Saúde indígena: qualificação de gestores


Começou neste domingo (03), e segue até o próximo sábado (09), em Brasília, um treinamento para capacitação dos gestores dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) que integram o subsistema de atenção à saúde indígena. O evento é promovido pela recém criada Secretaria Especial de Saúde Indígena, e reúne aproximadamente 100 profissionais.
Durante a cerimônia de abertura, o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, traçou um perfil de como está hoje à assistência e atenção primária aos índios, e como o Ministério da Saúde deseja que ela seja daqui para frente. Na apresentação, ele definiu os projetos da secretaria em quatros grandes eixos: Atenção à Saúde, Desenvolvimento de Recursos Humanos, Gestão e Controle Social. “Estamos iniciando no país uma nova fase na saúde indígena e caminhando para a autonomia dos DSEIs. Nós precisamos buscar solidariedade entre nós para podermos crescer juntos”, afirmou.
Segundo Antônio Alves, um dos objetivos no eixo da Atenção à Saúde é implantar no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena o modelo de atenção à saúde baseado na linha do cuidado integral, articulado com as práticas de saúde e medicina tradicionais, com enfoque na intersetorialidade, integralidade da atenção e participação da comunidade.   “Eu aceitei o desafio de estar à frente dessa gestão porque acredito que posso ajudar, mas, vamos precisar de muita união e energia, união entre os indígenas, união entre o SUS e o subsistema”, afirmou.
O secretário destacou ainda projetos para desenvolvimento na área de recursos humanos, como a desprecarização das relações de trabalho, formulação de uma política de recursos humanos específica para a área e ainda a instituição de residência multiprofissional em saúde indígena. Além disso,  Antônio afirmou que é preciso “fortalecer os sistemas de informação e os processos de monitoramento e avaliação, vigilância em saúde, infraestrutura das unidades e a comunicação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena”, disse.
Ainda durante o encontro na capital federal, Antônio Alves destacou o fortalecimento do controle social, com a reestruturação dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (CONDISI) e dos Conselhos locais. “O nosso desejo nessa gestão é estabelecer um canal de diálogo permanente com os trabalhadores da saúde indígena e com as comunidades indígenas, bem como implantar ouvidorias nos DSEIs”.
Além do secretário especial de Saúde Indígena, participaram da cerimônia de abertura do evento a diretora do Departamento de Atenção à Saúde Indígena, Irânia Marques, o diretor do Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Fernando Rocha, a coordenadora-geral de Atenção Primária à Saúde Indígena, Deurides Cruz, a coordenadora de Controle Social, Bianca Moura e o assessor especial Edemilson Canale.

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=36903

CONCURSO TAMOIOS – ESCRITORES INDÍGENAS

Grafismo indígena. Imagem: Google
FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL
Seção Brasileira do IBBY
INBRAPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual
Nosso Saber é a Nossa Marca
8º CONCURSO FNLIJ / INBRAPI

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, seção brasileira do International Board on Books for Young People – IBBY, com o propósito de incentivar a produção literária para crianças e jovens e a leitura, tem promovido concursos de textos para professores e escritores. Agora, em 2010-2011, como uma ação de fortalecimento da nova década dos povos indígenas (2005 2015) proclamada pela UNESCO, em parceria com o INBRAPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, por meio do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas NEArIn, a FNLIJ promove:
8º CONCURSO TAMOIOS DE TEXTOS DE ESCRITORES INDÍGENAS
Regulamento
Inscrição:
– Poderão participar indígenas adultos brasileiros residentes no Brasil, que tiverem sua filiação indígena apresentada;
– O texto inscrito deve ser fruto de uma produção literária para o público de crianças e/ou jovens, podendo ser de autoria coletiva;
– O texto deve ser inédito;
Tamoios. Foi como os indígenas confederados se denominaram no século XVI para fazer frente à expansão portuguesa. A palavra significa Filhos da Terra, Nativos. Em homenagem a esta resistência dos antepassados e a esta nova confederação dos Filhos da Terra, que hoje usam a escrita como arma, os organizadores elegeram este nome para intitular o presente concurso.
FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL
Seção Brasileira do IBBY
– O texto deve vir apresentado em português, em forma narrativa ou poética;
– Cada texto deve ser apresentado impresso em 3 cópias, em papel A4, fonte arial 12, espaçamento 1,5, tendo o máximo de 40 laudas, com título e o pseudônimo do autor;
– Separadamente, em um envelope fechado, o participante deve informar seus dados pessoais (nome completo, povo indígena a que pertence, endereço/ cep, telefone, email, cidade e estado) e uma biografia de 5 linhas com sua trajetória de vida. Caso seja um texto coletivo, deve ser informada a biografia do grupo;
– Os trabalhos deverão ser enviados até 30 de abril de 2011 para a sede da FNLIJ: Rua da Imprensa, 16 sala 1215, CEP 20030-120 Rio de Janeiro RJ;
– Após o concurso, os trabalhos não serão devolvidos;
– Maiores informações na FNLIJ pelo telefone: (21) 2262 9130 e pelo e-mail:
fnlij@fnlij.org.br ou no INBRAPI pelo telefone: (61) 3033 7019 e pelo e-mail:
inbrapi@inbrapi.org.br.
Julgamento:
– A comissão julgadora será composta por especialistas indicados pela FNLIJ e pelo INBRAPI, através do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas NEArIn;
– Caberá à comissão julgadora selecionar ou não mais de um vencedor.
Divulgação dos resultados:
Os resultados serão comunicados diretamente ao(s) vencedor(es) pela FNLIJ e divulgados no Notícias e no site da FNLIJ: http://www.fnlij.org.br
Premiação:
– Um acervo de livros de literatura infantil e juvenil será doado pela FNLIJ;
– A entrega de prêmios será feita durante o evento 13º Salão FNLIJ do Livro para
Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro, de 8 a 19 de junho de 2011;
– O texto premiado será publicado no jornal Notícias da FNLIJ.

Recados da natureza

Tragédia ambiental em Pernambuco e Alagoas.

Texto: Celso Vicenzi (Jornalista colaborador da Adital)*
Impossível não pensar na arrogância humana diante da fragilidade da vida. Nada parece abalar as nossas rotinas até que, tudo aquilo que parecia tão firme, desaparece de repente. Submetido às forças da natureza, o que é sólido se desfaz em instantes. O tempo de vida, uma promessa cada vez mais longa para os humanos, pode esvair-se numa ínfima fração de tempo. Diante de situações que não controlamos, não há muito o que fazer. O planeta, desde que começou a abrigar as primeiras formas de vida, nunca foi lugar seguro para nenhuma espécie – 90% delas já desapareceram, dizem os cientistas. O que leva à conclusão de que o destino de todos os seres vivos é a inevitável extinção e o surgimento de outras espécies. Pelo menos até o desaparecimento do Sol, previsto para daqui a uns 5 bilhões de anos, quando também os planetas em seu entorno serão pulverizados. Mas o ser humano tem acelerado o relógio do tempo, desnecessariamente. Porque elegeu um modelo de sociedade que destrói rapidamente o próprio habitat. Ao interferir de forma tão contundente na natureza, desencadeou reações cada vez mais frequentes e de incontrolável agressividade: enchentes, deslizamentos, secas e incêndios – entre outros fenômenos naturais.
A ação humana tem sido o estopim de muitas tragédias anunciadas: pela ocupação desordenada de encostas e áreas inundáveis; pela falta de distribuição de renda e políticas habitacionais, que empurram os mais pobres para áreas de risco; pela inexistência de projetos adequados para a destinação dos resíduos sólidos; pelo desmatamento; pela desordenada ocupação urbana; pela poluição industrial; pelo incessante apelo à compra de bens materiais que degradam o solo, o ar e a água. Os meios de comunicação culpam os governos pela falta de obras de prevenção, mas nada dizem sobre o estímulo que produzem à sociedade de consumo.
O ser humano criou um estilo de vida que se transforma numa espécie de lento suicídio coletivo. Nos últimos 300 anos, aproximadamente, acionou um motor que pode vir a ser o da própria extinção. Durante milênios, viveu com muito pouco. Há algumas gerações, desde as primeiras máquinas a vapor até a mais informatizada delas, desencadeou um modelo de sociedade baseada na substituição frenética de bens de consumo – para muito além das necessidades básicas -, que provoca danos ambientais em escala sem precedentes.
Os avisos não param de chegar. Estudo recém-publicado pela revista científica Nature diz que o aumento das emissões de dióxido de carbono (CO²) terá impacto sobre as temperaturas da Terra pelos próximos mil anos e elevará em quatro metros o nível das águas do mar. Uma catástrofe com consequências devastadoras e imprevisíveis em sua extensão, pois há de modificar rapidamente todo o ecossistema sobre o qual a vida se sustentou até aqui. O sal dos oceanos irá contaminar boa parte do lençol freático. Haverá drástica redução dos recursos de água potável. A temperatura dos oceanos sofrerá impactos que irão dizimar boa parte da vida marinha. O equilíbrio entre espécies entrará em colapso. Algumas irão proliferar caoticamente, outras desaparecerão. A irregularidade de sol e chuva terá impactos sobre a agricultura, e a fome será o flagelo de milhões. Epidemias e doenças até então desconhecidas irão proliferar numa velocidade maior do que as respostas da ciência. Mortos se empilharão por toda a parte. Alarmismo? Estamos tão anestesiados em nosso mundo virtual e material que desprezamos os avisos da natureza. E de milhares de cientistas, que alertam para consequências devastadoras.
Especialistas dizem que os fenômenos climáticos de grande intensidade serão cada vez mais frequentes e de maior magnitude. Apesar de todas as evidências da mão humana ter aberto essa Caixa de Pandora, poucas pessoas parecem dispostas a questionar a ideologia de consumo que desencadeia muitos desses desastres. Há reações tímidas na construção do chamado “desenvolvimento sustentável”, mas ainda insuficientes para atenuar o desastre ambiental. A tecnologia pode e deve estar a serviço do bem-estar de toda a humanidade, diferente do que ocorre atualmente, voltada para gerar lucros em benefício de poucos.
O modelo de civilização precisa mudar. Não haverá futuro para o ser humano se ele não estiver em equilíbrio com a natureza. Mas a imensa maioria, quando confrontada com essa situação, prefere viver como se nada disso fosse ocorrer – ou que ainda estivesse muito distante. Nada parece perturbar a fé dos que elegeram o mercado como um novo deus e a mídia como o seu profeta. A ideologia do “progresso” continua inabalável, apesar de a miséria e a degradação ambiental espalharem-se pelo planeta. A ciência encontrará uma resposta, confiam os cidadãos abastados, absortos em consumir a última novidade tecnológica, sem nunca perguntar quais os custos ambientais para produzir tanto luxo e tanto lixo.
Tragédias ambientais como as do Rio de Janeiro e outras tantas pelo Brasil e pelo mundo devem servir de alerta, para conscientizar de que algo está muito errado e precisa mudar. E que é preciso cobrar das autoridades e de todos os cidadãos um compromisso responsável para com as atuais e futuras gerações que habitarão o planeta.
Nota:
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