Cartas de Ameríndia, “Cheiros do vento Sul”…

SANTANA, Paula. Os cheiros do vento sul. Serra Talhada/PE: Ed. da Autora, 2020.

Ficha Técnica

Ameríndia, novembro, dia 5 de 2019

Paula Santana: irmã de luta, poet’amiga.

Ao folhear as páginas do seu diário de campo, veio a ideia de escrever esta Carta para espantar as mazelas que se agregam não só ao Dia de Finados: dia de não esquecer a invasão de posseiros e a geografia violentada; dia também de lembrar que onde tem angico tem nascente e vem daí a ciência indígena pra macerar fumo brabo. Que honra, trilhar pelo caminho ancestral!

O cotidiano da história está prenhe de desafios. Pelo dito popular, “o mar não está p’ra peixe”. Apesar do mar de ódio/óleo, os cheiros do Vento Sul permitem o direito de sonhar, de adoçar a vida, de pensar ou dizer em voz alta a poesia tecida nas coisas bonitas que você viu no desenho das pedras, no sono dos pássaros, no voo dos peixes, na sombra da embaúba e no sagrado dos rios.

Querida Paula, o seu diário é de um aprendizado tão instigante que deixa na gente uma vontade enorme de abraçar, outra vez, o Velho Chico e o Rio Negro: pedagogia viva e cura dos povos ribeirinhos. Penso também nos Potiguara, nos Pankararu, nos encantados: amados praiás; e no abraço carinhoso que se recebe quando a gente chega ou se despede da aldeia. É sinestésica a leitura que vem do seu diário e não poderia ser diferente, pois o cheiro do banho de ervas (calêndula, lavanda, alecrim e canela) e do campiô acolhem o ser poético, o xamãnico e a encantadora de história que habitam na sua escritura híbrida.

Como esta Carta não termina aqui, dou-me o direito de um intervalo pra sustentar o fôlego e subir a serra; fôlego pra escutar o vento e fazer um giro completo em torno do Sol, como quer a poesia.

Saudações indígenas,

Graça Graúna

(Filha de Tupã, do povo Potiguara/RN)

O pensamento guarani de Geni Núñez

Na sequência de homenagem do Blog Tecido de Vozes, ao Dia Internacional da Mulher, compartilho o pensamento da parente Geni Núñez, do povo Guarani (de Santa Catarina). Na próxima semana, mais precisamente no dia 16 de março, estaremos participando do Festival de Leitura e Literatura (Feleli). Em tempo, cabe sublinhar o pensamento de Geni: criadora do perfil @genipapos e autora do livro Djatchy Djatere: o Saci Guarani.  

No quinto mês da pandemia, em 09/10/2020, a página do Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (https://www.cedefes.org.br/) ressalta o pensamento indígena de Geni Ñunez:

Para nós, guarani, a palavra também pode ser uma medicina, um cataplasma que colocamos nas feridas, um abraço, um acolhimento espiritual. Eu escrevo para existir, para artesanalmente poder construir afetos em um mundo que faça sentido para mim, pra quem sou, pra quem somos.”

Quando perguntei acerca da sua visão de mulher indígena, a parente Geni destacou a sua estreita ligação com a nossa Mãe Terra, e é nesta perspectiva que desejo a todas/os vocês uma boa leitura.

Que Nhanderu nos acolha,

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Geni Núñez , por ela mesma.

“Me vejo nessa questão como parte do território, da terra. Da mesma maneira que a terra foi invadida, nossos corpos também são. Invadidos pelas violências, pelos medos, angústias. Mas também como uma terra viva, a gente também passa por reflorestamento, coletivo. Junto de meu povo consigo continuar, um dia de cada vez, passo a passo, resistindo teimosamente mais um dia, ano, século”. (Geni Nuñez)

Trilhas de mulheres guerreiras (I)

8 de março, dia Internacional dedicado as Mulheres, é lembrado também pelas mulheres indígenas. Entre os povos originários, o dia internacional da mulher indígena é celebrado em 5 de setembro; em memória de Bartolina Sisa, mulher quéchua que foi assassinada na rebelião de Túpaj Katari, em 1782, no Alto Perú. Essas datas, ao meu ver, remetem a um conjunto de manifestações em prol da resistência. Isto quer dizer que é contínua a nossa luta contra a desigualdade, contra o machismo e todas as formas de violência.

O nosso Blog Tecido de Vozes saúda todas as mulheres do mundo. Nesta perspectiva, criamos a série “Trilhas de mulheres guerreiras” com o objetivo de apresentar um pouco do dia-a-dia das mulheres indígenas em suas comunidades ou na cidade grande. Em tempo, registro _ desde já _ o meu agradecimento a todas e todos que compartilham os saberes ancestrais e que arrecadam um pouco do seu tempo, do seu dia-a-dia para fortalecer o espírito coletivo.

Com relação às postagens que seguem, as mesmas foram enviadas para esta série (Trilhas de mulheres…) em diferentes datas (de janeiro a março de 2021), razão pela qual só nos foi possível apresentar, agora, este painel de mulheres guerreiras de diferentes etnias e que seguem na luta com a força dos Ancestrais.

Que Nhanderu/Tupã nos acolha,

Graça Graúna (Indígena Potiguara/RN)

POVO ATIKUM

Inicialmente, apresentamos o vídeo das Mulheres Guerreiras do povo Atikum: mulheres indígenas que vivem no município de Salgueiro, em Pernambucano.

POVO PANKARARU

Maria das Dores de Oliveira (povo Pankararu/PE). Linguísta, atua na área de educação escolar para os povos indígenas; junto à ONG Thydêwá, Maria co-dirigiu o documentário: Mensagem da Terra. Recentemente (11/03/2021), Maria Pankararu participou do debate “Preservação de saberes no cinema das mulheres indígenas“; também participaram do debate: Joana Brandão (mediadora/poeta) Maria Corrêa (Cineasta/Video nas aldeias), Barbara Matias (kariri) e Tipuici Manoki.

No programa de Extensão Cultural da Universidade de Pernambuco (UPE), Maria Pankararu participou (na condição de convidada pela Coordenação do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da UPE) do Podcast Saberes Indígenas (n. 14, vol. 1.3 ), “Educação e literatura em movimento”; por meio do qual ela traz um importante depoimento sobre a história e a cultura dos povos originários, especificamente do seu povo Pankararu/PE.

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Crédito da foto: Thydêwá

Responsável pela Associação das Mulheres Guerreiras do Povo Pankararu, a indígena Barbara Pankararu (PE) cmpartilhará, assim que possivel, em depoimento um vídeo.

POVOS INDÍGENAS DO RIO GRANDE DO NORTE

No Rio Grande do Norte existem 15 comunidades indígenas, onde em cada comunidade há pelo menos uma mulher que exerce o papel de liderança. No painel seguinte, a homenagem da Articulação dos Povos Indigenas do Rio Grande do Norte (APIRN) às mulheres guerreiras dos povos originários.

Painel fotográfico enviado por Kaline Potiguara, da Apirn.

… e mais e mais guerreiras nas comunidades indígenas do Rio Grande do Norte: Maeryane (Aldeia Catu); Mãe Maria (Natal); Valda (Aldeia Catu); Ana Paula Campelo (Natsinga), da comunidade indígena Tapará; Karollen Potiguara (Apirn); Mestra Benedita e Wilkflane (indígenas da comunidade Tapará), Kaline (Apirn) e Andriele (Natal) e as mulheres indígenas da comunidade município Rio dos Índios, no municío de Ceará Mirim. Como afirmam as lideranças indígenas do local, essa comunidade “pede socorro, pois grande parte dos indígenas enfrentam vulnerabilidade social e estão em dificuldade para obter alimento”. Para ajudar a comunidade Rio dos Índios, divulguem a Campanha que segue: