II Jornada de Crítica Literária Ecocríticas da UNB, com Álvaro Tukano e Graça Graúna

II Jornada de Crítica Literária 
Ecocríticas: Estados de Natureza
Datas: 14 e 15 de agosto de 2017
Local: Auditório do IL, subsolo do ICC Sul

1. Introdução ao evento

A Natureza já foi vista como o elemento negativo frente ao qual o Humano se afirmava. Sabe-se, hoje, que outras relações são possíveis – é o que mostra a vida e a experiência dos povos indígenas. No plano teórico, passou-se a pensar na Natureza enquanto múltiplo (o “multinaturalismo” de Eduardo Viveiros de Castro) e na inadequação do conceito (a “ecologia sem natureza”, de Timothy Morton). Dentro do que chamaríamos de “Cultura”, sabe-se que o fundamento do Estado é biológico – seja na relação do conceito de soberania com o animal (em Agamben e Derrida), seja na relação biopolítica do Estado com os seus sujeitos (Foucault).

       Trata-se ainda, portanto, de repensar o conceito de Estado através de sua relação com o “natural”, problematizando os conceitos utilizados. Se, nas teorias do Estado que surgiram na esteira do contato dos europeus com os ameríndios, pensava-se num “Estado de natureza” como ficção explicativa do contrato social, pode-se agora pensar em Estados de Natureza, uma multiplicidade de relações que aproximam e contrapõem o Estado enquanto prática político-policial a uma Natureza múltipla sob constante ameaça.
       Tais relações múltiplas perpassam o campo dos estudos literários. A consolidação da área da Ecocrítica, nos últimos anos, reafirma a relevância de se discutir as múltiplas relações entre “natural” e humano. Dentro do panorama contemporâneo, devassado pela crise ambiental e por crises humanitárias sem número, a crítica literária tem uma responsabilidade frente ao presente: como pensar uma literatura que se engaja em temáticas que cruzam os campos do Estado e da “Natureza”?

Promoção:
Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea

Agências financiadoras: FAP-DF e CAPES

Coordenador: Pedro Mandagará (UnB)

Comissão Organizadora:
Anderson Luís Nunes da Mata (UnB)
Leila Lehnen (University of New Mexico)
Patrícia Trindade Nakagome (UnB)
Virgínia Maria Vasconcelos Leal (UnB)

Comissão Científica:
Ana Cláudia da Silva (UnB)
Devair Fiorotti (UERR-UFRR)
Regina Dalcastagnè (UnB)
Vinícius Gonçalves Carneiro (Paris-IV)

Programação e convidados
Dia 14 de agosto
19h – Abertura do evento
19h30 – Literatura e Direitos Humanos
Graça Graúna (UPE) Álvaro Tukano (Memorial dos Povos Indígenas, DF)

Dia 15 de agosto
9h30 – Biopolíticas 
Leila Lehnen (Universidade do Novo México)
Graziele Frederico (UnB)
Paulo Thomaz (UnB)

13h30 – Ecocríticas
Victoria Saramago (Universidade de Chicago)
Antonio Barros de Brito Junior (UFRGS)
Jorge Luiz Adeodato Junior (UFC)

16h – Alteridades 
Lucia Sá (Universidade de Manchester)
Devair Antonio Fiorotti (UERR-UFRR)
Waldson Souza (UnB)

18h – Lançamento das Edições Carolina Lançamentos de livros

Enquanto o Pataxó dormia

Monumento em homenagem a Galdino
Foto: Lucas Salomão
Há vinte anos que cinco jovens de classe média alta atearam fogo no Pataxó Galdino; ele foi assassinado na madrugada de 20 de abril de 1997, enquanto dormia. Galdino estava em Brasília para reivindicar a demarcação do território Pataxó que foi invadido por fazendeiros na localidade de Pau Brasil, na Bahia. A foto refere-se ao monumento em homenagem a Galdino. (Foto: Lucas Salomão/G1). No poema seguinte, minha homenagem ao Pataxó Galdino:
Enquanto dormia
Um índio foi morto
numa parada de ônibus
do planalto central,
em Brasília.
Impossível esquecer
de Galdino Jesus
um guerreiro pataxó
exposto ao preconceito.
Enquanto dormia,
atearam-lhe fogo
em Brasília
                                   Graça Graúna (indígena potiguaraRN)
Nordeste do Brasil, abril indígena, 2017.