Indígenas vivem epidemia de diabetes

A aproximação com o modo de vida ocidental – que inclui sedentarismo e alimentos industrializados – ampliou entre os índios de Mato Grosso a prevalência de males como obesidade e diabetes. Há quatro anos, médicos da Unifesp avaliam as condições de saúde dos Xavante, que habitam o leste de Mato Grosso. A coleta mais recente – feita entre 15 e 24 de abril em duas áreas com quase 4 mil índios – revelou que mais da metade dos maiores de 20 anos têm diabetes ou estão prestes a desenvolver a doença. A prevalência de sobrepeso e obesidade chega a 82% entre os adultos. O problema tem maior incidência entre índios do que na população em geral por causa de gene que favorece o acúmulo de gordura no organismo. “Era uma vantagem no modo de vida tradicional. Em um contexto de sedentarismo e dieta industrializada, o efeito é trágico”, diz João Paulo Botelho Vieira Filho – FSP, 9/5, Saúde, p.C10.
Fonte: Instituto Socioambiental

Indígenas querem participar da Rio+20


por Isabela Vieira (Repórter da Agência Brasil), em 29.abr.2011
Rio de Janeiro- O movimento indígena quer participar da organização da Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre o Desenvolvimento Sustentável, chamada de Rio+20, que ocorrerá em 2012, no Rio de Janeiro. Hoje (29), o líder indígena Marcos Terena cobrou do governo federal a criação do grupo de trabalho responsável por definir a posição brasileira no encontro. Para ele, essa é uma discussão que não pode ficar restrita aos meios diplomáticos.
“O governo precisa criar um grupo de trabalho para construção do evento, não ficar só o Itamaraty. O Itamaraty é um aliado importante, mas queremos dialogar com o Ministério de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento Agrário, que têm posições contraditórias em relação aos créditos de carbono, por exemplo” declarou Terena, durante encontro sobre a Rio+20, que ocorreu hoje (29), no Rio.
Para organizar as demandas dos índios, Terena disse haverá uma reunião, em agosto, na cidade de Manaus. O objetivo é preparar um documento relacionando as questões consideradas fundamentais para serem tratadas na Rio+20, como o avanço das monoculturas e as grandes obras que impactam as terras indígenas.
“Nossa preocupação é mostrar para as Nações Unidas e para o Brasil que queremos voz dentro da construção do evento. Queremos trabalhar de igual para igual e poder apontar o que seria qualidade de vida para as próximas gerações”, afirmou Terena.
Terena adiantou que cerca de 750 índios de diversas partes do mundo vão montar um grande aldeia no Aterro do Flamengo, na zona sul da cidade, que se chamará Kari-oca, apelido dado pelos índios aos portugueses que chegaram ao Brasil no século 16 e que significa “cara de peixe feio” na língua tupi-guarani. O termo indígena acabou designando as pessoas que nascem na cidade do Rio de Janeiro.
Durante reunião preparatória da Rio+20, hoje, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira disse que um dos desafios da conferência será promover o engajamento dos cidadãos. Ela disse que o governo pretende incentivar o uso das redes sociais e da internet para mobilizar a sociedade em torno dos temas que serão debatidos na conferência.
Além da ministra, participaram do encontro de hoje o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner, os senadores Fernando Color de Mello (PTB-AL) e Cristovam Buarque (PDT-DF), o secretário estadual do Ambiente do Rio, Carlos Minc, e representantes de organizações não governamentais.

Povos indígenas em defesa da terra e da vida

Imagem diponível no Google
Karol Assunção (Jornalista da Adital)
Situação da saúde e da educação indígenas, grandes projetos de desenvolvimento, demarcação de terras. Esses são apenas alguns assuntos que serão discutidos no Acampamento Terra Livre 2011 (ATL), que acontecerá na próxima semana em Brasília. Além do Acampamento, indígenas de várias regiões participam, de hoje (29) até domingo (1º), do Encontro Nacional dos Povos Indígenas em Defesa da Terra e da Vida, em Luziânia (Goiás).
Entre os dias 2 e 5 de maio, cerca de mil lideranças indígenas de todo o Brasil se reunirão na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para participar da 8ª edição do ATL. A ideia é trocar experiências entre as diversas comunidades e chamar a atenção do governo e da sociedade para as reivindicações dos mais de 230 Povos Indígenas do país.
De acordo com Marcos Sabaru, indígena do povo Tingui-Botó, de Alagoas, e coordenador da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) dos estados de Alagoas e Sergipe, o Acampamento já faz parte da agenda do movimento indígena. “É um momento de união dos povos, de busca para ouvir os problemas dos outros”, comenta.
Além disso, o evento, realizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em parceria com o Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), tem o objetivo de discutir sobre as violações dos direitos indígenas e reivindicar ações do Governo voltadas para essa população. Para isso, durante os quatro dias, os indígenas participarão de debates e discussões em grupos de trabalhos e plenárias e de audiências públicas com os parlamentares. A expectativa é também conseguir um encontro com a presidenta Dilma Rousseff.
Os debates abordarão diversos pontos da pauta de reivindicações indígenas, como saúde, educação, território, questão dos grandes projetos de desenvolvimento, novo Estatuto dos Povos Indígenas e Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), além do Plano Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI).
Segundo Sabaru, os indígenas enfrentam problemas em diversas áreas. Na saúde, por exemplo, ele destaca os transtornos ocorridos por conta da transição das responsabilidades da saúde indígena, as quais passaram da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “A nova Secretaria ainda não está adequada”, considera.
Para o coordenador da Apoinme, é importante que exista um diálogo entre indígenas e Governo. “Queremos conversar [com a presidenta Dilma Rousseff], ouvir propostas, estabelecer o diálogo”, afirma, destacando outras reivindicações, como: regularizações e demarcações de terras indígenas, educação diferenciada para as populações indígenas e não criminalização das lideranças.
Sabaru ainda lembra que muitos indígenas estão sendo afetados por grandes projetos de desenvolvimento, como a construção de hidrelétricas, barragens, estradas e portos. “Estão fazendo esses grandes projetos em nome do progresso. Acontece que esse progresso nunca é voltado pra nós. Então, pra quem é esse progresso?”, questiona.
Encontro Nacional
Além do Acampamento Terra Livre, algumas lideranças indígenas participam do Encontro Nacional dos Povos Indígenas em Defesa da Terra e da Vida. O evento acontece de hoje (29) até o próximo domingo (1°), no Centro de Formação Vicente Cañas, Luziânia (GO).
Com o lema “Vida e Liberdade para os povos indígenas – Povos Indígenas construindo o Bem Viver”, o evento reúne cerca de 180 lideranças de várias partes do país para discutir questões como: luta pela reconquista e garantia dos territórios; luta contra o processo de criminalização das lutas e das lideranças; e enfrentamento aos grandes projetos que afetam as comunidades.
———-
Mais informações em: