespero de seus produtores. Impressão ruim de que “os brasileiros não gostam de índio”, como afirmava Darcy Ribeiro. Nem todos, penso eu. Tenho alguma esperança. Parte dela me é dada pela literatura.
Dentro do universo da literatura – que nos interessa aqui – os eventos realizados durante abril e começo de maio nos reforçam a esperança de que estamos num caminho que pode fazer mudar este quadro pintado pela história colonial brasileira e reproduzido pela imprensa.
Desde o começo do mês realizamos uma caravana literária, batizada Mekukradjá, palavra da língua Kaiapó que quer dizer transmissão de saberes. É um projeto que já tem estrada, pois começou no ano de 2011 e promete seguir adiante. Naquele ano passou por Manaus/AM, Cananéia/SP e Peruíbe/SP, graças ao apoio da Funarte através da saudosa bolsa de difusão literária. Este ano – graças ao apoio incondicional do Instituto C&A – passou pela cidade de Lorena, interior de São Paulo e Rio de Janeiro, onde juntou-se ao Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens e ali organizou o 9º. Encontro de Escritores e Artistas Indígenas; organizou, na UERJ, exposição de obras de artistas indígenas do Amazonas e Roraima; dialogou com estudantes da PUC/RJ; palestrou para imortais da ABL através da fala da indígena potiguara Graça Graúna; banqueteou-se através do sarau lítero-musical nos jardins da Biblioteca Nacional; falou das linguagens literárias na Escola de Cinema Darcy Ribeiro  e finalizou realizando o “1º. Caxiri na Cuia – Colóquios sobre Literatura Indígena” em parceria com a Universidade Federal de São Carlos através do Grupo de Pesquisa Linguagens, Etnicidades e Estilos em Transição, coordenado pela professora Maria Silvia Cintra Martins. Foram, portanto, eventos que atingiram crianças, jovens, educadores, acadêmicos, universitários e o público em geral. Foram momentos emocionantes e esperançosos para todos nós.
Além dessas ações que foram organizadas e protagonizadas pelos próprios indígenas – tentativa sempre louvável de ser fazer ouvir/ler – outros eventos ocorreram em que a Literatura Indígena se fez presente como a Feira do Livro de Bogotá, Bienal Nacional do Livro de Brasília, Bienal do Livro do Amazonas, Conferência Internacional de Empreendedorismo Indígena e a Feira do Livro de Atibaia. Não foram poucas as ações em um único mês. E quem as noticiou? Quem lembrou de colocar uma “notinha” nos jornais? Quem teve interesse em acompanhar a luta do pequeno Davi contra o grande Golias? Quem viu dom Quixote lutando contra os moinhos de vento?
Aqui não cabe uma crítica, mas uma constatação: somos mesmos sobreviventes. E vamos continuar…e não por teimosia, mas por respeito ao sacrifício de nossos antepassados. Ser teimoso não é um dom, ter respeito à memória é.
Sinceros agradecimentos a todos/as que fizeram a Literatura Indígena assumir seu protagonismo dentro da sociedade brasileira. São muitos os nomes e por isso fica meu abraço fraterno ao Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn – que reúne, congrega, integra, difunde, apóia e incentiva a difusão da literatura indígena
Nota: o texto (Litratura indigena…) foi publicado neste blog com a devida autorização do autor.

ABL abre seu Seminário Brasil, brasis de 2012 com o tema "O índio no Brasil contemporâneo"

Notícias

         
A Academia Brasileira de Letras abriu sua série de Seminários Brasil, brasis de 2012 com o tema O índio no Brasil contemporâneo, propondo debater a autonomia indígena numa sociedade em transformação. A coordenação foi do Acadêmico Domício Proença Filho, Primeiro-Secretário da ABL. Os palestrantes foram os professores Graça Graúna, de origem potiguara, e José Ribamar Bessa Freire. O evento aconteceu no dia 26 de abril, quinta-feira, às 17:30h, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na sede da  ABL, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.

O debate envolveu acadêmicos, os professores convidados e personalidades ligadas ao tema. A proposta foi responder a questões como a história e a cultura indígenas no país; o que significa ser razoavelmente integrado, tratando-se do índio; a literatura indígena contemporânea; quantos e atualmente e quem são os índios brasileiros; o trabalho da Funai; e outros assuntos relacionados.

O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.
Saiba mais
Graça Graúna é escritora, educadora com graduação, bacharelado, especialização, mestrado e doutorado em Letras, pela Universidade Federal de Pernambuco. Fez pós-doutorado na Umesp, em Literatura, Educação e Direitos indígenas. Também é professora adjunta concursada da Universidade de Pernambuco. Entre os livros que publicou estão Direitos humanos em movimento (organizadora); Criaturas de Nanderu (narrativa infantojuvenil); e os livros de poemas Tear da palavra; Tecituras da terra; e Canto mestiço. Participa ainda de antologias poéticas no Brasil e no exterior.
Professor normalista pelo Instituto de Educação do Amazonas, José Ribamar Bessa Freire é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez especialização em Sociologie du Développement pelo IRFED, França, onde cursou também doutorado em História na Sociologie du Développement. Obteve o título de doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é professor de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de doutorado e mestrado, e da Faculdade de Educação da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas. Escreveu e organizou uma série de livros, entre os quais: Rio Babel – A história das línguas amazônicas; Línguas gerais – Política linguística e catequese na América do Sul no período colonial; e A Amazônia no período colonial; além de capítulos de livros e artigos em revistas especializadas no Brasil e no exterior.
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Fonte: Assessiria da ABL