Amemos.
Santificado nome gravado nos girassóis
Amemos.
Versos dedicados ao Dia da Poesia
Senhor, tornai-me louco, irremediavelmente louco
Como os poetas sem palavras para os seus poemas,
As mulheres possuídas pelo amor proibido,
Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver,
Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.
Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura
Impregnado na face miserável do pobre de Assis,
Contido nos filmes dionisíacos de Fellini,
Resplandecente nas telas policrômicas de Van Gogh,
Presente na luta inglória de Lampião.
Quero a loucura explosiva, sem a amargura
Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV,
Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios,
Dos deveres dos padres vazios de amor,
Dos discursos políticos cegos ao futuro.
Fazei de mim, Senhor, um louco
Embriagado pelo vosso amor,
Marginalizado do rol dos homens sérios,
Para poder aprender a ciência do povo
Em núpcias com a Cruz que só a Fé entende
Como um louco a outro louco.
***
Texto de Frei Betto – autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira”, Editora Rocco.
Quando eu crescer
quero ser Quintana
cavar o infinito
dos caminhos do mundo.
Ah, quando eu me for
“hei de levar uns poemas tortos”
como seu eu fosse também
o último ser vivente
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 29 de maio de 2009
Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos Editora, 1999, p.62 [prefácio de Leila Miccolis]
NOTA: poema publicado no Overmundo.