Saber dos xamãs jaguares do Yuruparí é nomeado patrimônio imaterial

Imagem extraída do Google: flickr.com/ Chamanes jaguares del Yuruparí de Colombia.
O saber tradicional dos xamãs jaguares do Yuruparí, na Amazônia colombiana, entrou neste domingo para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.
O comitê de analistas da Unesco aprovou sua inclusão durante reunião em Bali, na Indonésia, ao considerar que este modo de vida, herança milenar dos ancestrais, é um sistema integral de conhecimento com características físicas e espirituais.
“Esta notícia é um enorme esperança para a comunidade que tem plena certeza de que esta decisão é um instrumento de salvaguarda desta sabedoria”, disse o diretor de Patrimônio da Colômbia, Juan Luis Isaza, em seu discurso de agradecimento.
Os xamãs do Yuruparí transmitem “uma cosmovisão associada a um território sagrado para eles, um conhecimento graças ao qual acham que o mundo pode estar em equilíbrio”, explicou Isaza.
Os jaguares de Yuruparí, que habitam nas cercanias do rio Pirá Paraná, transmitem por via masculina e desde o nascimento o Hee Yaia Keti Oka, uma sabedoria que foi entregue a eles desde suas origens pelos Ayowa (criadores) para cuidar do território e da vida.
O diretor de Patrimônio da Colômbia detalhou que esta cultura está ameaçada pela perda de interesse dos mais jovens e a interação com a “arrasadora cultura ocidental”.
A designação também ajudará, segundo Isaza, a combater os perigos que espreitam este povo que viveu sempre isolado do “contato com colonos, madeireiros, mineiros e políticos que, segundo os xamãs, vulneram o território e o equilíbrio”.
“O reconhecimento da Unesco serve para proteger e resgatar não só seu pensamento, também seu território, porque estão profundamente relacionados”, assegurou Isaza.

Aconteceu na Flimt II

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é flimt.jpeg
25 de novembro de 2011
FLIMT – Palestras ressaltam questão indígena sob diferentes aspectos

NAINE TERENA– Assessoria/Flimt

          Com um grande público as palestras realizadas durante a Feira do Livro indígena de Mato Grosso tem levantado temas que há muito tempo envolve a sobrevivência dos povos indígenas no país. Questões como o a relação com a FUNAI, empreendimentos em terras indígenas, o ensino da Cultura nas escolas, hidrelétricas, entre outros tem suscitado longos debates durante o evento.
          Foi assim no primeiro dia, onde Daniel Munduruku e Graça Graúna falaram da literatura indígena e Marcos Terena e Estevão Taukane sobre os empreendimentos em terras indígenas. Na manhã desta sexta-feira, 25 de novembro, Ana Maria Ribeiro e Rosi Waikon destacaram a Lei 11.645/08, que obriga as instituições de ensino a trabalharem a arte e cultura indígena nas escolas publicas e privadas do país.
          Para a Professora Ana Maria Ribeiro, a questão a ser tratada não é a Lei em si, mas a aceitação do indígena na sociedade brasileira. Ana Maria é professora Universitária e questiona a reprodução do discurso acerca dos povos indígenas no cotidiano. Já Rosi Waikhon, é indígena do Povo Piratapuia do Amazonas e cursa mestrado na UFAM. Rosi relata um pouco sobre o desconhecimento da realidade indígena dentro da Universidade e daí a importância da Lei na formação dos educadores e estudantes. “Percebo que a Universidade não está preparada para lidar com o estudante indígena. Aspectos do nosso cotidiano, da nossa história, acabam sempre entrando em conflito com este outro mundo”, explica ela.
          No período da tarde Darlene Taukane, do povo Bakairi de Mato Grosso, fala sobre a FUNAI e os povos indígenas. Para Darlene existiu uma generalização dos povos indígenas, o que transformou todos em ‘índios’. Darlene explica que existem diferentes contextos de contato e isso deve ser observado e levado em conta, quando se trata da Tutela. “Eu quero chegar um dia, em que meu povo não precise do Governo para sobreviver”, finaliza ela.
          O dia encerra com o bate-papo realizado pela escritora Maria Inez do Espírito Santo, que veio do Rio de Janeiro para falar da mitologia indígena. Maria Inez fará o bate papo baseado em sua obra Vasos Sagrados, utilizando a mitologia indígena para trabalhar a formação de valores e mostrar a sociedade brasileira, que não precisamos buscar fora do país valores culturais para trabalhar nossa auto estima.

ISA lança nova edição do livro Povos Indígenas no Brasil do período 2006-2010

Referência sobre a questão indígena, a publicação Povos Indígenas no Brasil faz um resumo do dos principais acontecimentos, entre avanços e retrocessos, no período 2006-2010. A obra apresenta um conjunto de informações que incluem artigos, notícias, fotos e mapas. Será lançado nesta segunda-feira, 21 de novembro, em São Paulo, 22 em Brasília, 25 no Rio e 30 em Manaus. Confira!
A série iniciada em 1980 chega ao décimo-primeiro volume trazendo na capa o líder kayapó Raoni Metuktire, contundente em suas críticas contra a usina hidrelétrica de Belo Monte, na Volta Grande do Rio Xingu, no Pará. Desde os anos 1980, Raoni ergue sua voz contra o projeto que tornou-se obra símbolo do Programa de Aceleração do crescimento (PAC) no governo Lula e prossegue no governo Dilma Rousseff. Mesmo modificado em relação ao projeto original, os povos indígenas das áreas afetadas por Belo Monte não foram ouvidos conforme prevê a Convenção 169 da OIT. Embora os Kayapó não sejam diretamente afetados pela barragem, a suspeita é que para garantir sua viabilidade econômica, outras usinas venham em seguida, alcançando então a área Kayapó.
Esta edição de Povos Indígenas no Brasil 2006-2010 resume a situação indígena no período por meio 165 artigos assinados, 810 notícias extraídas e resumidas a partir de 175 fontes, 228 fotos e 33 mapas. Inclui pela primeira vez um caderno especial de 32 páginas com imagens de destaques.
As informações estão organizadas em seis capítulos temáticos e 19 regionais, totalizando 778 páginas que dão uma visão geral sobre 235 povos indígenas que vivem no Brasil e falam cerca de 180 línguas. Destes, 49 habitam também o outro lado da fronteira, em países que fazem limite com o Brasil. Confira aqui o sumário da publicação.
Destaques do período
O polêmico caso da homologação da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, cujo julgamento final ocorreu em 2009, no STF, reafirmou a demarcação em área contínua e determinou a retirada de ocupantes não índios, mas estabeleceu 19 condicionantes. A esta vitória do movimento indígena-indigenista, somaram-se outras como a criação de Grupos de Trabalho pela Funai para estudar a situação de Terras Indígenas fora da Amazônia; a homologação da TI Trombetas-Mapuera com quase quatro milhões de hectares, localizada ao sul de Roraima e nordeste do Amazonas; a homologação da TI Tupiniquim, no Espírito Santo, que reuniu as TIs Pau Brasil e Caieiras Velhas, com pouco mais de 14 mil hectares e o início da desintrusão da TI Apyterewa, no Pará, homologada em 2007, mas ocupada por 1 200 famílias de invasores. Em contrapartida, aumentaram as ações anti-indígenas no Legislativo e no Judiciário.
A criação da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), em 2006, contribuiu para o debate de políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Até 2010, a CNPI reuniu-se 17 vezes, incluindo a participação do Presidente Lula por duas vezes. A Funai, por sua vez, iniciou em 2008 um processo de reestruturação, abrindo espaço para concurso público – o que não acontecia havia algumas décadas – e para contratação de mais de 400 novos funcionários.
Outra reivindicação do movimento indígena, diante da precarização do sistema de atendimento à saúde indígena, foi a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em substituição à Funasa. Finalmente criada em 2010, sua implementação ainda é precária.
Ações descoordenadas
Apesar das conquistas, as ações do governo em relação aos povos indígenas são contraditórias e descoordenadas. O caso dos Enawenê-nawê, que habitam a Bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, ilustra bem essa descoordenação. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou o processo de patrimonialização no Livro das Celebrações de um ritual centrado em uma grande pescaria com barragens artesanais. Ao mesmo tempo cinco pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) foram autorizadas pelo Ministério das Minas e Energia para funcionar a montante da aldeia Enawenê-nawê. Resultado: as obras já causaram distúrbios no fluxo do rio e nos últimos anos os peixes não apareceram obrigando a Funai a comprar toneladas de peixes de criatório para a realização do ritual.
A população indígena também cresceu no período. No Censo de 2010, o IBGE incluiu uma novidade: quando o entrevistado se autoidentificava como índio, no quesito cor da pele, o recenseador perguntava sobre etnia e língua. Por enquanto, dados preliminares dão conta de que existem 817 963 mil índios no país, e destes, 315 mil estão em áreas urbanas. Em dez anos, houve um aumento de quase 84 mil índios no Brasil.
50 anos do Parque Indígena do Xingu
Na contracapa, o destaque fica para os 50 anos do Parque Indígena do Xingu, que celebrou a data com o festival de culturas xinguanas, na aldeia Ipavu do povo Kamaiurá, incluindo debates e reflexões sobre o futuro. Além do Parque, a Cinemateca em São Paulo, exibiu mostra cinematográfica e uma exposição fotográfica sobre os 50 anos, com rodas de conversas reunindo lideranças indígenas, pesquisadores, antropólogos, médicos e profissionais que atuam no Xingu, que debateram sobre como será o Parque em 2061, com destaque para as jovens lideranças. Confira abaixo quando e onde serão os lançamentos.

Serviço

São Paulo
21 de novembro, segunda-feira, 19h/22h
Sala Crisantempo
Rua Fidalga, 521
Vila Madalena
Brasília
22 de novembro, terça-feira, 19h
Restaurante Carpe Diem
SCLS 104
Rio de Janeiro
25 de novembro, sexta-feira, às 19h30
Museu do Índio
Rua das Palmeiras, 55
Botafogo
(Haverá uma roda de conversa com a participação de Bruna Franchetto (linguista do Museu Nacional), Eduardo Viveiros de Castro (antropólogo MN), Jose Ribamar Bessa Freite (jornalista e historiador, coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indigenas da UERJ), José Carlos Levinho (antropólogo e diretor do Museu do Indio) e Beto Ricardo (antropólogo do ISA e um dos editores da publicação).
Manaus
30 de novembro, quarta-feira, às 18h30
GaleriaAmazônica
Rua Costa Azevedo, 272 – térreo
Largo do Teatro
Centro
Fonte: ISA, Instituto Socioambiental.