O zen da poesia em construção

 
Árvore pássaro. Escultura: Leno. Foto: Graça Graúna
 
O cosmo é poesia
a energia é poesiae quando se misturam razão e coração
tudo depende do modo que a gente vê:

um monte de gente pequena
fazendo cata-ventos de papel

parece uma nova tribo: Íris, Caio, Davi
Rudá, Mariana, Ian, Iasmin e Nina

e tudo depende
do jeito que a gente vê:

um caracol voando e uma rã pulando
de-va-ga-ro-sa-men-te

uma estrela do mar
e um cavalo no azul marinho

o cochilo do pássaro
e uma nuvem passando

a bailarina do circo
e um pônei dançando

uma casa na árvore
e um boizinho pastando;

um arco-íris no jardim
ou uma flor na janela

uma montanha de sonhos
um castelo de areia
 
ou uma casa de pássaros
como quer a poesia
 
tudo pode ser poesia
depende do jeito de ver

o poder a mágica
que a palavra pode ter
 
 
Graça Graúna (inddígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, 14 de março. Dia da poesia.

Mandela, para sempre!

Dores d’África (*)
Eh, meu pai!
Em vez de prantos
é melhor que cantemos.
Eh, meu pai!
É melhor que cantemos
a dor contínua
a solidária luta
de poetas-bantos
contra a tirania
Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos, 1999, p. 49.
(*)No início da década de 90 escrevi este poema, que foi publicado pela Editora Blocos em 1999; no mesmo ano em que Mandela terminou seu mandato de presidente da África do Sul. Em 5 de dezembro de 2013, o mundo ficou mais pobre; a paz está de luto, mas enquanto houver poesia haverá esperança de um mundo mais justo. Caminhemos na luta pelos Direitos Humanos, inspirados na trajetória de Mandela!
Nordeste do Brasil, 7. Dez. 2013.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

“Um por todos e todos pela paz”

         Do Brasil para o mundo… Junho de 2013. Alguns dos melhores cartazes das passeatas em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Alagoas, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Vitória, Porto Alegre… revelam que o nosso desejo de mudança vai além dos 0,20 centavos; sugerem também o direito de sonhar porque o sonho não acabou; que lutamos pelo direito à educação, à saúde, à justiça, à liberdade, à qualidade de vida. 
          Lutar é um direito de todos que se interessam pela paz. Uma leitura atenta dos cartazes sugere caminhos para a compreensão de que nós brasileiros(as) não fugimos à luta, pois sobretudo amamos a Paz. Trilhar o bom caminho da participação popular é um direito e esse direito não é brincadeira como mostram as sábias palavras de pessoas idosas, ativistas e fortalecidas pela esperança dos mais jovens. Também é nosso dever zelar pelos bens públicos. Violência, não.  É nossa também a obrigação de compartilhar com o nosso voto para organizar o país em que vivemos e é dever também de cada político honrar a confiança  que neles depositamos. 
          É nosso direito mostrar o nosso sofrimento, o nosso desamparo, o nosso desassossego, pois “tem tanta coisa errada que nem cabe em um cartaz”.  
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), junho de 2013)
 
Obs: as imagens que seguem foram extraídas do Google.