FLIG: Festival de literatura

III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS – FLIG
6ª feira – 17 de outubro de 2008
17h15 às 17h45
(Tendas)
Mesa Redonda:
Universidade de Pernambuco – Campus Garanhuns
Literatura Indígena e Afro-descendente
(samba-de-côco, como manifestação cultural em Garanhuns)
Presidente: José Maria Leitão
Palestrantes:
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
e
Magdalena Maria de Almeida

A imprensa não vê

Foto: Graça Graúna. Tsurus – tema de um dos muitos cartazes espalhados pela Feira Pan-Amazonica do Livro, que homenageou os 100 anos da imigração japonesa
Nunca é demais refletir acerca da exclusão que há mais de 500 anos sofrem os nossos parentes indígenas. Recentemente estive participando de uma mesa-redonda sobre Literatura Indígena, na XII Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém-Pará. Confesso que fiquei maravilhada com o vai e vem constante de pessoas curiosas em torno do universo do livro. Da mesa participaram o Daniel Munduruku, o Yaguarê Yamã e eu – Graça Graúna – como mediadora. É certo que fomos bem acolhidos pela organização do evento; estivemos em um hotel muito chic, tivemos transporte. No Hotel, tivemos contato maravilhoso, ainda que relâmpago, com outros escritores: Ariano Suassuna, Marina Colassanti, Afonso Romano de Santana, Rubem Alves….Até aí, tudo bem….mas nos cinco dias da Feira de Livros quase nada foi mencionado na mídia a nosso respeito. Pra não dizer que não falaram de flores, apenas copiaram a programação geral do evento e com muito esforço, com uma lupa, seria possível ver o tema da nossa mesa-redonda que tratou da oralidade e da escrita no universo da cultura indígena. Os nossos nomes sequer aparecerem. O Yaguarê, o Daniel e eu entendemos, logicamente, o recado; fomos convidados sim, fomos bem tratados sim, mas não tivemos voz o suficiente para marcar a nossa presença no planeta do livro pan-amazônico. A platéia de professores e estudantes que nos prestigiou foi a nossa força também naquele dia em que os jornais estampavam mais as “socialaites” e por que haveriam de estampar a imagens de três escritores indígenas? Apesar de tudo, deixamos nossos recados. Tivemos um encontro com os pesquisadores mirins no Museu Goeldi; visitamos outros museus, como brasileiros também que somos zelosos da nossa história. Ainda deu tempo de conhecer uma bela família Munduruku que nos recebeu a todos com grande alegria. Caminhamos em Belém….passeamos peloVer-o-Peso, admiramos nossos irmãozinhos urubus aos montes, lá nas docas; sentimos o cheirnho gostoso do Pará e o levamos impregnado em nossa roupa, em nossa pele, no nosso espírito. Ora…também nos reconhecemos em meio a tantos irmãos e irmãs excluídos(as) e nos damos conta que somos mais que 300, somos milhares ainda a acreditar na força das águas dos igarapés. Somos fortes ainda; caminhamos fortes, mas isso os jornais não contam. Depois eu volto.

Paz em Nhande Rú ,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Ao escrever, dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna)