Folia de reis

Imagem: Flickr

Os reis mag(r)os lentamente
caminham pelo sertão
anunciam que a vida
é de curta duração
enquanto o sol arrebentar
em pedacinhos o chão
Léguas e luas de sede
ovos de camaleão,
mas nem tudo está perdido:
na direção da estrela
a flor do mandacaru
traz esperança ao sertão

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

poema publicado originalmente em cartão postal, em dezembro de 1981.
Nota: poema publicado no Overmundo

…mais uma chance à paz…

O silêncio nos acompanha
resmunga
diz que envelheceu
e que só alguns loucos tentam escutá-lo.O silêncio reclama
diz que são raros
os que ousam tocá-lo
e continuam se perguntando:
– todos dormem ou fingem que estão mortos?Imagine
o silêncio sobre o gelo fino

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
…pensando em John Lennon…
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2009

Nota: poema publicadono Overmundo

Nas asas da Graúna

Ilustração: José Carlos Lollo

Uma história que conta o passado, o presente e o futuro das gentes.

Uma historia que nos mostra o principio, o meio e o fim.

Nos traz a essência do que somos e o cuidado que temos que ter ao afundar nossos pés no solo sagrado que nos acolhe.

É preciso pisar macio para não desonrar o sagrado que há em cada um, trazido de onde mora a nossa ancestral memória.

Ser fiel exige coragem, desprendimento e afeto.

Ser fiel nos permite estar atentos somente àquilo que é legítimo e verdadeiro para não cairmos nas armadilhas e nos desviarmos do caminho. É saber silenciar o coração, a mente e viver com alegria o presente que mora em nós.

É isso que Graúna nos faz: ela nos coloca em suas asas e nos lembra que somos fios na grande teia da vida.

(Apresentação: Daniel Munduruku)

Ficha técnica

Editora Manole – São Paulo
ISBN – 9788520430576
Encadernação – brochura
Formato – 23 x 23
Ano – 2009
R$ 20,70

Nota: texto publicado no Overmundo