Poéticas indígenas – Sarau

Foto: Dede Fredizzi. Modelo: Alikrim Pataxó
          Todo dia é dia de poesia. Com este espírito, o dia 19 de abril foi escolhido pela antropóloga e escritora Deborah Goldemberg, para marcar o I Sarau das Poéticas Indígenas. A idéia, segundo Goldemberg, é reunir escritores(as) indígenas e de outras origens, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Em outras palavras, nesse I Sarau “não cabe apenas uma única poética, a ocidental […], mas a diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena” afirma a idealizadora do sarau.A programação contempla as regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, com escritores(as) indígenas e simpatizantes da causa indígena no país.
          A respeito dos mitos e lendas da Região Norte, consta a apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo; apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá, de São Paulo, que abordam a cultura baniwa e murá; declamação do poema “O Guesa errante”, de Sousândrade e do poema “Cobra Norato”, de Raul Bopp. A declamação está a cargo de Tatiana Fraga. Leitura da lenda das Incamiabas – guerreiras do Amazonas, em Ressurgência, livro de Deborah Goldenberg.
          Da Região Nordeste, cabe destacar: a apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso; do líder indígena Bino Pankararu (PE), que vive em Real Parque, em São Paulo. Leitura da Escritora Eliane Potiguara (RJ), autora de Metade cara, metade máscara. Leitura de poemas e apresentação do vídeo “Canção peregrina” da escritora Graça Graúna (descendente potiguara, RN), radicada em Pernambuco.
          Da Região Sul e Sudeste consta: a apresentação dos índios Guarani Nhandeva, com a índia Poty Porã e o índio William Macena. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe, da Aldeia Krukutu (Parelheiro, em São Paulo). Declamação Nicole Cristófalo em torno dos textos poéticos do escritor José de Alencar e do poeta Gonçalves Dias. Declamação de João Pedro Ribeiro (descendente Kaingang), que relembra o modernismo brasileiro, em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción, autor de uma coletânea de poemas Guarani M’Bya. Leitura de Pedro Tostes, poeta do movimento paulistano de “Poesia Maloqueirista. A declamação do indígena Emerson de Oliveira Souza (guarani nhandeva, residente em São Paulo) que traz a leitura de um texto do Pajé Florêncio Portillo, de 1993.
          O programa Entrelinhas, da TV Cultura, dedicado à literatura, irá também fazer a cobertura do evento. O sarau acontecerá na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura – considerado um local de celebração da poesia, da literatura e da arte em geral e que serve de cenário para a efervescência da vida cultural.
Nota: o modelo do cartaz, Alikrim Pataxó, vive na Aldeia Olho do Boi, Caraíva, Bahia.
Onde fica: Casa das RosasAv. paulista, 37, São Paulo – SP
Quando ir:19/4/2009, às 20:00h

Graça Graúna (indígena potiguara/RN) 9.abr.2009

Nota: artigo publicado no Overmundo com 169 votos

Indicação para mais um prêmio: o TopBlog

Este blog está inscrito na categoria Cultura, do Grupo Blogs Pessoais, isto é, blogs com notícias e dicas culturais, além de vídeos e fotos de lugares relacionados ao tema. Acompanhe o processo de votação que é do dia 04/05/09 as 02:00am até 11/08/09 as 11:55pm horário de Brasília. Durante o período de votação, os internautas poderão escolher e votar em um ou mais candidatos (BLOG) em diferentes grupos e categorias considerando-se válidos apenas UM voto por candidato (Blog) Entende-se “internauta” a pessoa física proprietária de um cadastro válido e legítimo no TOPBLOG.
[…]
Encerrada a votação popular, no dia 11/08/09, será divulgada no site do Prêmio a lista dos 100 blogs mais votados em cada categoria de cada grupo, finalizando 3.500 concorrentes. Todos receberam o SELO TOPBLOG 100 PRÊMIO JURI POPULAR e automaticamente passam a concorrer na segunda fase do prêmio: Avaliação técnica (Júri Acadêmico).
Serão eleitos vencedores do TOPBLOG PRÊMIO JURI POPULAR os 3 Blogs que obtiverem em seu grupo/categoria o maior número de votos pelos internautas (Júri popular).

Agora é o nosso momento de contar a história

A jornalista Kelly de Souza escreveu para a Revista da Cultura (edição 21, abril de 2009) uma reportagem acerca da Literatura escrita por homens e mulheres indígenas, na atualidade. O título da matéria “Tupi or not Tupi” faz uma referência ao escritor Mário de Andrade, um dos grandes pensadores no cenário da cultura brasileira. Para falar da literatura indígena, a jornalista Kelly fez uma entrevista com Daniel Munduruku, Eliane Potiguara e comigo. Nas palavras de Kelly:

“Diz a sabedoria popular que a história sempre tem duas ou mais versões. O Descobrimento do Brasil, em abril de 1500, não fugiu à regra. Cedo, aprendemos com Pero Vaz de Caminha, escrivão da expedição de Cabral, como se comportavam os índios da recém-descoberta terra. A carta de Caminha, considerada a primeira obra literária do país, descreve com deslumbramento ao rei Dom Manuel, essa “gente de tal inocência”. Empolgado com a “bela simplicidade” deles, Caminha faz sua aposta: “Se entendêssemos a sua fala e eles a nossa, (…) não duvido que imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar”. Graças a este documento, conhecemos as impressões (e intenções) dos primeiros contatos entre portugueses e indígenas. A escrita, ferramenta fundamental nesse processo, não era dominada pelos índios, cuja oralidade funcionava como instrumento de transmissão das histórias vividas, dos mitos e das lendas criadas. Essa “memória ancestral”, passada de geração para geração, ficou bem escondida entre as matas e etnias dessa terra chã. A história do Descobrimento brasileiro ficou apenas com uma versão: a do homem branco”.
(…)

Para saber mais dessa manifestação literária, convido todos(as) para ler a grande contribuição de Kelly a respeito da identidade do Brasil pré-colonial na obra de escritores(as) indígenas. No dia 16 de junho, escritores(as) indígenas serão recebidos pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Será um encontro inédito, em seu salão nobre. “A ideia é abrir um diálogo com os imortais para aproximar as duas literaturas e mostrar que o que se produz na floresta – a oralidade – é também a literatura utilizando o mecanismo da palavra”, explica Munduruku – autor do primeiro romance indígena escrito no Brasil. A sexta edição do Encontro de Escritores Indígenas, será realizada entre 10 a 21 de junho, no Rio de Janeiro, durante o Salão do Livro, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 5.abr.2009
Nota: artigo publicado no Overmundo com 303 votos.