Retomada de terras indígenas em Mato Grosso do Sul

Imagem extraída do Google

Karol Assunção (Jornalista da Adital)
“A situação é complexa, continua o quadro de violência generalizada”. A afirmação é de Flávio Machado, coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) de Mato Grosso do Sul (MS) a respeito da questão do território indígena no estado da região Centro-Oeste brasileira. Cansados de esperar por uma solução governamental, os indígenas seguem com as retomadas de seus territórios com o objetivo de chamar atenção para a demarcação de suas terras.
De acordo com ele, a luta indígena pela recuperação de suas terras já acontece há mais de 30 anos e ficou mais forte após a Constituição Federal de 1988, a qual estabelece que os indígenas têm direito às terras e cabe à União demarcá-las.
Entretanto, mesmo com a mobilização e com a lei, muitos povos indígenas continuam tendo seu direito violado. Machado observa, por exemplo, um aumento de acampamentos indígenas nas rodovias do estado e da violência interna e externa principalmente nos últimos cinco anos.
Em resposta à morosidade dos processos administrativos de demarcação de terra e à demora dos processos judiciais para julgar as terras já identificadas e declaradas, mas que não estão ocupadas pelos verdadeiros donos, os indígenas iniciaram uma série de ações de retomada.
Para Machado, a ação dos indígenas revela que eles “perderam a paciência por passar tanto tempo esperando por uma solução, por ver suas lideranças sendo assassinadas”. Segundo o coordenador regional do Cimi, várias comunidades indígenas realizam ações de retomadas. No entanto, ao tentar retornar a terra, enfrentam situações de violência.
Na sexta-feira passada (3), por exemplo, um ônibus escolar com indígenas do povo Terena da Terra Indígena “Cachoeirinha” sofreu um atentado ao entrar na região da aldeia. De acordo com informações do Cimi, o veículo, que transportava cerca de 30 alunos, foi alvo de pedras e tentativa de incêndio.
No mês de abril, o povo Terena realizou duas ações de retomada no município de Miranda: uma na fazenda Charqueada, onde permanece em resistência, e outra na fazenda Petrópolis – propriedade do ex-governador do estado, Pedro Pedrossian -, de onde os indígenas saíram por conta de ameaças de grupos armados.
No mês passado, foi a vez dos Kaiowá Guarani retomarem parte de suas terras de Laranjeira Nhanderu, localizada em Rio Brilhante. A ação teve o objetivo de pedir a conclusão dos processos administrativos de demarcação. De acordo com informações do Cimi, essa foi a segunda tentativa de recuperação do território do povo Kaiowá, que estava desde 2009 acampado na BR-163.
Fonte: Adital

Carta do povo Zoró aos Yanomami e Ye´kuana

 Foto: Survivalinternational.org
From: povozoro@hotmail.com
To: mauricio.yekuana@hotmail.com
Subject: RE: CARTA DO POVO YANOMAMI E YE’KUANA
Date: Thu, 2 Jun 2011 09:33:05 -0400
Carta de apoio aos parentes Yanomame e Ye`kuana,
Parentes,
Aqui em Rondônia estamos travando a mesma luta contra as imposições do governo na implantação da SESAI, que ao invés de criar uma secretaria para fortalecer a Saúde indígena, estão tentando manter a mesma cúpula da FUNASA no poder, sem levar em consideração a participação de nós indígenas. Chega de manter sanguessugas na saúde indígena. 
Conhecemos bem a história do Senador Romero Jucá e seus interesses políticos e econômicos sobre as terras indígenas, talvez sejam estes interesses que estão escondidos por trás das indicações políticas para os cargos da SESAI. 
Vamos nos manter firme no propósito de defendermos as políticas de saúde dos nossos parentes sem permitir a influencia de políticos desonestos, pois estas deliberações vindas dos gabinetes de Brasília, sem o nosso conhecimento, só vem prejudicar a todos os parentes que precisam de um atendimento de saúde digno e de qualidade. Se a Senhora Joana Claudete é aliada aos indígenas e tem capacidade para se manter no cargo não justifica o interesse em mudanças, principalmente sem ouvir os parentes envolvidos. 
Isto é uma questão de direito, pois não se brinca com saúde e nem de tirá-la e principalmente por simples interesse político
Ji-Paraná 01 de junho de 2011.
Alfredo Sep Kiat Zoró
Diretor-presiente da APIZ
Agnaldo Zawandu Zoró
Diretor vice-presidente
Assis Yassani Gavião
Diretor-secretário

Amanhã eu vou…

O texto que segue (intitulado “Amanhã eu vou…”), recebi do amigo Ayruman, que também assina por Jbconrado. Por gostar da sensibilidade do Ayruman na arte do desenho e na escrita é que publico neste blog  o conto de Ayruman. Seja bem-vindo, Ayryman. Que Ñanderu nos acolha.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
“Oi minha amiga Xamã. Tô com saudades. Olha um conto para desopilar o fígado. Se quiser pode publicá-lo. Tenha uma boa Semana. Luz e Paz. Jbconrado.”
 Arte: Ayruman
Amanhã eu vou. Amanhã eu vou. Esse é o canto do Curiango. Mas nem sempre foi assim.
Dizem que Curiango amava Maria-Angu. Amor daqueles pra lá de fiel. Curiango tinha a mania de andar a esmo pela as florestas e Maria-Angu vivia de só esperar. E nesse devaneio incomum. Nesse capricho escrachado de curiango, Maria-Angu um dia adoeceu. Um, dois, três. Foram longos meses. Longas estações.
Curiango nada de aparecer. Vivia perambulando nas florestas. Nas veredas e caminhos de terra e poeira. Coisa de poeta que ama a liberdade.
E lá nos confins das Gerais Maria-Angu amofinava. Cada dia,  mais fraquinha. Até que fragilizada morreu. E quando curiango ouviu seu chamado, era muito tarde, sua amada já estava bem longe junto às Estrelas.
Curiango não se conformava. Foi uma dor sem tamanho de rasgar sua garganta e seu coração. E deste este dia curiango nas noites de lua cheia, contrito passou a cantar a ladainha que hoje conhecemos: Amanhã eu vou. Amanhã eu vou. Amanhã eu vou.
Foi esse seu jeito encontrado para amenizar sua negligência desastrosa.
Amanhã eu vou. Amanhã eu vou. Amanhã eu vou…