A importância da rádio comunitária para os povos indígenas

James Anaya Apache. Imagem: Cinemaartes
          Genebra, 13 de fevereiro de 2012. O Relator Especial da ONUsobre os Direitos dos Povos Indígenas, O índio norte-americanos do povo Apache, James Anaya, gostaria de saudar o Dia Mundial do Rádio, criado pela Resolução 36 da Conferência Geral da UNESCO em 2011.Neste primeiro Dia Mundial da Rádio,que gostaria de salientar a importância da rádio comunitária dos povos indígenas do mundo.
          O rádio tem sido um meio fundamental para os povos indígenas,para a vitalidade das línguas, e exercer e defender os seus direitos. Conforme reconhecido pela Declaração das NaçõesUnidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
O artigo 16:
1. Os povos indígenas têm o direito de estabelecer seus próprios meios, em suas próprias línguas e acesso a todos os outros meios de comunicação não-indígenas sem discriminação.
2. Os Estados adotarão medidas eficazes para garantir que os meios de comunicação reflitam devidamente a diversidade cultural indígena. Estados, sem prejuízo de assegurar a plena liberdade de expressão, deverão incentivar a mídia privada reflitam devidamente a diversidade cultural indígena. ” fonte:
          UNESCO. Dia Mundial da Rádio “Em um mundo em mudança, é preciso maximizar a capacidade do rádio para conectar pessoas e empresas para compartilhar conhecimento e informação e construir conhecimento. Dia Mundial do Rádio é uma oportunidade para reconhecer o milagre do rádio e aproveitar seu poder para beneficiar a todos”, disse o Diretor Geral da UNESCO, Irina Bokova, em sua mensagem para marcar o primeiro Dia Mundial da Rádio.
          A Conferência Geral 36 de 2011, a UNESCO reconheceu o “poder de mudar do rádio” para estabelecer o Dia Mundial do Rádio em 13 de Fevereiro. Nesta data, em 1946, começaram as transmissões de rádio das Nações Unidas. Por ocasião do primeiro Dia Mundial do Rádio, em muitas partes do mundo reiterou as reivindicações dos povos indígenas ao direito de comunicar, o direito ao espectro de radiofrequências e pluralismo nos meios de comunicação.

Fontes:
http://www.politicaspublicas.net/panel/not/internacional/1584-dia-mundial-radio.html
www.cinemaartes.blogspot.com

Espanha concede Prêmio ao Conselho Indígena de Roraima

Fontes: Terra e Boletim Famaliá / Culturas populares e tradicionais
Data: 7 de fev. 2012

          O Conselho Indígena de Roraima (CIR) recebeu nesta terça-feira o Prêmio Bartolomé de las Casas, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores da Espanha e a Casa de América, por mais de 30 anos de trabalho em favor dos povos indígenas desse estado.
          A Secretaria de Estado de Cooperação Internacional e para região ibero-americana do Ministério das Relações Exteriores espanhol e a Casa de América destacaram o trabalho feito pela entidade “nas áreas de saúde e educação, utilizando como ferramentas a associação e a autogestão”.
Por unanimidade, o júri ressaltou o esforço do CIR para envolver as comunidades indígenas em sua autogestão e promover a coparticipação dos organismos do Estado no desenvolvimento dos povos.
          Com mais de 30 anos de história, o CIR é uma das organizações indígenas mais reconhecidas do país. Representa dez dessas comunidades de Roraima, cuja população é estimada em 50 mil pessoas, e desempenha importante papel político na defesa dos direitos dos índios nacional e internacionalmente.
          Entre os projetos que o CIR desenvolve atualmente estão o de capacitação de membros de comunidades indígenas como agentes de saúde e a criação da escola Surumu, que estimula a autonomia dos povos indígenas.
          Concedido desde 1991, o Prêmio Bartolomé de las Casas tem como objetivo reconhecer o trabalho em prol do entendimento e a harmonia entre os povos indígenas, além da proteção de seus direitos e o respeito pelos seus valores.
          O prêmio tem o nome do frei dominicano e cronista Bartolomé de las Casas (1484-1566), símbolo da defesa dos direitos dos índios e é dotado e US$ 65,6 mil e uma medalha com sua imagem.

Filme "Hotxuá" registra cotidiano dos krahô

Imagem extraída do Google

Texto: Matheus Magenta

          Conhecida pelo ativismo em causas como a preservação do meio ambiente, a atriz Letícia Sabatella estreia na direção com o documentário “Hotxuá” (2009).
              O filme, que chega hoje aos cinemas, é um registro do dia a dia de índios krahô, do Tocantins, narrado a partir da figura de um palhaço indígena – o “hotxuá”. Segundo ela, o objetivo do longa, dirigido em parceria com o artista plástico e cenógrafo Gringo Cardia, é fazer um intercâmbio entre a cultura krahô e outras culturas. “A gente não quer ver o índio como algo que precisa ser preservado num zoológico, numa redoma de isolamento”, disse ela à Folha.
             O documentário de 70 minutos registra principalmente a festa da batata, ritual que marca a passagem da estação chuvosa para a seca, com foco na figura do “hotxuá”. O palhaço sagrado, ou sacerdote do riso, como descreve Sabatella, usa o humor para melhorar a autoestima da tribo e amenizar disputas. “A figura do palhaço mostra uma aceitação do diferente em qualquer sociedade. Ele revela outra visão de mundo, fundamental para a manutenção de reinos e sabedorias e inibição de ditaduras.”
             A princípio, o filme abordaria também o papel do palhaço na sociedade, de forma geral. Durante as gravações, porém, os diretores optaram por uma experiência de imersão na vida da tribo. Atendo-se ao registro factual, o filme aborda temas atuais -como o avanço do plantio de monoculturas (soja, por exemplo) e a construção de barragens- apenas superficialmente, em trechos de conversas na tribo. Primeiro contato Sabatella conheceu a etnia krahô em 1996, durante uma pesquisa dramatúrgica feita com um grupo de atores. O encontro decorreu de um convite do antropólogo e indigenista Fernando Schiavini. Segundo Schiavini, a população da etnia krahô é formada atualmente por quase 3.000 pessoas em 28 aldeias.
          A terra indígena ocupada por essas aldeias – uma área de 320 mil hectares (equivalente a cerca de 2.020 parques Ibirapuera)- foi demarcada, conforme ele conta, em 1951, após um conflito entre índios e fazendeiros da região.

Direção Letícia Sabatella e Gringo Cardia
Produção Brasil, 2009
Onde Cine Livraria Cultura e Frei Caneca Unibanco Arteplex
Classificação livre

FSP, 17/02/2012, Ilustrada, p. E6

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada