Nem mais, nem menos

Imagem Google. Lua e Sol

Um homem, uma mulher
são o que são:
palimpsestos
pássaros
deuses
mágicos
videntes
astro/estrela
de Altamira à Lascoux
Asteca
Pankararu
Fulni-ô
Xavante
Potiguara, quem sabe?
Íntimos irmãos da terra
salvaguardam o limo das pedras
o voo dos peixes
e os sagrados rios
navegáveis

Graça Graúna (indígena ptigara/RN), 28.mar.2009

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p. 40 [com prefácio de Leila Miccolis].
Nota: poema publicado no Overmundo com 127 votos.

Tempo de poesia

…margarida-amarela perto de um igarapé, no interior do Pará
Crédito da imagem: Graça Graúna
aos poetas Carlos e Sônia Brandão

… que Ñanderu* acolha
as pedras da nossa canção.
Que seja pedra enquanto leveza
o sinal: sem poesia os tempos não existirão

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 12 de março de 2009.

* Ñanderu, em guarani, significa Nosso Pai; o Grande Espírito, o Criador.
Nota: a propósito do Dia da Poesia

Cantares

Imagem Google. Maestro João Carlos Martins – poesia e superação

Hace sombra en las calles?
Louvai as almas das pedras
tecei o encanto.

Hace sombra en tu pecho?
Cantai. Apesar dos tremores
estamos sobrevivendo.

Cantai, que as manhãs chuvosas
pedem um canto de sol
de vibrar céus e terra.

Hace sombra en todas las calles
y en tu pecho? Cantai.
As dores do mundo são as dores do poeta.

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 37.

Nota: Dia da Poesia – penso no maestro João Carlos Martins (exemplo de superação) que tem a poesia na ponta dos dedos ao tocar o amigo-piano. Minha homenagem também aos poetas hispânicos Camilo José Cela e Francisco Arias Solis. Poesia, sempre.