[Com licença: compartilhando notícia divulgada pelo CIMI, sobre marco temporal e demarcação de terras indígenas.]
Povos indígenas na luta pela terra

Em Brasília, vários representantes dos povos indígenas estão reunidos em protesto ao Marco Temporal. Conforme o Isa (Instituto Socioambiental), a tese do marco temporal diz que “apenas os povos que estavam em suas terras em 1988 têm direito aos seus territórios originários, ignorando séculos de perseguições e expulsões que obrigaram os povos indígenas a viverem marginalizados, distantes dos seus territórios originais”.

Povos indígenas representados por suas lideranças em Brasília: Avá Guarani, Canoe, Cinta Larga, Guajajára, Guarani Mbya, Guarani Nhandeva, Imboré, Juruna, Kaingang, Kamakã, Karipuna, karitiana, Kayapó, Krenak, Macurap, Macuxi, Matupi , Munduruku, Paiter suruí, Panará, Pankará, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Potiguara, Sarapá, Tapajó, Terena, Tiriyó, Tukano, Tupari, Tupi Guarani, Tupinambá, Tuxá, Uru eu wau wau, Wapichana, Xarrui, Xokleng e Yanomami.

Conforme o ISA, as delegações estão vacinadas e respeitando os protocolos sanitários. Em Brasília/DF as caravanas indígenas formam aproximadamente 1.000 pessoas, de 48 povos diferentes, de todas as regiões do país e que ficarão na esplanada até o dia 30 de junho.

As fotos nesta postagem fazem parte do acervo do Isa (Instituto Socioambiental), da Rede de Comunicadores do Xingu, da Mídia Ninja e do fotógrafo Leo, entre outros parceiros do movimento indígena.
A luta continua!
Saudações indígenas,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
No tempo da natureza com o povo Assurini

Chegou a hora da retomada!
Nota: agradecimentos à Paula Santana por esse texto maravilhoso e por compartilhar a imagem fotografada por M. Gorete C. Procópio. Que Nhanderu nos acolha!!!
Autoria do Texto: Paula Santana*
O povo Assurini louva o Jacaré todos os anos. O jacaré é um bicho que olha de lado, por cima do espelho d’água e observa ao longe porque sabe das coisas. Por isso, a festa do jacaré dos Assurini é um espaço educativo e de manifestação de saberes, em que os mais novos têm a oportunidade de aprender com os mais velhos. Melhor analogia para o dia de hoje não há. Quiseram nos assustar e nos matar. Como um jacaré à espreita, esperamos no tempo da natureza. Seguimos em frente com a cabeça erguida e a mira afiada, aguardando com sagacidade. Celebrar o jacaré é um rito de fortalecimento e de vitória para os Assurini, e pra gente também. No posto de saúde, encontrei outras educadoras desse sertão véio de guerra e os sorrisos escapavam das máscaras pelos olhos. Estávamos vivas e juntas num abraço cósmico. A festa do Jacaré está só no começo. Agora que aprendemos um bocado à espreita, partiremos pra luta! Chegou a hora da retomada! Por mais vacinas para todos! Por comida no prato! Por justiça pelos que tombaram! Como ensinou cacique Xicão sabiamente, avançaremos!
(*)Paula Santana: socióloga, antropóloga, poeta, editora, escritora, agitadora cultural, professora do Curso de Ciências Sociais, UFRST.