…mais uma chance à paz…

O silêncio nos acompanha
resmunga
diz que envelheceu
e que só alguns loucos tentam escutá-lo.O silêncio reclama
diz que são raros
os que ousam tocá-lo
e continuam se perguntando:
– todos dormem ou fingem que estão mortos?Imagine
o silêncio sobre o gelo fino

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
…pensando em John Lennon…
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2009

Nota: poema publicadono Overmundo

Cartografia do imaginário

Book tree, de Salvador Dali.

…do meio da noite
ao meio do dia
o espanto do universo
retalhado em fatias
alimenta o poema
e a vertiginosa fome de vencer
o intrincado mundo das palavras
da noite ao meio dia
(a)talhos e fatias
dos muitos caminhos do mundo
alimentam
a cartografia do imaginário
do corpoema

Graça Graúna (indígena potiguara), 16.nov.2009.

Nota: poema publicado no Overmundo.

***

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p.69. [com prefácio de Leila Miccolis].

Enquanto houver poesia

Escultura de Demétrio Albuquerque
em homenagem a Manoel Bandeira.

Difícil saber
onde o grande amor está
quando o escuro da distância
das fronteiras
da exclusão
e do medo impede o canto
e o direito de sonhar.

Contudo
enquanto houver poesia
vale tecer o encanto
que a manhã vai chegar.

***

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, 13 de novembro de 2009

***

Nota:
1) Pensando em Manoel Bandeira, Thiago de Melo e João Cabral, entre outros poetas
2) Poema publicado no Overmundo.