Remo
Arma
Memória
Sei dos segredos
dos pesadelos
da solidão
dos anseios
do pranto
das matas
dos rituais
das eras
dos mares
das lutas
das curas
das ervas
trago sementes do céu
cultivo os caminhos
conheço o cheiro da terra
mergulho nos sonhos
porantinando a esperança
pelo rio afora
sou arma, remo e memória
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
(*) No idioma Saterê Mawé, porantim significa remo, arma e memória. O povo Saterê (originário do tronco Tupi) habita na área indígena Andirá-Maráw (delimitada pela Funai) entre o Amazonas e o Pará.
Graça Graúna. Tessituras da terra. 2. ed. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 26-27.
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