Lideranças indígenas do Rio Negro promovem reencontro em São Gabriel da Cachoeira (AM)

Imagem: Isa
          Durante três dias, cerca de 50 lideranças históricas do chamado “movimento indígena do Rio Negro” deram depoimentos retrospectivos, construíram uma linha do tempo e debateram alternativas para a geração de renda.
          O reencontro aconteceu entre os dias 7 e 9 de fevereiro, no auditório da Diocese de S. Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico, e teve a coordenação de Domingos Barreto, tukano, ex-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e atualmente na Funai regional e André Fernando, baniwa, ex-diretor da Foirn e atual vice-prefeito de São Gabriel.
          O I Encontro dos Povos Indígenas do Rio Negro teve como tema “Aperfeiçoando as estratégias e garantindo identidade indígena no Desenvolvimento Regional Sustentável” e ao final, foi aprovado um documento com orientações gerais endereçado à Foirn – organização que representa os interesses dos povos indígenas da região há 25 anos e que terá uma assembléia eletiva no final do ano. Leia aqui o documento na íntegra.

Fonte:
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3502

III Mosta de filmes indígenas

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          O pajé é detentor de uma “arte de dirigir sonhos”. O cinema é ritual. A vocação para as imagens congrega técnica e magia. São da Pajé Filmes: Isael e Sueli Maxakali, Itamar Krenak, Ranisson e José dos Reis Xacriabá, Glaysson e Jaciara Caxixó, Charles Bicalho, Rafael Fares e Marcos Henrique Coelho.
Cinemaartes: Quais objetivos da III Mostra Pajé de Filmes Indígenas?
Pajé Filmes: O objetivo é dar continuidade à exibição de filmes indígenas, sejam aqueles de diretores indígenas, sejam aqueles cujos diretores não são indígenas em sentido restrito, mas que, de alguma maneira tenham usado suas lentes para retratar a realidade desses povos.
          A Mostra Pajé sempre traz filmes de autores indígenas, como é o caso de Isael Maxakali, membro da Pajé Filmes, que apresenta quatro novos filmes na Mostra, um deles, “Kotkuphi”, já premiado em Recife.
          A palavra “pajé” aqui tem um sentido mais amplo, se referindo não só aos pajés que vivem nas aldeias, mas também àqueles que, não necessariamente indígena, guardam certas características com aqueles das aldeias. Ou seja, o pajé é alguém que domina várias linguagens, a do canto, a narrativa de histórias, a coreografia, as imagens, e outros elementos que entram na realização de um ritual. Os pajés são os mestres dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) visando nos levar a alcançar o sexto sentido, que se refere ao âmbito da espiritualidade.
             De certa forma, quando dizemos que diretores não-índios são também, de alguma forma pajés, é porque eles se aproximam dos índios nessas características.
          E no caso de filmes indígenas, é porque eles focam mesmo, colocam na tela, elementos ou imagens claras provenientes da cultura dos povos tradicionais, como atores indígenas, roteiros baseados em enredos das tradições literárias indígenas, ou contam histórias que tenham tido a participação fundamental de representantes desse povos.
          É o caso dos diretores Werner Herzog, com dois filmes na Mostra Pajé, ou Joaquim Pedro de Andrade, cujo “Macunaíma” exibiremos. Ou ainda Nelson Pereira dos Santos com seu filme “Como era gostoso o meu francês”.
          Outro objetivo da Mostra é o intercâmbio, seja com diretores indígenas de outros estados brasileiros, seja com diretores de outros países. Sendo assim exibiremos filmes da Bolívia, do Chile e do Equador bem como de cineastas indígenas providos pelo Vídeo nas Aldeias, projeto precursor aqui no Brasil.
          Focamos também a diversidade formal, apresentando, sempre que possível gêneros cinematográficos que não só o documentário ou a ficção tradicionais. Sendo assim exibiremos “Tembiara” uma ficção animada de Jackson Abacatu, falada em Tupi, e “Ãgtux”, de Tânia Anaya, mescla de documentário com animação sobre os Maxakali, que contou com os próprios índios em sua produção.
Cinemaartes:Qual importância da III Mostra Pajé de Filmes Indígenas?
 
Pajé Filmes: A importância da Mostra Pajé é ser esse canal que possibilita a exibição de filmes, principalmente os de autores indígenas, que normalmente não têm a oportunidade de exibição em outros lugares.
Cinemaartes: Quais os principais desafios hoje para execução De uma Mostra de Filmes Indígenas?
Pajé Filmes: Um dos desafios ainda é o acesso às produções, devido ao relativo isolamento das aldeias e seus realizadores. Outra coisa é o desconhecimento dessa produção por parte da maioria das pessoas. Mas isso só faz mais necessária a existência de mostras desse tipo.
          Mesmo assim, temos testemunhado o interesse genuíno de pessoas e de alguns veículos de comunicação que cedem espaço para a divulgação, veículos esses nem sempre especializados em audiovisual ou cultura indígena, como é o caso de vocês da Cine Artes, mas também jornais como o Estado de Minas, que divulgou a primeira Mostra Pajé em uma página inteira em 2009, ou o Jornal O Tempo, também aqui em Minas Gerais, que divulgou nossa programação para a segunda edição da Mostra no ano passado.
Cinemaartes: Qual conselho vocês dariam para que outros indígenas e/ou coletivos de cineastas indígenas organizem mostras de filmes indígenas em outras regiões do Brasil?
 
Pajé Filmes: Nosso conselho é realizar na medida do possível. Conseguir um local, o equipamento necessário, montar um acervo de filmes e exibir. A divulgação pode ser feita, em último caso, gratuitamente, através de blog, email ou redes sociais. O que mais vier é lucro. Importante é produzir nossos próprios filmes, mostrar o Brasil aos brasileiros que se interessam e curtir uma boa sessão de cinema.
Informações sobre nossas produções podem ser encontradas em nosso blog (www.paje-filmes.blogspot.com) ou em nosso perfil no Facebook (basta buscar por “Pajé Filmes”), ou também em nossa página no youtube (também basta buscar por “Pajé Filmes”).
 
Para quem quer conhecer os filmes, além da Mostra Pajé de Filmes Indígenas, quem quiser ter nossos DVDs pode entrar em contato pelo email da Pajé (pajefilmes@gmail.com) e solicitar nosso catálogo.

Mais informações: blog: www.paje-filmes.blogspot.com
Fone: 31 2526-5880
pajefilmes@gmail.com
por equipe: http://www.cinemaartes.blogspot.com

Escola Tukano Yupuri forma primeira turma no ensino médio

Imagem: Socioambiental
Chamada de Yepa Bahuari Mahsã, que em português significa gente da transformação, a turma tem 16 alunos das etnias Tukano e Desana. Da mesma forma que algumas escolas indígenas do Alto Rio Negro, a Tukano Yupuri baseia o ensino diferenciado em pesquisas, focadas nos conhecimentos tradicionais desses povos e no seu cotidiano. A Escola Indígena Tukano Yupuri, localizada na comunidade São José I, no Médio Rio Tiquié, realizou na maloca Mahsiorîwi, nos dias 18, 19, 20 de novembro de 2011, a formatura de sua primeira turma de alunos do ensino médio. Os 16 formandos, pertencentes às etnias Tukano e Desana, vêm das comunidades de São José I e II, Santa Luzia, Santa Rosa (no Rio Castanha) e Boca da Estrada. A turma foi acompanhada durante.