Legado

Imagem da Internet
 
a grande lua de fogo
revelou a sua face agréstia
e, devagarosamente,
foi indo, foi indo
gravitando
na incandescência.
Com a lua cheia
um véu de estrelas
espantou a neblina.
 
Na agrestidade do ser
cavamos os sonhos
contra a desesperança

que circunda as nossas vidas

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Nordeste do Brsil, 1º semestre de 2007.

Nota: há um ano ( em 2007) entrou a lua bem cheia pela janela da sala em que eu estava com os meus alunos. Um deles estava doente e naquela noite pituma (escura) a lua mostrou a sua face agreste para uma despedida. Nem chegou a outra lua e o perdemos. Propuz a meus alunos que fizessem um poema; eu também escrevi um, chama-se Legado; poema postado também em outras comuniddes literárias no espaço virtual.

No site Overmundo, este poema recebeu 200 votos.
 

	

Pelo dia das crianças

.                                                             Eu, eterna criOnça, no colo da minha mãe Noemia.

Reinações

Alegria de chegança
no meio da tribo
verte-se em estrelas:
Bisa, Bebel,
Íris, Caio e Davi.

Múltipla chegança:
Rudá, Mariana
Ian, Iasmin
Acalentam os dias.

Na tessitura dos sonhos
Pedrinhos e Quixotes,
Joãozinho e Edu
habitantes do sítio,
o mesmo de Clara e Flora,
de Sherazade e Emília.

O sitio,
onde mil noites não bastam
e os dias são curtos
para contar as reinações
de narizinhos arrebitados
e os misteriosos caminhos de Sofia.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil.

Nota: este Poema integra a Antologia InternacionalTerra Latina ©2005 – Editada pelo Projeto Cultural ABRALI