Todo dia é dia de celebrar a amizade

Seja em 18 de abril, em 20 de julho ou (como foi decretado pela ONU) no dia 30 desse mesmo mês, o calendário sugere que festejemos os amigos. Festejar é preciso, pois todo dia é dia de bendizer a amizade. Que assim seja!
Pensando no valor da amizade, tomo a liberdade de mostrar, aqui, o  poema “Fio trançado” que foi escrito e declamado pelo Professor Mestre Josualdo Menezes, no dia 10 de junho, por ocasião da Semana de Direitos Humanos,  realizada na UPE, junto ao Grupec (Grupo de Estudos Comparados) e  à Secretaria de Educação de Pernambuco e outras instituições de ensino do Agreste pernambucano.
De braços abertos, agradeço ao Prof. Josualdo o seguinte presente em forma de poema, que compartilho – como manda o coração – com todos que apreciam este blog.
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna (indígena potigara/RN)
FIO TRANÇADO
               
          (Josualdo Menezes)
 
Quem fala?
A Graça ou a Graúna…
se a Graça se expressa
a Graúna assim o quis.
Se a Graúna fala…
a Graça se faz verbo.
A trança que entrança a Graça
é o fio trançado pela Graúna.
Vida Graúna… lágrimas da Graça.
Graça da vida Graúna.
                Garanhuns, 1º semestre de 2013

Poema de Natal

Imagem extraída do Google
Autoria: Pedro Casaldáliga
– Sentinela, o que há da noite?
O que há da crise?
– De onde perguntas?
Perguntas desde a fome
ou desde o consumismo?
O grito dos pobres
sacode tuas perguntas?
Pastores marginais
cantam a Boa Nova
com flautas e silêncios,
contra os grandes meios,
os meios dos grandes.
Nasceu-nos um Menino,
um Deus nos foi dado.
É para nascer de novo,
desnudos como o Menino,
descalços de cobiça,
de medo e de poder,
sobre a terra vermelha.
É para nascer de novo,
abertos ao Mistério,
ungidos de esperança.

Poesia e performance do cotidiano

Magritte. Extraído do Google
O final do semestre acadêmico (2012.2), no Curso de Letras da UPE/Campus Garanhuns – especificamente o IV e VII períodos – foi mesclado de leituras poéticas e outras práticas literárias tais como as reflexões acerca do livro “Flicts”, de Ziraldo, sob a orientação do Prof. Jairo Luna. Outro momento importante foi a proposta da aluna Karla Karine, com o poema “Múltiplas faces”,  orientanda do Prof. Elcy Cruz. Por sua vez, o IV Período de Letras  da noite (com a minha orientação)  mostrou completo envolvimento com a poética barroca da portuguesa Mariana Alforado. Com essas atividades, reafirmamos nosso compromisso com a Literatura, esperando que as produções literárias se multipliquem em nossas vidas dentro e fora da Universidade.
Outro momento impar, no campo literário, vale destacar: trata-se do trabalho de conclusão do Curso de Especialização da poeta Marcia Maracajá. Ela defendeu sua monografia na UAG/UFRPE. Participei da banca de avaliação ao lado do Prof. Nilson Carvalho e da Profª. Marcia Félix. O trabalho de Maracaja enfatiza o “Corpo como mídia dizível: a performance literária no contexto educacional”.
Esses acontecimentos podem ser lidos também à luz das boas palavras de René Magritte (“Isto não é um cachimbo”). Aqui, tomo a liberdade de apresentar um fragmento do prefácio que esse artista escreveu na década de 60. O texto completo será apresentado, aqui, no início do ano letivo, em 2013. O que sugere Magritte?
“A semelhança – tal como é usada na linguagem cotidiana – é atribuída às coisas que possuem ou não natureza comum. Diz-se: parecidos como duas gotas d’água, e diz-se, com a mesma facilidade, que o falso se parece com o autentico. Esta pretensa semelhança consiste em relações de similitude, distinguidas pelo pensamento que examina, avalia e compara. Tais atos do pensamento se efetuam com uma consciência que não vai além das similitudes possíveis: a essa consciência, as coisas revelam apenas seu caráter de similitude.
A semelhança se identifica com o ato essencial do pensamento: o de parecer. O pensamento parece tornar-se aquilo que o mundo lhe oferece e restituir aquilo que lhe é oferecido, ao mistério no qual não haveria nenhuma possibilidade de mundo nem de pensamento. A inspiração é o acontecimento onde surge a semelhança.
A arte de pintar – não concebida como mistificação mais ou menos inocente – não seria capaz de enunciar ideias nem exprimir sentimentos: a imagem de um rosto que chora não exprime a tristeza, do mesmo modo que não anuncia uma ideia de tristeza, pois ideias e sentimentos não possuem nenhuma forma visível” (MAGRITTE, 1961)
Com o  poema “Múltiplas faces”, de Karine, desejo que o ano de 2013 seja repleto de bons fluídos, pois não saiu da validade o direito de sonhar, o direito à expressão de Liberdade.
Que  Ñanderu/Deus/Tupã  nos acolha.
Graça Graúna, Nordeste do Brasil.
 Imagem extraída do Google
Múltiplas faces
Autoria: Karla Karine Tenório
(aluna do VII Período
de Letras,  UPE/Campus Garanhuns).
Apresento as faces,
As cores revertidas
O preto sobre o branco,
O branco sobre o preto.
As cores!
Cadê as cores?
Não há cor,
Apenas as faces humanas.
Uma reflete o animus,
Outra anima,
Ambas acendem a luz,
E clareiam o nosso devaneio de infância,
As variações nos deixam tontos,
Sempre há montante sobre mim mesmo.
Vagando pelos campos,
O poeta solitário,
Inventa! Não há nada perdido,
No fundo de sua memória,
Que aurora, será rasgada
A face dupla cor.
Ressurgiu rememorada?
Os lentiscos de tristeza,
Que rememoramos a vida inteira
A nostálgica criança pensativa e triste,
Que nunca ri,
Silenciosa e triste.
A face aveludada,
Que encobre o amargo espetáculo,
E escorre liquido, entre as formas distorcidas
Da realidade amarga.