Enquanto houver poesia…

Faz algum tempo, escrevi um poema intitulado Instante da palavra. Confesso que inicialmente não gostei do que escrevi e resolvi que o melhor a fazer seria deixar maturar o instante. Engavetei o desejo e deixei o instante pulsando na memória. A vontade de falar de poesia sempre vinha nos momentos inesperados, embora a palavra a cada instante pedisse algo mais racional, pois era preciso cumprir as tarefas acadêmicas. Em meio a essa inquietação ouvi a voz do texto e deixei que viesse a palavra entranhada na luta de cada dia, da poesia, do ser poeta. Acreditando também que todo dia pode ser o dia da poesia, revisitei meu velho poema e o exponho hoje: Dia do poeta. Assim, a todos(as) que ainda crêem na esperança e na força poesia dedico este Instante da palavra.  
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Cadeira, de Van Gogh
INSTANTE DA PALAVRA
…como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.
Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.
O mundo gira.
Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
tanto sal
e apesar de tudo
muito por saber…
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelo
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva…
em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer
São Paulo, 20 de outubro de 2011, Dia do poeta
Graça Graúna (indígena potiguara/RN) 

Feira do Livro Indígena de Mato Grosso – FLIMT

 
23, 24, 25 e 26 de novembro de 2011


Sobre a FLIMT
          O encontro com a diversidade cultural do país chega a sua segunda edição em 2011. É a Feira do Livro indígena de Mato Grosso, evento que reunirá em Cuiabá – MT, escritores, artistas e lideranças indígenas, livreiros, educadores, estudantes e a comunidade em geral. Uma realização do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, a FLIMT, acontece no mês de novembro, fomentando o prazer pela leitura. Durante quatro dias, a cultura dos povos indígenas ganha a cena, nas suas mais diversas formas de manifestações, promovendo o prazer pela leitura e uma viagem ao Brasil indígena.
 
 
PALESTRAS
EXPOSIÇÕES
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
LANÇAMENTOS
SARAUS
 
Realização:
Secretaria de Cultura do MT

Apoio:
Instituto UKA-Casa dos Saberes AncestraisNEARIN – Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do INBRAPI

 
 
PROGRAMAÇÃO
 
DIA 23 – QUARTA FEIRA
19h30
·         Abertura da FLIMT
 
Dia 24 – Quinta feira
9h – Mesa –
·         A literatura indígena e as novas tecnologias da memória
10h/11h –
·         Oficina – O indígena no livro didático. Ministrante: Profª MS Arali Dalsico (Associação dos Amigos do Museu Rondon – ASAMUR)
·         Contação de Histórias (narradores da Nação Nativa Umutina)
14h
·         Mesa – Grandes projetos em terra indígena: qual a saída?
          Palestrantes: Marcos Terena e Estevão Taukane
16h
·         Bate papo – A leitura literária no processo de formação de um país leitor
         Com Daniel Munduruku e Graça Graúna
18h30
·         Oficina de Pintura corporal
19h30
·         Encontro com o Escritor
·         Sarau
 
DIA 25 – SEXTA FEIRA
10h
·         Programação SEC
11h
·         Contação de história com Elias Maraguá
14h
·         Mesa: Ainda precisamos da Funai?
          Com Álvaro Tukano, Marcos Terena e Darlene Taukane
15h30
·         Contação de histórias do povo Terena
16h
·         Programação SEC
·         Encontro com o Escritor
19h30
·         Sarau
 
DIA 26 – SÁBADO
9h
·         Mesa: Lei 11.645/08: modos de usar.
          Com Edson Kayapó e Rosi Waikhon
10h/11h
·         Oficina e palestra: O processo de criação de um livro
          Com Anna Claudia Ramos e Heloisa Prieto
·         Contação de histórias com Roni Wasiri
14h
·         Bate-papo: Observatório da Educação Indígena e a produção de livros didáticos para escolas indígenas
16h
·         Mulheres indígenas: guardiãs ou guerreiras da memória?
         Com Eliane Xunakalo, Graça Graúna e Darlene Taukane
18h
·         Contação de histórias
         Com Carlos Tiago e Marcelo Mahuare
19h
·        Encontro com o Escritor
 
19h30
·        Sarau

Mulheres africanas conquistam o Nobel da Paz

Imagem extraída do Google
Texto: Graça Graúna
           Desde o início da campanha sobre o Nobel da Paz para mulheres africanas, não pensei duas vezes para acolher neste Blog  a ideia de acompanhar a luta dessas mulheres. No Brasil, a campanha muito divulgada também pela Agência de Notícias Adital foi se juntando à força de blogueiros, professores, estudantes, escritores, ativistas de direitos humanos e uma porção de gente corajosa que acredita na luta pela não violência. Fico feliz em ver o Nobel da Paz destinado a três mulheres guerreiras originárias da África; uma alegria igual a que senti quando uma mulher indígena guatemalteca – Rigoberta Menchu – foi agraciada também pelo Nobel da Paz, em 1992, por seu ativismo pelos direitos humanos.

Rigoberta Menchu – Imagem extraída do Google

          Conforme o site da Adital, a campanha nasceu  na Itália e  percorreu o mundo para incentivar a entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2011 para as mulheres africanas. “A proposta é da CIPSI, coordenação de 48 associações de solidariedade internacional, e da ChiAma África, surgida no Senegal, em Dakar, durante o seminário internacional por um Novo Pacto de Solidariedade entre Europa e África, que aconteceu de 28 a 30 de dezembro de 2008” (cf. Adital).

As três mulheres africanas agraciadas com o Premio Nobel da Paz são: ELLEN JOHNSON-SIRLEAF, da Libéria; a sua colega iemenita TAWAKKUL GBOWEE e KARMAN. A luta dessas mulheres tem como característica a não violência; a segurança das mulheres e os direitos das mulheres nos trabalhos de pacificação, conforme informações do  Comitê Norueguês do Nobel. 
SIRELAF JOHNSON, filha do primeiro indígena eleito da Libéria –  é a presidente democraticamente eleita e a primeira mulher da Libéria, desde 2006. Viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos como funcionária do Banco Mundial. 
A outra ganhadora do Noebel é GBOWEE, aos 39 anos; ativista política, integrada ao movimento pela paz, denunciou a última guerra civil que devastou a Libéria de 1999-2003 e que terminou com a eleição de Johnson-Sirelaf. 
Também recebeu o prêmio a iemenita TAWAKKUL KARMAN; líder do grupo de mulheres jornalistas que ela fundou em 2005. A luta de Karman é marcada também por seus protestos contra Ali Abdullah Saleh, presidente do Iêmen.
Os prêmios serão apresentados formalmente em duas cerimônias paralelas em 10 de dezembro de 2011, em Estocolmo, na Suécia.