Sinais

Imagem Google. Flor da paixão
Pelo cálice de angústias
da flor do maracujá!
(Fagundes Varela )
Os shoppings estão repletos
as praias superlotadas
a miséria batendo à porta
e a relação com o sagrado,
cada vez mais, banalizada.
Em cada canto mais sofrimentos
milhões de gente faminta
enquanto a crise financeira
tem mais destaque no mundo.
Triste realidade
e há quem lucre com isso
enquanto pelas ruas
os excluídos encarnam
a Paixão de Cristo.
Quem há de aplacar a fome do mundo?

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), Quaresma de 2009
Nota: poema publicado no Overmundo com 86 votos

Via-Crucis

Imagem Google.
Estações paralelas:
inflação, tiros e quedas
favela-fato-novela
flagelo, fome, espera
capítulos em preto e branco
reviravoltas no estômago
lenta agonia, queimor
ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM

Do povo crucificado
tem piedade, senhor.
A caminho do calvário
a minha gente faminta
só abocanha fartura
apetitosa em out-door

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 41 [prefácio de Leila Miccolis]

Nota: a foto (publicada no Jornal O Povo online, em março de 2008) mostra a encenação da via-sacra feita por mais de quatrocentos meninos, cada um representando uma criança que vive nas ruas de Fortaleza.
Poema publicado no Overmundo com 121 votos.

Nem mais, nem menos

Imagem Google. Lua e Sol

Um homem, uma mulher
são o que são:
palimpsestos
pássaros
deuses
mágicos
videntes
astro/estrela
de Altamira à Lascoux
Asteca
Pankararu
Fulni-ô
Xavante
Potiguara, quem sabe?
Íntimos irmãos da terra
salvaguardam o limo das pedras
o voo dos peixes
e os sagrados rios
navegáveis

Graça Graúna (indígena ptigara/RN), 28.mar.2009

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 40 [com prefácio de Leila Miccolis].
Nota: poema publicado no Overmundo com 127 votos.