"…e é morrendo que se vive…"

Detalhe de um painel de Vitche
“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz
Onde houver ódio que eu leve o amor
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
Onde houver discórdia que eu leve a união
Onde houver dúvida que eu leve a fé
Onde houver erro que eu leve a verdade
Onde houver desespero que eu leve a esperança
Onde houver tristeza que eu leve a alegria
Onde houver trevas que eu leve a luz
O mestre fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna”
Autor: São Francisco de Assis

Da “Arte-Vida no Sertão”

Texto de Zé Vicente *
Adital

JORNADA DE SETEMBRO DE 2010

Estamos num período crítico, em que a seca mostra sua cara com toda a força. Já se vão praticamente uns sete meses sem chuva. Segundo afirmação de alguns sertanejos mais vividos, esta é uma das secas mais duras dos últimos tempos. E quando chegam os meses dos BRO (setembro, outubro, novembro, dezembro), a coisa se torna sufocante, pela inclemência da temperatura, pela falta de alimento e água, para os animais e, em parte, para as populações mais pobres.
O que faz diferença entre esta e as secas passadas, é que já existe em muitos lugares uma infra-estrutura maior, de açudes, distribuição de água e alguns programas governamentais de assistência social, como bolsa família, aposentadorias etc.
No âmbito de nosso Projeto Sertão Vivo, nascido em 1996, no Sítio Aroeiras, município de Orós-Ceará, mesmo não sendo ainda uma ONG (Organização não Governamental), mas uma experiência aberta e comunitária tentou-se juntar cerca de 12 famílias locais e mais outras das comunidades vizinhas, para um encantamento maior, para cuidarmos da vida em nós, através das terapias naturais complementares, produção de alimentos livres de agrotóxicos, fruteiras, plantas medicinais etc. Dedicando atenção a criação de pequeno porte, alimentando com o suporte de silos, palma, capim de vazantes etc. Evitando o desmatamento, as queimadas e outras práticas que destroem a natureza. Recorrendo e celebrando a memória sagrada de resistência e amor de nossos ancestrais.
Animados com esses sonhos, retornamos ao Sertão Vivo, nos dias 09 a 12 de setembro, dias de sol, ventos e lua nova no céu, para uma boa missão que poderíamos chamar de Jornada de Setembro.
CUIDANDO
Fomos – Eu (Zé Vicente), com as religiosas Ana Maria e Lourdes, do Espaço Holístico Santa Tereza, em Messejana, nossas aliadas, com uma convidada, a dentista Dra. Lélia. Além de retomarem o acompanhamento das pessoas de Aroeiras e de algumas comunidades da região, através da Radiestesia e Fitoterapia, as Irmãs, com apoio de Lélia, ministraram o I Seminário de Reiki, Nível I, iniciando sete pessoas. Já na palestra inicial na noite do dia 10 de setembro, a sala da Casa Mãe ficou cheia de pessoas interessadas no tema Reiki (experiência oriental, de equilíbrio da energia vital, já com muitos seguidores no Brasil).
No âmbito do Programa Cuidando da Saúde, a Dra. Lélia, nos brindou com orientações de cuidados com a higiene bucal, brincou com crianças, sorteou kits de limpeza dentária.
CULTIVANDO
Nos mesmos dias, contamos com a presença de nosso parceiro, técnico e militante em agroecologia e um dos coordenadores da EFA (Escola Família Agrícola – Dom Fragoso), Independência – CE. Zé Neto, que organizou com a equipe local, uma pequena estrutura irrigada, com micro-aspersão, tanto para introdução desta prática na área do Projeto, como também visando sensibilizar e treinar lavradores interessados nesse caminho alternativo de cuidados com a natureza. Ambas atividades foram marcantes para nós, que levamos esse sonho teimoso de convívio equilibrado no semi-árido nordestino. Mais uma vez, mereceu destaque a presença responsável das pessoas ligadas ao Projeto Sertão Vivo,assumindo tarefas,compartilhando o alimento, fazendo novas descobertas para suas vidas e de sua comunidade.
CELEBRANDO
No dia 09, celebramos o primeiro aniversário de Felipe, filhinho de Thiago e Nena. Felipe nasceu de parto normal, no dia 09.09.09! E no dia 10, fomos em grupo, visitar o Recanto São José, onde está plantado o corpo de Mãe Suzana, cujo nascimento eterno se deu em 10 de setembro de 2005. Ali, contemplamos o pôr-do-sol, plantamos um Ipê e lavamos a laje com os dados históricos, manifestando nosso compromisso de mantermos viva e cuidada a memória da mulher que marcou e segue irradiando bons ensinamentos. É por aí, que lemos esse sinal de Vida, pleno de encanto e mistérios, onde os nascimentos seguem, assim, tão próximos.
Ainda na noite de sexta, dia 10, houve uma cantoria com violeiros da região, no único barzinho de Aroeiras, pertencente ao jovem Neto de Doca. E, no paralelo, segue a Campanha Eleitoral, com os carros de som espalhando fichas de candidatos (as) e promessas, em músicas criadas para a ocasião. Ainda devemos alguns debates e momentos de reflexão e estudo sobre esta realidade política que acende interesses e paixões não tão saudáveis ao povo do Sertão Vivo.
Assim seguimos, a passos pequenos, mas serenos e persistentes, afirmando que o Projeto Sertão Vivo, pode ser sim, uma Escola Viva, não formal, mas real, de sensibilização e capacitação, de quem descobre e aceita trilhar um caminho novo na arte de cuidar da vida em nós e em toda a mãe natureza.
Até dezembro, teremos ainda algumas atividades, incluindo a avaliação anual do Projeto e a preparação do Arraial do Menino Deus, quando contaremos com a segunda vista da artista e terapeuta Márcia Carneiro, que virá de Curitiba-PR e nos brindará com mais uma Oficina de Danças Circulares.
Quem desejar chegar mais perto e somar conosco, seja bem-vindo (a)! As pessoas, os juazeiros, aroeiras e demais seres vivos, com certeza estarão à nossa espera!
Setembro de 2010

*Zé Vicente  (Poeta e cantor)- email: zvi@uol.com.br

IV Concurso literatura para todos

A realização do IV Concurso Literatura para Todos é uma das estratégias da Política de Leitura do Ministério da Educação, que procura democratizar o acesso à leitura, constituir um acervo bibliográfico literário específico para jovens, adultos e idosos recém alfabetizados e criar uma comunidade de leitores. Esse novo público é chamado de neoleitores.
O MEC publica e distribui as obras vencedoras às entidades parceiras do Programa Brasil Alfabetizado, às escolas públicas que oferecem a modalidade EJA, às universidades que compõem a Rede de Formação de Alfabetização de Jovens e Adultos, aos núcleos de EJA das instituições de ensino superior e às unidades prisionais que ofertam essa modalidade de ensino.
Em 2010, em sua quarta edição, os candidatos concorrem nas categorias Prosa (Conto, novela e crônica), Poesia, Textos da tradição oral (em prosa ou em verso), Perfil Biográfico e Dramaturgia.
Serão selecionadas duas obras das categorias: prosa, poesia e textos da tradição oral e apenas uma obra das categorias: perfil biográfico e dramaturgia. Também será selecionada uma obra de qualquer uma das modalidades do concurso de autor natural dos países africanos de língua oficial portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Os vencedores recebem prêmios no valor de R$ 10 mil.
Em 2009, cerca de 300 obras foram inscritas. Desse total, aproximadamente 50 obras foram desclassificadas por não atenderem às exigências do edital. Concorreram ao prêmio, portanto, cerca 250 obras inscritas.
A inscrição para o concurso este ano será feita por meio do encaminhamento das obras literárias para: IV Concurso Literatura para Todos, Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 211, CEP 70047–900, Brasília /DF. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de Outubro de 2010. Maiores informações podem ser obtidas por meio do endereço eletrônico: literaturaparatodos@mec.gov.br
Os concorrentes naturais e residentes em países africanos de língua oficial portuguesa devem fazer a inscrição mediante o envio das obras literárias para as embaixadas do Brasil nos respectivos países. Embaixadas do Brasil nos países africanos de língua portuguesa.Fonte: Ministério da Educação