Molhei os pés na caminhada
pisei forte o chão
e segui
do outro lado do espelho
nossas mãos cumpriram o ritual
e nos despimos
solitários entre nuvens
Graça Graúna (indígena potiuara/RN)
…em chuvoso começo de tarde no Nordeste, 03.fev.2009
Será inútil?
Não sei
a quem interessa
a súmula dos bens
todos aqui e agora
um fio da meada
novos cantares de partida:
Hesse
Rilke
Janis Joplin
Hilda Hist
um Dom Quixote de barro
e outras argilas pensantes.
De resto,
meu amor às criaturas
o prazer do texto
a escritura ferida
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 31.
…trancou a porta da casa e supôs
que desse jeito estaria bem melhor.
Também jurou de pés juntos
que jamais dividiria
o sal e o pão.
Trancou a sete chaves o coração
desconstruiu cada minuto de espera
mas de nada adiantou:
a dor foi mais forte
a solidão foi mais longe, estrondou…
e o eco se fez ave de muitos voos.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 25.fev.2009
Uma explicação necessária: a minha amiga CD (Compulsão Diária) – que eu chamo de Criatura Divina – compôs um Meme – um dos mais inquietantes que já li. Para atender o seu chamado, revisitei um poema (Eco – ave de tantos vôos) do meu amigo Lucio Ferreira – poeta pernambucano. Do livro dele (Estas coisas cá de dentro, Recife, Edições Bagaço, 2004, p.74-75) extrai o seguintes versos.
…“Tudo ficou contado.
O eco tem muitos cantos
é ave de muitos vôos”. (Lúcio Ferreira).