Paz na Terra

Imagem extraída do Google.
No finalzinho de novembro em 2009, eu fiz este poema e o refiz em dezembro de 2013; acreditando na alma da palavra, nos saberes ancestrais que fortalecem as aldeias;  nos Anjos da Guarda e  nas estrelinhas do Natal  para transformar esses tempos tão difíceis em tempo de paz.
Escolhi a foto de Ammar Awad/Reuters para ilustrar o poema; a imagem é formada por crianças refugiadas palestinas,  numa enorme representação da “Pomba da Paz” (1949), do pintor Pablo Picasso.
Desejo a todos(as) um Feliz Natal na esperança de que a  alegria, a saúde, o amor e a prosperidade se multipliquem no Ano Novo!
Com abraçares,
Graça Graúna
Paz na terra
Não bastam os seus olhos
seus ouvidos
sua boca
seu coração
suas mãos
seus pés…
e se não for pedir muito
compartilhe o seu jeito
de ser e viver

pela não-violência
em nome da Paz

                                  Nordeste do Brasil, Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Mandela, para sempre!

Dores d’África (*)
Eh, meu pai!
Em vez de prantos
é melhor que cantemos.
Eh, meu pai!
É melhor que cantemos
a dor contínua
a solidária luta
de poetas-bantos
contra a tirania
Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos, 1999, p. 49.
(*)No início da década de 90 escrevi este poema, que foi publicado pela Editora Blocos em 1999; no mesmo ano em que Mandela terminou seu mandato de presidente da África do Sul. Em 5 de dezembro de 2013, o mundo ficou mais pobre; a paz está de luto, mas enquanto houver poesia haverá esperança de um mundo mais justo. Caminhemos na luta pelos Direitos Humanos, inspirados na trajetória de Mandela!
Nordeste do Brasil, 7. Dez. 2013.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

A riqueza cultural indígena da America Latina

Recentemente, traduzi para a Editora FTD três livros da Coleção Contos Indígenas da América Latina, adaptados por Judy Goldman. Trata-se de “O sapo e o deus da chuva”, uma narrativa do povo Yaqui ilustrado por Arno Avilés. “O coelho e a raposa”, ilustrado por Ricardo Peláez, é uma história do povo Kiliwa. “Baak” traz ilustrações de Fabrício Vanden Broeck; é um conto do povo Maia.
 
 
Em “O sapo e o deus da chuva”, do povo Yaqui, o cenário inicial  mostra o sol escaldante castigando a terra. Não há sinais de chuva. As pessoas da aldeia, incansavelmente, pediam ao deus da chuva para afastá-las de tanto sofrimento, mas o deus sequer  ouvia. Quando o chefe da aldeia anunciou que o povo teria que abandonar o lugar, um mensageiro se apresentou. Qual seria o seu plano?
 
 
“O coelho e a raposa” é uma das uma das muitas histórias do povo Kiliwa.  Os mais velhos contam que uma raposa muito faminta vivia em um lugar árido, com pedras, cactos e escorpiões. Não gostava de comer gafanhotos porque as pernas dos insetos geralmente ficavam enganchadas em seus dentes. Por sorte, farejou um coelho que não era grande nem gordo, mas era maior do que um rato. A raposa aproximou-se e atacou. Será que o mais forte sempre sai vencedor?
 
 
O conto “Baak”, do povo Maia, traz a história de um pequeno deus. Ele vivia com a mãe e os dois raramente tinham o suficiente para comer. Os irmãos que moravam nos arredores, sequer ajudavam; quando muito, atiravam-lhes sobras de comida. Baak queria aprender a caçar, mas os irmãos só zombavam e nunca o ensinavam. Um dia, ao ver a exuberante vegetação da floresta, Baak teve uma ideia que mudou a vida do seu povo.
Essas histórias fazem parte da riqueza cultural dos povos indígenas da América Latina: os Yaqui vivem no Estado de Sonora (México), numa região que faz fronteira com os Estados Unidos; sua população é de aproximadamente trinta e dois mil habitantes. Eles vivem da plantação de trigo e do algodão.  

        Os Kiliwa são um povo ameaçado de extinção. Sua população é composta de aproximadamente cento e sete indígenas que sobrevivem da agricultura familiar, da caça e da pesca, no Estado da Baixa Califórnia (México).
O povo Maia é a segunda população mais numerosa do México, com aproximadamente um milhão e meio de indígenas. Apesar do grande índice de analfabetismo e desemprego, o povo Maia são grandes conhecedores das ervas medicinais; conhecem profundamente várias espécies de peixes e mantém as suas tradições.
Para saber mais da cultura e da história indígena na America Latina, vale conferir o seguinte endereço: www.cdi.gob.mx
Nordeste do Brasil, 5 de setembro de 2013
Graça Graúna (tradutora)