Folia de reis

Imagem: Flickr

Os reis mag(r)os lentamente
caminham pelo sertão
anunciam que a vida
é de curta duração
enquanto o sol arrebentar
em pedacinhos o chão
Léguas e luas de sede
ovos de camaleão,
mas nem tudo está perdido:
na direção da estrela
a flor do mandacaru
traz esperança ao sertão

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

poema publicado originalmente em cartão postal, em dezembro de 1981.
Nota: poema publicado no Overmundo

…mais uma chance à paz…

O silêncio nos acompanha
resmunga
diz que envelheceu
e que só alguns loucos tentam escutá-lo.O silêncio reclama
diz que são raros
os que ousam tocá-lo
e continuam se perguntando:
– todos dormem ou fingem que estão mortos?Imagine
o silêncio sobre o gelo fino

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
…pensando em John Lennon…
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2009

Nota: poema publicadono Overmundo

Cartografia do imaginário

Book tree, de Salvador Dali.

…do meio da noite
ao meio do dia
o espanto do universo
retalhado em fatias
alimenta o poema
e a vertiginosa fome de vencer
o intrincado mundo das palavras
da noite ao meio dia
(a)talhos e fatias
dos muitos caminhos do mundo
alimentam
a cartografia do imaginário
do corpoema

Graça Graúna (indígena potiguara), 16.nov.2009.

Nota: poema publicado no Overmundo.

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Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p.69. [com prefácio de Leila Miccolis].