Um livro pode ter variadas formas: pode ser grande ou pequeno; de papel, de retalhos ou do que mais a imaginação criadora nos permitir. Um livro pode reunir muitas idéias como se fora uma teia de histórias ligadas a outras histórias ou a poemas. Importa a palavra (em prosa ou em verso), quer seja milenar ou atual.
As ideias, aqui, reunidas em parte são originadas da oralidade e de outros livros de papel. Melhor dizendo: aqui, reunimos histórias vindas das árvores porque é delas, das nossas irmãs-árvores que os nossos amigos-livros se alimentam e, consequentemente, alimentam também os nossos sonhos de leitores(as) inquietos(as). Poderíamos também chamar de intertextualidade esse fenômeno de leituras cruzadas, como se diz no campo da teoria literária.
O grande desafio foi enveredar pela grande floresta do saber e em meio a pesquisas, diálogos, escrevemos um livro que intitulamos: “Uma árvore me contou”. Tudo aconteceu durante as aulas de Literatura Infantil, ministrada por mim, no IV Período de Letras, à noite, no segundo semestre de 2010. Convém salientar que os(as) autores(as) desenvolveram também a escrita e as ilustrações deste livro em suas casas, de maneira que parte das ilustrações tiveram a colaboração de familiares e de amigos simpatizantes da literatura.
Do ponto de vista metodológico, sugeri que o IV Período de Letras formasse dez grupos de maneira que cada grupo escolhesse uma obra de Literatura Infantil e que pudessem construir um livro coletivo. Dito e feito. Fizemos pequenas rodas de conversa em torno do que é literatura infantil. As histórias-adaptações e ilustrações foram se formando a partir das seguintes obras literárias, todas elas consultadas para ajudar na composição do nosso livro:
BARBOSA, Rogério Andrade. Histórias africanas para contar e recontar. São Paulo: Editora do Brasil, 2001.
KITHÃULU, Renê. Iraksu – o menino criador. São Paulo: Peirópolis, 2000.
MACHADO, Ana Maria; PORTINARI, Candido. As aventuras e desventuras de Dom Quixote de La Mancha. São Paulo: Mercuryio Jovem, 2005.
PEREIRA, Édimo de A. Contos de Mirábile. Belo Horizonte: Mazza, 1988.
PRIETO, Heloisa. O imperador amarelo. São Paulo: Moderna, 2007.
SAINT-EXUPERY, Antoine. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2000.
SING, Rina. Uma floresta de histórias. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
STEFANI, Stefanio. Eneida – as aventuras de Enéias. São Paulo: Paulinas, 2002.
UNGERER, Tomi. Os três ladrões. São Paulo: Global, 2008.
VIANA, Arievaldo. A ambição de Macbeth e a maldade feminina. São Paulo: Contexto, 2008.
WILD, Margaret. Raposa. São Paulo: Brinque Book, 2005.
Sem sombra de dúvidas, as pequenas rodas de conversa acerca de Literatura Infantil nos levou aos grandes clássicos, a exemplo de Eneida (mitologia grega); nos aproximou também da grandeza da literatura dos povos indígenas (a exemplo de Iraksu, um mito do povo Nambikwara) e alimentou a nossa sede de saber com uma série de histórias contemporâneas. Espero que este trabalho alimente outras possibilidades de leitura, pois uma árvore me contou que as boas sementes se multiplicam quando o solo é fértil e o IV Período de Letras, da UPE/Campus Garanhuns, mostrou bem isso.
Tenham todos(as) uma boa leitura.
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2010
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Foto: J. Laeciode Oliveira


