O zen da poesia em construção

 
Árvore pássaro. Escultura: Leno. Foto: Graça Graúna
 
O cosmo é poesia
a energia é poesiae quando se misturam razão e coração
tudo depende do modo que a gente vê:

um monte de gente pequena
fazendo cata-ventos de papel

parece uma nova tribo: Íris, Caio, Davi
Rudá, Mariana, Ian, Iasmin e Nina

e tudo depende
do jeito que a gente vê:

um caracol voando e uma rã pulando
de-va-ga-ro-sa-men-te

uma estrela do mar
e um cavalo no azul marinho

o cochilo do pássaro
e uma nuvem passando

a bailarina do circo
e um pônei dançando

uma casa na árvore
e um boizinho pastando;

um arco-íris no jardim
ou uma flor na janela

uma montanha de sonhos
um castelo de areia
 
ou uma casa de pássaros
como quer a poesia
 
tudo pode ser poesia
depende do jeito de ver

o poder a mágica
que a palavra pode ter
 
 
Graça Graúna (inddígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, 14 de março. Dia da poesia.

Dia de Reis

Imagem extraída do Google
Dia de Reis
  
Os reis mag(r)os lentamente
caminham pelo sertão
anunciam que a vida
é de curta duração
enquanto o sol arrebentar
em pedacinhos o chão
Léguas e luas de sede
ovos de camaleão
mas nem tudo está perdido:
na direção da estrela
a flor do mandacaru
dá esperança ao sertão

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil,

poema publicado originalmente em cartão postal, em dezembro de 1981.

Paz na Terra

Imagem extraída do Google.
No finalzinho de novembro em 2009, eu fiz este poema e o refiz em dezembro de 2013; acreditando na alma da palavra, nos saberes ancestrais que fortalecem as aldeias;  nos Anjos da Guarda e  nas estrelinhas do Natal  para transformar esses tempos tão difíceis em tempo de paz.
Escolhi a foto de Ammar Awad/Reuters para ilustrar o poema; a imagem é formada por crianças refugiadas palestinas,  numa enorme representação da “Pomba da Paz” (1949), do pintor Pablo Picasso.
Desejo a todos(as) um Feliz Natal na esperança de que a  alegria, a saúde, o amor e a prosperidade se multipliquem no Ano Novo!
Com abraçares,
Graça Graúna
Paz na terra
Não bastam os seus olhos
seus ouvidos
sua boca
seu coração
suas mãos
seus pés…
e se não for pedir muito
compartilhe o seu jeito
de ser e viver

pela não-violência
em nome da Paz

                                  Nordeste do Brasil, Graça Graúna (indígena potiguara/RN)