Céu dos índios

Constelação da Ema indica inverno para os indígenas
          Muitas aldeias indígenas têm astronomia própria, usada para saber desde as estações até o posicionamento geográfico. Um conhecimento que está ameaçado devido à forte assimilação cultural. Germano Afonso, astrônomo do Museu da Amazônia, está trabalhando para resgatar esse saber. No mês que vem, as escolas indígenas de Dourados (MS) ganharão uma cartilha em português e guarani com a astronomia indígena. “É um conhecimento que está se perdendo. As escolas indígenas só ensinam a astronomia ocidental. Devemos mostrar as duas culturas”, diz. “Os índios se orientam pelas estrelas. Elas podem dizer o período de chuvas ou o aumento da presença de insetos. Estou recolhendo informações sobre as características que eles descrevem para ver se há correspondência comprovada. O acerto tem sido impressionante” – FSP, 19/2, Ciência, p.C15.

Para saber mais acesse:
ISA – www.socioambiental.org

A arte como exercício de cidadania em João Werner

JoãoWerner:  Karas
          Pela Internet, as primeiras impressões da exposição de gravuras intitulada “Ladrões” me chegam numa mistura de imagem e palavra; pois o artista João Werner – de tão insatisfeito com as desigualdades sociais, estampa em vinte e quatro gravuras um espécie de 3×4 da triste realidade que nos cerca.
 João Werner: Distribuição de rendas
          O pouco que eu conheço da arte de João Werner talvez não me dê o direito de escrever acerca dos seus personagens, dos seus traços, do seu compromisso com o social em meio ao seu apurado senso estético. Conhecendo apenas virtualmente suas gravuras em torno de um cotidiano tão violento, quer seja no Brasil ou em outras partes do mundo; penso que é importante arrecadarmos um tempinho que seja para refletir acerca do tempo de desumanização; ao fazer isto, não estamos refletindo sozinhos, pois Werner aguça em nós a vontade verdadeira de fazer alguma coisa para tornar o mundo melhor. Por meio da sua arte podemos dizer que estamos exauridos do ar pesado oriundo da violência. Muitos até podem ignorar ou torcer o rosto pro outro lado diante da realidade que custa crer; mas não adianta dobrar a esquina e fingir que aquela pessoa lá na escuridão seja um fantasma dos tempos sombrios; fantasmas da falta de liberdade de expressão. Podem até fingir que aquele tiroteio não é na esquina da sua mansão. Imagina, tiroteio em área nobre nunca existiu. Imagina, o dano à propriedade não vai lhe prejudicar em nada; nem as torturas, nem o vandalismo, nem as detenções; nada disso vai tirar a sua sanidade, a sua boa fé, a sua honestidade, a sua consciência étnica e tudo que lutamos para obter a custa de sacrifício e direitos.
João Werner: Tiroteio
          Visitar ainda que virtualmente, ou atravessar as ruas de Londrina e ver de perto as gravuras de Werner é uma forma de exercer a cidadania e mostrar que por meio da arte também se faz militância pelos direitos humanos.
Nordeste do Brasil, verão de 2012.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Para saber mais, acesse o link:
http://www.joaowerner.com.br/

Bonecas Karajá: patrimônio cultural brasileiro

Imagem extraaída do MEC/Portal do professor
Foi aprovado pelo Conselho Consultivo, em Brasília, o mais novo patrimônio cultural brasileiro.
          As Bonecas Karajá acabam de entrar para a lista dos bens registrados como Patrimônio Cultural Brasileiro. Nesta quarta-feira, 25, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reunido em Brasília, aprovou o Ofício e os Modos de Fazer essas obras de arte, que, além de serem uma referência cultural nas aldeias indígenas, representam, muitas vezes, a única fonte de renda das famílias.
          O conselho, formado por 22 especialistas de diversas áreas, é presidido por Luiz Fernando de Almeida, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura.  Todos os processos de tombamento e registro são avaliados pelo conselho.          A proposta referente às bonecas Karajá foi apresentada ao Iphan pelas lideranças indígenas das aldeias Buridina e Bdè-Burè, localizadas em Aruanã, Goiás – GO, e das aldeias Santa Isabel do Morro, Watau e Werebia, localizadas na Ilha do Bananal, Tocantins – TO, com anuência de membros das aldeias Buridina, Bdè-Burè e Santa Isabel do Morro.

Bens protegidos
          O registro foi comemorado. Luiz Fernando de Almeida, por exemplo, que preside o Iphan, ressaltou o  trabalho do órgão de ampliar o número de bens protegidos em todo o país e de alterar a interpretação do que é patrimônio cultural. Para ele, o registro do Ofício e dos Modos de Fazer as Bonecas Karajá “representa uma dimensão de reconhecimento como patrimônio a cultura de comunidades indígenas, como o povo Karajá, ainda pouco conhecida, mas que é fundamental dentro do processo de formação do nós somos do povo brasileiro”.
          O projeto Bonecas Karajá: Arte, Memória e Identidade Indígena no Araguaia foi iniciado em 2009 e vem sendo supervisionado pelo Departamento de Patrimônio Imaterial – DPI/Iphan e coordenado pela Superintendência do Iphan em Goiás, que privilegiou o estudo dos aspectos imateriais das bonecas Karajá. As pesquisas para identificar e documentar o ofício, os modos de fazer e as formas de expressão que envolvem a produção das bonecas Karajá foram realizadas com a comunidade nas aldeias Buridina Mahãdu e Bdé-Buré, em Aruanã – GO, e da aldeia de Santa Isabel do Morro, ou Hawalò Mahãdu, na Ilha do Bananal – TO.
          Com o Registro, o Iphan quer estimular a produção das bonecas entre as mulheres Karajá, possibilitando o crescimento das condições de autonomia das ceramistas frente às demandas externas e, ainda, fortalecer os mecanismos de reafirmação da identidade Karajá.
 Fonte: Ascom/Iphan